Fuzz e psicadélico sempre de mãos dadas e ao mais alto nível no gnration | Reportagem

Para o conhecimento do público lusitano os Moon Duo entraram no nosso “radar” em
2017 com a sua aparição no Festival
Vodafone Paredes de Coura
. Uma entrada pela “porta grande”, deva-se dizer!
Passagem marcante ao ponto de, pouco mais de 6 meses depois, a formação
norte-americana actualmente sediada em Portland nos
Estados Unidos da América voltar para 4 datas no nosso país.

A primeira data desta mini tournée aconteceu na passada
sexta-feira, dia 9 de fevereiro, no gnration
em Braga. Estivemos lá e agora proporcionamos-vos a reportagem completa com
texto de Edgar Silva e fotos de Hélder Oliveira.


Mais à frente voltaremos a falar da formação vinda da terra
do “Tio Sam”. Agora é tempo para dedicar umas linhas à banda que tocou na
primeira parte. A banda convidada foram os portugueses 10 000 Russos. A banda portuense é constituída por 3 elementos. João Pimenta: na bateria e voz, Pedro Pestana: na guitarra e André Couto: no baixo. Esta formação
lusitana é editada pela britânica Fuzz
Club Records
e conta já com um número respeitável de concertos por essa
Europa fora!

Desde os primeiros acordes dos 10 000 Russos que a sala
bracarense apresentou-se praticamente lotada numa blackbox bem confortável enquadrada num espaço arquitectónico muito
peculiar como é o caso do gnration.
Um público diversificado e abrangente nas faixas etárias.
Tivemos logo aí uma audiência atenta e
curiosa porém com uma exuberância limitada, ainda assim, algum público esteve
completamente submerso nos sons psicadélicos emergidos do palco. Uma dessas
pessoas foi Adolfo Luxúria Canibal lá
mesmo na primeira fila.

Em toda a actuação deste trio esteve uma projecção de imagens
algo aleatórias em tom monocromático e uma conjugação estrambólica de luzes em
tom vermelho. Foi uma performance competente e que deu perfeitamente para
mergulhar no universo rock multicultural psicadélico que esta banda nos
oferece.

‘Distress Distress’ lançado em abril de 2017 foi o mote
para este concerto de cerca de 50 minutos. Terá deixado uma boa impressão junto
de boa parte audiência.

Os Moon Duo em
2017 dividiram o seu trabalho ‘Occult
Architecture’
num sentido de Yin
e Yang, em 2 volumes portanto. Em fevereiro tivemos ‘Occult Architecture Vol. 1’ virado mais numa perspectiva feminina
e num tom de escuridão. Depois em maio veio ‘Occult Architecture Vol. 2’ fazendo o contraponto num plano masculino e mais ligado à
luz. Estes álbuns são o motivo deste duo andar em digressão e que os trouxe
novamente a Portugal.

Findo o intervalo, de cerca de 20 minutos, por volta das
23:20h, Sanae Yamada
e Ripley Johnson acompanhados pelo
seu baterista entraram em palco para contentamento geral da audiência. Já se
sentia uma expectativa formigante no meio da audiência. Logo aos primeiros
acordes e de acordo com as tradições modernas tivemos telemóveis ao alto!

Por esta altura a sala estava completamente imersa numa
fumarada quase misteriosa que só deixava ver as silhuetas dos membros em palco.
Ao fim das primeiras canções tocadas o tom hipnótico meio que tomou conta dos
corpos dançante tornando a sala numa espécie de dancefloor. Já o ambiente
tornou-se um pouco diferente da primeira parte com um enquadramento
ligeiramente diferenciado. Atrás em projecções tivemos imagens aleatórias,
algumas das quais já com cor e o fumo trouxe um toque de mistério.

Tivemos um belo concerto num passeio por universos
existentes, outros sonhados e outros perfeitamente bizarros. Nada como fechar
os olhos por momentos e deixar-nos mergulhar pelas ondas do fuzz e do rock
psicadélico dos Moon Duo.

Atrás na bateria John
Jeffrey
sempre a debitar o compasso com uma consistência e um ritmo
dinâmico. Mais à frente de um lado Ripley
Johnson
com a sua barba a fazer lembrar o Barbas (o conhecido adepto do
Benfica), ou talvez seja ao contrário, quem sabe… Sempre acompanhado pela sua
guitarra e pelos seus riffs imprescindíveis. Do outro lado estava Sanae Yamada, o contraponto feminino e
delicado. Através dos seus teclados vinham sons suaves e sedutores.

Todo um ensamble sonoro incrível e cuidado, fez vibrar a
audiência durante quase 1h30. Com um auge no decurso do encore de 2 canções. A
noite estava ganha e as pessoas satisfeitas por uma actuação bastante bem
conseguida e certamente de recordar durante longas semanas.

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Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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