Temos de ser duros: 1 ano de Malfeito | Reportagem

image

Trata-se de um nome “sui
generis” e que acaba por realçar de forma positiva o projecto. Entremos então
no universo da Malfeito, uma “promotora de divulgação e agitação
artística e cultural sediada em Fafe”
pegando nas palavras da própria
associação. De facto, esta entidade tem dinamizado nos últimos meses a noite
fafense de forma muito particular levando aquela cidade minhota algumas das
melhores bandas no universo rock alternativo, tendo inclusive já trazido colectivos
internacionais.

São exemplos disso mesmo como
os espanhóis Kings of The Beach e os
holandeses Mooon. Já de território
nacional já passaram por Fafe os Stone
Dead
, os Cave Story, os 800 Gondomar
ou os 10 000 Russos. Só para
citar alguns. O mais incrível é que todos os concertos aconteceram no último
ano entre sessões de matiné na Sala
Touro
ou os épicos concertos no Café
Avenida
.

A ocasião do 1º aniversário da
Malfeito foi aproveitada para uma
união com o HeadLiner, a partir de
agora iremos fazer um acompanhamento mais de perto de todos os concertos
relevantes levados a cabo por aquela promotora.


Esta festa de comemoração dos
primeiros 12 meses de existência aconteceu nas passadas noites de 9 e 10 de
março, sexta-feira e sábado respectivamente. O cartaz era, literalmente,
apelativo e composto por Psychtrus +
Sunflowers
com DJ set da Pointlist na
sexta-feira e no sábado com Kings Of The
Beach + Fugly
com DJ set de Paulinho
+ Nuno Dedos Biónicos
.

O HeadLiner esteve em força nas duas noites e testemunhou noites de
grande festa, interação, gente simpática e um forte convívio num local com as
suas particularidades…

O Café Avenida foi o local eleito para o festejo e em modo de
situação devemos dizer que o Café
Avenida
não é um nome fancy para um café- concerto como há por este país
fora. Trata-se mesmo de um típico café à moda portuguesa em pleno centro de
Fafe. Na parte traseira existem duas salas dos “fundos” que foram
reaproveitadas pela Malfeito para os
seus eventos. A maior serve para os concertos e uma intermédia mais pequena e
acolhedora para os DJ sets. Locais ao estilo de garagem. Diremos nós, uma
garagem rock com paragem obrigatória.

Em ambas as noites o clima
esteve tempestuoso no exterior contudo tal situação não foi impeditiva para uma
adesão generosa de público nomeadamente de uma faixa etária mais nova. O Ano Malfeito esteve espelhado pelo Café Avenida. À entrada do lado direito, uma espécie de mural com fotos dos concertos: uma por cada evento. Na área para os DJ sets estava a passar em modo nonstop um video com imagens desse mesmo ano. Para decoração do espaço tiveram também caixas recortadas com os nomes das bandas sendo iluminadas por dentro dando um efeito visualmente giro.

Noite de Sexta-feira

Psychtrus: a
banda de Santo Tirso foi a primeira a actuar apresentando-se em palco com 4
membros em palco: Gonçalo Teles e Gabriel Coelho nas vozes e nas guitarras,
Diogo Faria na bateria e Miguel Figueiredo no baixo.

Com o seu rock derivado de
várias influências, do indie ao psicadélico passando pelo surf rock vimos um
quarteto a dar boa conta de si. Inclusive com uma balada pelo meio quase em
passo dançante… Gostamos do som da banda e foi, sem dúvida, uma bela surpresa. Nada
melhor do que usar uma expressão da banda para os caracterizar: “rock despenteado e despretensioso”.

Sunflowers: o
duo é já uma espécie de “banda residente” para a equipa do HeadLiner e que dificilmente nos vai desiludir com o seu som punk
psicadélico à moda portuense. O público esteve permanentemente entusiasta, algo
que é consistente em todos os concertos que vimos da banda constituída por Carlos
de Jesus (voz e guitarra) e Carolina Brandão (voz e bateria). ‘Castle Spell”
foi um momento fortíssimo do seu set, talvez por ser o tema mais em voga e que
pertence ao mais recente álbum com o mesmo nome. Com a alegria de um moche à
antiga, foi o modo para povo celebrar e curtir o som “florido”.

Para fecho de noite o DJ set
esteve a cargo da Pointlist.

https://www.flickr.com/apps/slideshow/show.swf?v=261948265

Noite de Sábado

Kings
of the Beach
: directamente de Vigo vieram Adrián Rodríguez (Guitarra e voz), Yago Guirado
(Baixo e voz) e Samuel Otero (Bateria). O trio galego voltou a terras fafenses
depois de ter estado num evento anterior, igualmente pela mão da Malfeito. A banda espanhola está em ascensão na sua carreira, fruto disso foi a participação na edição deste ano do conceituado evento norte-americano SXSW (South by Southwest). Têm um som que é uma mistura de indie
rock, garage, punk e surf que, no entanto, nos soaram a um indie (quase pop)
rock na sua veia mais “comercial” sem que isto signifique uma apreciação
desprimorosa.

Concerto vivido num ambiente
descontraído e festivo com um toque claramente punk, certamente vindo na noite
anterior, aqueceu bem as hostes para mais uma noite bem passada. “Puta Espanha,
viva Fafe” palavras de ordem vociferadas pela banda serviram para transmitirem
o apreço da banda pelo público português. Provavelmente para algo mais…

Foi uma atuação positiva, teve
também momentos de slows. Na ponta final a banda não se recusou a fazer
crowdsurf. Houve uma sinergia contagiante.

 Fugly:
mais
uma banda portuense presente e que também é seguida com muito interesse pela
equipa do HeadLiner. Esta noite de
10 de março em Fafe foi a última data portuguesa antes de a banda aventurar-se
por essa Europa fora. Tratou-se, sem dúvida, de uma força extra que o público
fafense deu-lhes. “Millenium Shit” é um dos melhores discos do ano passado e
isso tem sido reconhecido igualmente pelo público geral. Com seu intensíssimo garage-punk
rock encerraram a parte dos concertos de forma incrível. Foram bojardas curtas
mas mesmo brutalmente intensas. O público esse não arrefeceu minimamente e
esteve sempre “onfire”.

No encerramento na noite o DJ set esteve a cargo de Paulinho e Nuno Biónico.

https://www.flickr.com/apps/slideshow/show.swf?v=261948265

Texto: Edgar Silva

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

Ainda sem comentários

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.