Fui convidado a entrar na sala de estar de Patrick Watson

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Em 2012 marcou a minha estreia num festival de música, mais precisamente no
Festival Paredes de Coura. Porque vos conto isto? Porque foi a partir do dia 15 de agosto desse ano que soube que tinha perdido um grande concerto de Patrick Watson no Palco Vodafone FM, que mesmo já sem microfone tinha voltado ao palco para um encore inesperado apenas com a sua voz e piano, na altura então um desconhecido para mim.

Desde então tenho tentado apanhar o artista canadiano, mas sem sucesso. Isto até ao
passado dia 4 de dezembro na cidade de Guimarães, no CAE São Mamede, mesma sala que o artista já tinha pisado em 2011.


Para abrir as hostilidades da noite esteve La Force, artista vinda da mesma terra de Patrick Watson e mais conhecida por fazer parte da banda Broken Social Scene, subiu ao palco despida de qualquer instrumento e apresentado apenas 5 músicas, nas quais posteriormente se fez acompanhar da sua guitarra.

Começou por elogiar bastante as ruas “lindas e antigas” de Guimarães, algo que não costuma ver do outro lado do Atlântico. Vinda do Canadá, a artista não deixou de cantar na língua francesa com a sua doce e potente voz com que vez encantar a sala praticamente esgotada. Num registo irreconhecível a artista cantou ainda “Purple Rain” de Prince ao lado de Joe Grass, guitarrista de Patrick Watson que tinha substituído o seu anterior Simon Angell.

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Num intervalo um pouco mais longo do que se esperava, fazendo apenas com que a
minha ansiedade crescesse cada vez mais e com a sala vimaranense (praticamente
toda ela revestida de madeira dando um ar bem acolhedor) a ficar cada vez mais
preenchida, eis que começa a entrar o artista mais esperado da noite, a sua
banda, e ainda Ariel Engle aka La Force, que durante mais de uma hora e meia
de concerto foi dando os backing vocals tornando tudo aquilo em algo ainda mais
mágico.

Com o palco bem apetrechado e as já habituais lâmpadas de filamento a delimitar o espaço de atividade dos artistas, ‘Love Songs For Robots’ deu o início de um concerto na “sala de estar” de Patrick Watson.

Poderia estar a falar de um concerto, que mesmo sob uma voz única, tinha vindo apenas para tocar e partir para outros palcos quase sem dar pela nossa presença, mas não. A interação com o público foi uma constante, parecendo que todos nós eramos amigos que se encontraram a uma terça-feira à noite. Estava a um palmo de distância de todo aquele
acontecimento mágico.

Patrick Watson na 2ª passagem por Guimarães | mais fotos clicar aqui

“Wave” foi uma das novas músicas apresentadas, e ao som dos seus primeiros acordes as luzes azuis começaram a deambular pela sala adentro fazendo com que me sentisse por de baixo de um longo manto de água azul… foi fechar os olhos e deixar-me levar pela maré.

A intimidade deste concerto deixou-me de coração cheio, e na música que se seguiu, “Melody Noir”, uma das mais recentes, a banda juntou-se bem à frente num modo mais aconchegante e acústico, em que Patrick e Ariel, bem baixinho, mas bem audível, soltavam o seu francês delicado. Esta, aliás, não foi a única. “Slip Into Your Skin” fez-me arrepiar,
literalmente, com a sua versão nua e crua acabando com um coro em uníssono
vindo da plateia capitaneada pelo próprio Patrick Watson.

À mesma imagem se encontraram músicas como “Drifters”, “Hearts” e “Grace”, com a banda bem ao centro e praticamente abraçados uns aos outros fazendo-se apenas acompanhar pelos seus instrumentos mais acústicos e vozes.

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“Adventures in Your Own Backyard” e “Turn Into The Noise” ameaçaram o que parecia ser o final do concerto, mas após terem saído por de baixo de uma ovação de se louvar, a banda voltou com o primeiro encore “Into Giants”.

O grande momento, e provavelmente o mais emocionante, veio a seguir. Após a banda
ter saído do palco deixando Patrick Watson novamente sozinho ao piano, eis que
o artista faz a derradeira pergunta: “O que deverei tocar a seguir? To Build a
Home? The Great Escape? Lighthouse?” – os pedidos saíram disparados de mil e
uma direções. Com as luzes em baixo focando apenas o piano, surgiu “To Build a
Home”. O êxtase da senhora à minha frente foi bem visível mostrando o quanto a
música dos The Cinematic Orchestra, com voz do artista canadiano, é adorada por muitos.

Antes da banda fazer a vénia em modo de despedida, tocaram “Big Bird in a Small Cage”, novamente num momento em comunhão com o público, tendo este concerto tantos momentos íntimos que mais parecia que tivessem a tocar na minha sala de estar.

Quando tudo previa, infelizmente, o final do concerto, eis que Patrick Watson volta
sozinho a entrar para um segundo encore, sentando-se ao piano e… tocando “The Great Escape” ao contrário do que tinha acontecido nos dois concertos anteriores da tour.

É verdade que estava rodeado por centenas de pessoas numa sala com largos metros
quadrados? É. Mas nada disso importou. Fui convidado a entrar na íntima e aconchegante sala de estar de Patrick Watson, e sabem que mais? Tinha acabado de assistir ao concerto mais bonito que já tinha visto.

A seguir podem visualizar uma galeria completa de fotos desta noite: clicar aqui

 

Fotografia: Luís Leite

Texto: Luís Silva

Luís Aires Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Num quarto de uma residência universitária em Guimarães, criei em 2012 os primeiros acordes do headLiner. Nasceu da vontade de dar espaço a uma cena musical mais underground. Aqui, o BPM e os decibéis são secundários. Interessa-me a música em todo o seu espectro. Eu fico por aqui a ouvir e a escrever algumas palavras — umas com mais sentido do que outras.

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