Submersos no mundo de Panda Bear | Reportagem

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Foto pela Vera Marmelo @ Culturgest, Lisboa

Numa noite chuvosa e fria, véspera do feriado de 25 de abril, Noah
Lennox
, um dos quatro membros fundadores dos Animal Collective, apresentou em
Lisboa o sexto e mais recente álbum de Panda Bear, ‘Buoys’. 

No Grande
Auditório da Culturgest, envolvente e acolhedora sala de paredes forradas a
madeira e cadeiras confortáveis, pelas nove e meia já todos os espectadores
estavam sentados à espera do início do concerto. “Thank you for coming
everybody
” – foram as primeiras palavras ditas pelo músico, e, a par dos
agradecimentos finais, as únicas que dirigiu ao público durante todo o
concerto.

A imagem de Lennox de pé no palco, apenas acompanhado de uma mesa de
mistura e de um microfone, reflete precisamente a sua construção musical, já
que é único responsável por escrever, tocar e cantar as músicas de Panda Bear.
Apesar da sua postura introvertida, o músico conseguiu criar no público uma
sensação de inclusão e conforto no mundo submerso que é palco do seu novo
álbum.

Noah abriu o concerto com “Home Free”, curiosamente a
última música do álbum ‘Buoys’. Em poucos minutos já começávamos a
encontrar a solidão e o sossego que o músico constrói neste álbum, ao escalar
os complexos instrumentais a que nos habituou nos álbuns anteriores a apenas
meia dúzia de sons. Levou-nos logo a seguir ao seu primeiro álbum, ‘Person Pitch’, com a música “Comfy in
Nautica
”, enquanto as luzes iam ficando mais pálidas e ofuscantes e uma
densa nuvem de fumo sorvia a plateia.

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Foto pela Vera Marmelo @ Culturgest, Lisboa

“Nod to the Folks” marcou a transição para a esfera leve e
arejada do seu álbum de 2018 lançado exclusivamente em vinil, ‘A Day with the
Homies’
. As luzes eram cada vez mais coloridas e as imagens projetadas mais
aceleradas, ouviam-se palmas e assobios, a plateia abanava a cabeça e batia o
pé ao som da música, dentro dos limites que um concerto sentado impõe. Deste
álbum ouvimos também as músicas “Part of the Math”, um dos momentos
altos da noite, “Shepard Tone” e “Sunset”.

Mas era ‘Buoys’ que os espectadores verdadeiramente queriam
ouvir – as músicas deste álbum eram rapidamente reconhecidas e calorosamente
recebidas pela plateia assim que começavam. Talvez por prever ou se aperceber
desta ressonância no público, foram também estas as músicas que o Noah tocou
com mais prepotência e empatia. Começava a ouvir-se a música “Token”
enquanto frenéticas e intensas luzes estroboscópicas ofereciam ao público
sensações visuais confortavelmente perturbadoras. Logo a seguir, a simplicidade
e leveza da música homónima do álbum, “Buoys”, transportou-nos de volta
para o solipsismo que o caracteriza. “Dolphin”, um dos highlights
do álbum e também do concerto, com o seu distinto arranjo de percussão que
lembra gotas de água, permitiu criar uma esfera de tranquilidade e sensação de
submersão algo resignada.

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Foto pela Vera Marmelo @ Culturgest, Lisboa

O concerto terminou com uma carregada nuvem de fumo, iluminada e
quase opacificada pelas intensas luzes do palco, que despertou fortes aplausos
e assobios no público – embora não fortes o suficiente para motivar um encore.

Foi um espetáculo impessoal mas acolhedor, que terá certamente enchido as
medidas dos espectadores, que deixaram a sala com sorrisos. Panda Bear já
prometeu regressar ao estúdio ainda este ano, esperamos igualmente pelo seu
regresso aos palcos, curiosos por descobrir o rumo que dará ao seu imprevisível
e já tão

divergente processo criativo

.

Alinhamento

  1. Home
    Free
  2. Comfy
    in Nautica
  3. Nod
    to the Folks
  4. I
    Know I Don´t Know
  5. Part
    of the Math
  6. Shepard
    Tone
  7. Token
  8. Buoys
  9. Dolphin
  10. Crescendo
  11. Sunset
  12. Playing
    the Long Game
  13. Last
    Night at the Jetty

Texto: Marta Santana

Fotografia: Vera Marmelo @ Culturgest

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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