
A explosiva programação ‘gig.LIVE! 5.0’ iniciou-se na passada sexta-feira, dia 25 de setembro com concerto dos MAQUINA. em que a primeira parte foi assegurada pelos Mike Vhiles. Tal como vem sendo hábito, o palco foi o Café-Concerto RUM by Mavy em Braga. Este ciclo ‘gig.LIVE! 5.0’ é da responsabilidade da promotora bracarense gig.ROCKS!.
Tal como na versão anterior esta nova temporada conta igualmente com o apoio do headLiner como parceiro media. Todas as informações pode ser vistas aqui.
O primeiro trio a entrar em palco foram os Mike Vhiles apenas 3 minutos após a hora anunciada, as 23h. Esta banda é composta atualmente por Miguel Vale, André Figueiredo e Xiko Martines. Um power trio cujas origens estão localizadas em Coimbra.

Equipados a rigor com os seus macacões, todos de cores vincadas e contrastantes, em que Miguel estava de cinzento, Xiko de verde e André de vermelho tal como é costume estarem em cena. A sala esteve sempre muito bem prenchida, para quem conhece o espaço sabe que o Mavy tem um terraço e este local estava igualmente com muita gente. Era o sinal que a noite estava totalmente esgotada.
Regressando aos Mike Vhiles começaram a toda a velocidade com “Transistor Farmer”, uma novíssima e fortíssima jarda de 15 minutos, será editada brevemente. Edição com probabilidades de ocorrer ainda este ano.

Miguel Vale além da guitarra assume a voz com muita paixão. Vocais distorcidos e paranóicos ajudaram ao autêntico wildfire de Garage Psych bem desgarrado e totalmente descomprometido que descarregaram durante toda a performance. A constante lingua de fora expressa a energia permanente que debita a cada segundo.
Xiko Martines é o novato desta formação. Demonstrou uma técnica impecável na bateria e, logo após estar devidamente calibrado no seu posto, ficou somente em camisa interior sem mangas. Um visual de muito estilo para um baterista bastante proficiente.
André Figueiredo, o baixista, é uma espécie de pêndulo desta formação. Ele também é expressivo contudo num nível diferenciado relativamente ao dos seus colegas de banda. Mais moderado no modo como extravasa a sua ebulição interior.

“You’re So Pretty” foi uma das repescadas do EP ‘Acid Reflux’ de 2020. A outra foi “Plain”, tal como o vocalista disse “uma balada”para refrear momentaneamente os animos. Ambas continuam frescas como o verde verdejante presente na capa desse disco. Cor predominante no jogo de luzes na maioria da sua atuação.
A “Dazepam”, quiçá o tema mais conhecido de toda a discografia dos Mike Vhiles, não podia faltar antes do fecho através de uma demonstração cabal da pujança do trio, foi uma jarda descomunal.
Miguel fez questão de vir fazer uma visitinha à plateia para cumprimentar o urso de peluche. A pelúcia teve neste momento o inicio do fim do seu sossego enquanto os Mike Vhiles terminaram a sua atuação em alta ao fim de 50 minutos de mais uma atuação vigorosa. Foi fantastico revê-los depois da sua participação no festão dos “12 anos de headLiner” realizada em maio deste ano em Guimarães.

Feito o changeover foi altura para o momento áureo da noite com os MAQUINA. cuja performance iniciou-se à meia-noite e dezoito minutos. A casa estava totalmente lotada. Nas minhas visitas anteriores só tina visto algo semelhante numa noite do projeto Irreversível. O ar condicionado, já a trabalhar a algumas horas, não ia efetuar o seu devido trabalho com tanta gente, era algo óbvio. Estava bastante calor dentro da sala porém isso não foi impeditivo para um usufruto suado, é certo, no entanto também bastante festivo.
Com a entrada do trio escutaram-se os primeiros gritos de contentamento. Estavam muitos fãs presentes e uns quantos equipados a rigor com t-shirts. Um dos fãs a viver o momento com fervor foi Gonçalo Ferreira, vocalista dos Travo. Ambas as bandas já tocaram juntas, um dos exemplos foi a partilha do palco da Casa da Música cuja reportagem pode ser vista aqui.

João Cavalheiro na guitarra, Halison Peres na bateria/voz e José “Mendy” Rego no baixo são os três incríveis músicos deste projeto que já extravasou os limites do nosso país há bastante tempo. O som dos MAQUINA. tem um travo hipnótico intensamente bizarro para uma banda que explora universos musicais em redor do krautrock e techno industrial. Aqueles acordes hipnóticos, por entre um som bastante denso, são extremamente irresistíveis e provocam uns pezinhos de dança bem marotos.
Primeira nota para Cavalheiro e o seu jogo de pés fantástico perante os seus diversos pedais e a constante mudança de settings. Movia-se para a frente e para trás como se estivesse dentro de um quadrado. Foi o mais expansivo dos três. O palco do Mavy é de pequenas dimensões e o espaço que os músicos têm para si, no meio de toda a parafernália, é mesmo muito limitado.

Entre o terceiro e quarto tema em que uma jovem fã do género feminino abrir as hostes do crowdsurf de modo muito corajoso. A partir daí uma saudável e completa loucura surgiu e ficou instalada até final da performance. O público viveu de forma intensa e abnegada no decurso da atuação em que o circle pit foi uma das maneiras de apimentar a noite.
Segunda nota para Rego, ele que demonstrou-se sorridente e bastante elástico com o seu baixo. Procurou desfrutar do momento absorvendo a energia emanada do público e o seu “quadrado” foi suficiente para poder desenvolver a sua parte.
João e José ficaram em troco nu logo na fase inicial. Não demorou muito mais Hallison a seguir-lhes o exemplo. São músicos que vivem com intensidade os concertos e conseguiram, com alguma dedicação, ultrapassar as dificuldades impostas pelo calor e pelos seus corpos imensamente suados. Houve inclusive um momento de pausa para hidratação, aproveitado de forma conveniente por todos, banda e as fãs, para um pouco de descanso.

Terceira e última nota para Peres. O brasileiro, já com uma tremenda costela portuguesa, vive a atuação sempre da mesma forma: a dar o seu melhor. Além do modo expressivo com que toca bateria, faz utilização da sua voz. As suas distorcidas vocalizações passam pelo crivo de um regulador, que o próprio vai controlando durante a atuação. Já com tanta experiência adquirida por via de imensos concertos já tudo é gerido por ele naturalmente. Mesmo quando há alguns problemas técnicos mantém o controlo enquanto a ajuda faz a sua parte.

Via vários corpos lindamente suados em que o headbanging era constante e a dança balanceada era o sinónimo do desfruto da discográfica dos MAQUINA. em que ‘BODY TRANSMISSION’, álbum editado em julho deste ano pela Fuzz Records, teve algum destaque com temas como “collapsing” ou “pressure/pleasure”. Do segundo álbum ‘Prata’ escutamos as fantásticas “body control” e “kontakte”, faixas que são já extremamente marcantes no percurso do trio.
Quem não teve igualmente descanso foi o urso de peluche do Mavy. Estava no chão encostado ao palco na zona frontal e foi uma espécie de mascote. Voou no crowdsurf e fez as lâmpadas abanarem-se freneticamente. Efetivamente estava tudo em modo frenético.

Já muito perto da 1:30h João Cavalheiro desceu um bocadinho à plateia e tocou junto dos fãs durante a interpretação de “dança”, o último tema interpretado. A banda juntou-se, agradeceu aos seus fiéis seguidores e toda a gente ficou com selo de noite ganha.
A programação gig.Live! 5.0 prossegue novamente no Café-Concerto Rum By Mavy na noite do próximo 9 de outubro com duplo concerto: com os Hate Moss e os Must Be Blue. Toda a informação pode ser consultada aqui.
Reportagem fotográfica Completa: clicar aqui

Texto:
– Edgar Silva
Fotografia:
– Ricardo Costa @ ricardojosecosta (Instagram)

Ganda reportagem hahaha Camões estaria orgulhoso, Carlos Paredes ainda mais!