A política dos 3 R’s: Ruílhe, Rodellus, Rock | Reportagem

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Dia 1 – 18 de junho

O bonito espaço que é o Parque
de Merendas da freguesia de Cunha que acolheu na perfeição os aventurosos sem medo
do campo. A noite de arranque, a da recepção ao campista foi preenchida pelos novos talentos nacionais.

A primeira banda a subir ao
palco foram os Unsafe Space Garden.
A banda vimaranense (que tem 2 elementos dos Toulouse) ainda está a dar os primeiros passos e o seu EP ‘Bubble Burst’ ainda é um trabalho a
descobrir. Abriram o concerto com “Fights
are Funny”
o primeiro single da carreira e na nossa opinião uma das canções
que menos gostamos. As vozes não nos deixam deslumbrados em grande parte das
canções, agora cremos que naquele som pop/rock/indie há uma ideia positivamente
boa. 

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Já os Palmers confirmaram-nos as boas
sensações que lhes reconhecemos. O trio composto por Raquel Custódio (bateria), Cláudia
Brás
(baixo) e Vasco Cavalheiro (guitarra)

demonstram uma alegria em
palco e um à vontade maior. A banda das Caldas das Rainha têm vindo a mostrar
ao vivo o seu EP de estreia ‘Younger
Days’
. Um dos pontos altos da sua atuação esteve na performance de “Hate You” cujo refrão é demasiado catchy para ser ignorado. A ter em conta
estes miúdos com o seu cruzamento de punk com surf e garage rock.

Sun
Blossoms
foram a penúltima banda em palco e tocaram durante pouco
mais de 30 minutos Este é o projeto de Alex
Fernandes
e ao vivo conta com mais 2 elementos. Deram-nos uma agradável
apresentação do seu som cujas referências óbvias estarão entre o pop, o rock, o
garage. Abreviando a coisa diremos que o seu som é selo indie rock.

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O caminho para Braga já deve
seguir em modo automático para os Cosmic
Mass
. Pela segunda-vez apresentaram-se ao vivo naquela zona minhota. Desta
vez a jarda fez questão de não faltar (como o fez anteriormente) e
proporcionaram o concerto mais festivo da noite. A fiesta e o moche compareceu
de forma firme sendo que o público pela primeira vez não teve receio de
chegar-se para a frente do palco. “I’ve
Become the Sun”
o primeiro single da banda foi apresentado como tendo feito
“muito sucesso com pais e avós”. Não
temos dúvida que o target da banda é dos 8 ao 80. O ritmo frenético das suas
canções não deixa ninguém indiferente é certo.

A noite encerrou com DJ set
por Eduardo Morais.

Horários cumpridos
praticamente à risca numa noite que Palmers
e Cosmic Mass foram claramente
os vencedores deste primeiro capítulo do Rodellus
2019
.

A seguir podem visualizar a galeria de fotos da 1ª noite: Clicar Aqui

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Dia 2 – 19 de junho

Mr.
Mojo
banda oriunda de Merelim São Paio, Braga, deu o pontapé de
saída com o seu som da pesada alicerçado num universo fuzzy punk rock. Tocaram
durante 30 minutos e demonstraram um registo muito interessante. “Undercover Cops” foi o
tema que fugiu aos condimentos gerais tendo a banda desfilado o seu lado punk.
Terminaram o seu set com “Disorder”. Este foi o concerto
de estreia do Palco Eira no recinto
principal do Rodellus.

Dirigimos-nos em seguida para o
palco principal e para a sua estreia em 2019. Coube ao trio francês Mars Red Sky essa honra. Para nós uma première muito interessante. Seus temas
são de rock psicadélico com uma forte componente hard rock por entre um
niquinho de heavy metal. Tocaram-nos uma nova canção e que foi do agrado do
público. Esta performance foi acompanhada por vídeos na tela de fundo cuja
percepção nem sempre foi possível da melhor forma devido ao jogo de luzes e ao
fumo.

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No regresso ao Palco Eira foi a vez de repetirmos os
espanhóis FAVX. Sempre bastante
enérgicos em palco. Sob um iluminar constante em tons de azul mostraram-nos os
seus temas cantados em inglês se bem que nem sempre as letras as conseguimos
perceber. Oriundos de Madrid retornaram a Portugal, tinham cá estado há alguns
meses, e o punk rock que trouxeram contagiou as primeiras filas levantando os
primeiros ares poeirentos desta edição.

O grande momento da noite
coube aos barcelenses Solar Corona.
Perante o Palco Rodellus tivemos o
pico de assistência deste segundo dia. Mesmo sem Julius Gabriel, a mostra do novo álbum ‘Lightning One’ foi coroada de êxito. A irreverência do baixo de José Roberto Gomes foi muito bem
acompanhada por Peter Carvalho na
bateria e Rodrigo Carvalho na guitarra.

Depois da apresentação que
vimos dos Bee Bee Sea em Fafe, sabíamos que estes italianos não iriam deixar os seus créditos por mãos
alheias. O público prontamente se mostrou animado e nas primeiras filas
improvisou-se um moshpit de levantar alguma poeira ou não estivéssemos nós em
plena zona rural.

A seguir podem visualizar a galeria de fotos da 2ª noite: Clicar Aqui

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Dia 3 – 20 de junho

Tal como no dia anterior os
concertos da tarde voltaram a ter um atraso significativo e na Casa do Músico só tivemos em palco os
fafenses Jepards depois das 18
horas. Atraso sempre desconfortável porém nada que tenha incomodado demasiado o
pessoal que relaxava na esgotada esplanada daquele espaço comercial. Bonito ver
pessoal de Fafe presente a dar uma forcinha a estes jovens músicos. Quarteto
com um indie rock agradável a condizer com o final da tarde.

Seguiu-se o rock alternativo
dos Fuzzil, já com menos gente no
espaço. Ainda assim valeu pelo bom gosto de introdução ao som da banda de
Alcobaça que teve a bela oportunidade de abrir o concerto dos Radio Moscow no passado mês de março em
Lisboa.

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Ao contrário de sexta-feira, o
HeadLiner DJ Set aconteceu para os
resistentes na Casa do Músico e
proporcionou uma banda sonora bastante cativante para aqueles que escolheram o
local para fazerem o seu jantar.

De atraso em atraso o Palco Eira só teve o seu concerto de
abertura desta última noite cerca de 40 minutos depois da hora prevista.
Somados os atrasos da tarde com problemas técnicos na preparação da noite no
recinto principal eis que os Travo
iniciaram os seus acordes pelas 21:10 horas. A formação bracarense mostrou o
álbum de estreia, ‘Ano Luz’, cuja
edição aconteceu no passado mês de maio.
Gonçalo Carneiro teve nesta
performance a sua primeira aparição da noite, mais tarde subiria com os Quadra. O seu rock instrumental merece
uma audição atenta e têm em “Avalanche”
uma espécie de tema âncora.

O público foi chegando aos
poucos e no final, já em número bem interessante, rumamos ao Palco Rodellus para um dos melhores
momentos da noite. A abertura do palco principal nesta última noite, ficou a cargo dos Gator, The Alligator. Para a banda
acabou por ser um concerto muito especial, algo que fizeram questão de o
expressar. Muitos conterrâneos barcelenses estiveram por entre o público. A
malha “Yayaya” é já o tradicional
ponto alto dos seus concertos. Terminaram com um encore não
previsto pedindo desde logo desculpas ao Jorge Dias, um dos organizadores do
festival.

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Para nós, dos momentos menos
interessantes do festival foi a performance dos GoBabyGo. Certo é que algum público fez a festa porém achamos algo
inconsequente a performance do vocalista e não ficamos, de todo, impressionados
com o som desta banda.

A banda belga Brutus assinou, na nossa humilde
opinião, o melhor momento da noite. O trio esteve alinhado em palco e ficamos
muito impressionados com o poderio da baterista/vocalista Stefanie Mannaerts. Notamos alguns fãs por entre as primeiras filas
e tiveram direito à maior ovação da noite. A bateria assumiu a maior parte das
despesas com uma pujança incrível cuja formação conta igualmente com guitarra e
baixo. ‘Nest’ o novo álbum da banda
foi assim apresentado em Ruílhe. Para nós o seu post-hardcore foi uma lufada de
ar fresco.

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Caminhávamos já para a 1h da
manhã e foi no Palco Eira o primeiro
momento para uns pezinhos de dança. Os responsáveis foram os Quadra, banda bracarense em voga. O
prato principal foi ‘Chili’, o mais
recente registo discográfico. Mesmo sem Ronaldo Ferreira, à última hora não pode estar
presente, é certo que a sua virtualidade coube muito bem na hora da
interpretação de “Tudo ou Nada”. Já
nos habituamos a bailar nos concertos de Quadra
e cada vez mais gente lhes presta a devida atenção.

Finalmente os Paraguaii tocaram no Rodellus. Assumiram que a organização
já os queria no festival há algum tempo. O som desta formação vimaranense está
em total mutação tendo agora uma forte componente eletrónica e vozes cheias de
reverb. A mudança de direção aconteceu com ‘Kopernikus’
o último e recente álbum. Adensam
ainda mais o cenário ao vivo com o palco preenchido de fumo. Agora em versão
duo com Giliano Boucinha na guitarra,
voz e synths e Zé Pedro Correia nos
synths e baixo. Ao vivo contam com um terceiro elemento na bateria.

A seguir podem visualizar a galeria de fotos da 3ª noite: Clicar Aqui

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Considerações gerais acerca do
Rodellus 2019

Pontos
positivos

  • Mais uma vez gostamos muito
    do enorme cuidado na decoração a preceito rural do recinto principal. Nota-se
    perfeitamente todo o trabalho e amor na preparação. Sem dúvida a mais-valia
    deste evento.
  • Apesar de alguns pequenos
    problemas os concertos decorreram de forma fluída e praticamente todos muito
    bem conseguidos. Horários cumpridos com atrasos ligeiros excepto nas matinés e
    no último dia. Ainda assim nessa última noite não foi nada prejudicial.
  • Afluência de público em bom
    número. Após 5 edições neste capítulo o festival tem crescido e há ainda muito público
    a conquistar.
  • Aposta totalmente acertada
    nos talentos nacionais. Prova disso foi a bonita primeira noite, de entrada
    gratuita, de recepção ao campista.
  • Cartaz bastante bem
    conseguido. Escolhas pertinentes num bom mix entre o nacional e bandas
    estrangeiras.

Pontos
menos positivos

  • A distância entre o campismo
    e o recinto principal é um problema. Os horários dos shuttles não foram totalmente cumpridos e o facto do regresso ser sempre a subir não motiva os campistas,
    algo evidenciado por alguns visitantes em estreia.
  • A comunicação por parte do
    festival dos locais dos concertos deve ser feita de forma mais clara nos vários
    meios online (e não só).
  • Pareceu-nos que não foi
    devidamente realçada a situação da primeira noite ser gratuita. Deveria (e
    deverá) ser considerada como uma âncora de público.

A seguir podem visualizar a galeria de fotos do Ambiente ao longo das noites: Clicar Aqui

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Texto: Edgar Silva

Fotografia: João Machado

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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