Vilar de Mouros: Renascimentos dos anos d’ouro  – Part.2

Tom Morello dos Prophets of Rage em palco | mais fotos clicar aqui

Dia 3 – fotos: clicar aqui

De volta ao primeiro dia? Parecia. A enchente do segundo dia desapareceu e voltamos a um recinto com lotação semelhante ao primeiro dia. Talvez menor durante a hora de jantar devido ao clássico Benfica vs Porto. Sim, já conhecemos os portugueses e as suas prioridades. Era expectável. Mas após o fim do encontro notou-se uma maior enchente do recinto. Algumas caras mais felizes e algumas mais cabisbaixas. O que vale é que tivemos uma valente festa para alegrar estas últimas.

O palco EDP abriu com o regresso a este festival de uma das bandas portuguesas mais acarinhadas e por um nome que dispensa apresentação – Linda Martini. Frisaram que da última vez que por lá passaram não estava tanta gente e que era um enorme prazer regressar. Uma setlist que não surpreendeu muito e onde os portugueses mostraram o quão bem sabem fazer o seu rock. Após o tema “Gravidade”, do seu último álbum, a banda portuguesa mostrou-nos uma cover de ‘Frágil’ de Jorge Palma com uma adaptação ao seu estilo único.

Como (quase) sempre, terminaram com “Cem Metros Sereia”. Já se conhece o impacto que os primeiros riffs de guitarra têm no público. Surgiu a primeira poeira da noite. O tema terminou com o famoso entoar pela audiência da frase marcante deste tema, que não vou citar para não ferir susceptibilidades.

Já vi e fotografei esta banda mais vezes do que é aceitável. Mas não me arrependo. Sabem bem como dar um espetáculo. Já os vi no entanto dar melhores espetáculos do que este, mas é normal. Considero que o seu forte são recintos mais intimistas.

Cláudia Guerreiro dos Linda Martini em palco | mais fotos clicar aqui

Seguiu-se Fischer-Z no palco MEO. Injustamente para a banda de rock/new wave britânica, o público estava com a cabeça no que viria a seguir e/ou a guardar lugar nas filas da frente do palco EDP. Não há que enganar com o seu rock dos anos 80. Um toque de ritmos quentes a puxar o mínimo pézinho de dança. “Are you into love is this part of the world? You got to be. The sea is so cold. Make love. But not on the sea.” – afirmou o porta-voz da banda, John Watts, provocando algumas gargalhadas.

“FAÇAM PORTUGAL ENRAIVECER NOVAMENTE!”. Pelo menos Vilar de Mouros enraiveceu – e de que forma. Prophets of Rage, banda de rap rock formada por elementos de Rage Against The Machine, Public Enemy e Cypress Hill chegou preparada para causar a revolução. Foi dos concertos mais stressantes que fotografei na minha vida. Desde conter-me por estar a fotografar Tom Morello e companhia, passando por me desviar dos corajosos crowdsurfers e dos seguranças que levavam tudo à frente para os apanhar, chegando ao intimidador segurança da banda que andava pelo pit a impor respeito e a controlar tanto os fotógrafos, como os próprios seguranças do festival. Uma adrenalina boa. Eu gosto.

Mas voltando ao que importa. O concerto começou com sirenes, luzes vermelhas e um banner de punho cerrado. Os elementos da banda assumiram a sua posição no palco, também eles de punho cerrado – a sua imagem de marca. Sentia-se a tensão no ar. Sentia-se o caos que estava para se instalar assim que os primeiros instrumentos entoassem. E vocês sabem as origens desta banda – sabem que não seria para menos.

Assim que se ouviu o primeiro riff do seu tema homónimo o caos instalou-se. Não havia como fugir. Já fazias parte da revolução. Mas foi com temas como “Guerrilla Radio”, “Know Your Enemy”e “Sleep Now In The Fire” que Vilar de Mouros ousou concorrer com o que se passava no lado oposto do oceânico Atlântico, na Amazónia/Brasil. Só que esta poeira é boa. Por favor façamos mais poeira desta e menos do que temos visto acontecer
do outro lado do oceano.

Não consegui resistir e fui aproveitar o concerto para o meio deste caos. Valeu por toda a experiência e pelas chapas que saquei aos “enraivecidos” que lá se encontravam. Já a minha máquina não achou grande piada – acabou o concerto completamente soterrada de terra e poeira. Paciência, que se habitue. Pelo meio, tivemos uma homenagem a Chris Cornell, com a banda a tocar “Cochise” dos Audioslave sem voz pedindo ao público que cantasse. Timidez ou desconhecimento do tema/letra, é certo que o público ficou aquém do que a banda esperaria. Mas valeu bem a sentida homenagem.

A banda terminou com os três temas mais esperados: “Bulls On Parade”, “Killing
In The Name”
e “
Bombtrack”. E foi no decorrer do segundo dos três temas que surgiu a frase na tela de fundo do palco com a frase inicial do parágrafo.

Um momento histórico para este festival que terminou com uma foto de grupo com
a plateia erguendo o punho cerrado.

Resta esperar que a mensagem tenha passado com sucesso e que, pelo menos a
plateia de Vilar de Mouros, faça Portugal enraivecer novamente. Bem precisa.

Ambiente durante os Prophets of Rage em palco | mais fotos clicar aqui

Outro tipo de festa – Gogol Bordello. A banda com origens americanas, mas com uma grande diversidade de nacionalidades na sua composição, apresentou-se após Prophets of Rage e com a responsabilidade de encerrar esta edição do festival.

Quem já conhecia, sabia o que aí vinha. Quem não conhecia, estava prestes a aprender o que é uma festa. Uma presença em palco irrepreensível de Eugene Hütz, Pedro Erazo e Ashley Tobias arrastava consigo toda a plateia e ninguém conseguia ficar indiferente. Era impossível não saltar ou dar uns milhões de passos de dança com este folk/punk cigano (Epa, é díficil definir este estilo). A banda não parou um segundo, incentivando o público a divertir-se com eles. É impressionante como parece que eles se divertem mais que o próprio público quando eles é que estão a trabalhar.  Mas foi nos temas “Start Wearing Purple” e “Wonderlust King” que se sentiu o pico da festa. A poeira era inevitável, mas estava tudo bem com isso.

Valeu tudo. Até um crowdsurfing com um colchão insuflável.
Irrepreensível e um encerramento perfeito desta edição do festival.

Fotos do terceiro Álbum: clicar aqui

Gogol Bordello em palco | mais fotos clicar aqui

Conclusão:

Vilar de Mouros mostrou que também é (ou consegue ser) um grande festival. Mas há pormenores que devem ser repensados e melhorados para conseguir manter e cumprir esta dimensão e estatuto – serviços/restauração.

Ficará certamente para a história do festival, pela seguinte ordem, as atuações de Prophets of Rage, Skunk Anansie, Gogol Bordello e The Offspring e uma lotação diária esgotada.

Como pontos bons gostava de realçar: (1) o cartaz; (2) o recinto – mesmo num dia de lotação esgotada o recinto mostrava-se espaçoso; (3) o ambiente – não é um festival de modas, é um festival para quem gosta de música.

Mas, como sempre, existiram pontos maus que a meu ver podem ser melhorados: (1) serviços (restauração, WC, gestão do estacionamento) insuficientes para um dia de lotação esgotada; (2) praga de mosquitos – o primeiro dia tornou-se um pouco insuportável e houve quem sofresse muito com isto. Existem soluções para minimizar esta situação; (3) hora tardia da atuação dos cabeças de cartaz.

A organização do festival já anunciou as datas para a edição do próximo ano (27, 28 e 29 de Agosto) e que voltará a realizar-se com o patrocínio da EDP.
Diogo Marques, da organização do festival, revelou que foram superadas
as expectativas do festival, recebendo um total de 46 mil pessoas, superando as
32 mil do ano transacto.

Saí de Vilar de Mouros a ansiar pelo próximo ano. Os pontos negativos que mencionei não são sequer capazes de superar os pontos positivos ou de denegrir a excelente imagem que tenho deste festival. Resta-me esperar pelo próximo ano e, se o cartaz assim o justificar, conto visitar Vilar de Mouros novamente e, quem sabe, trazer uma nova reportagem.

Entretanto, podem matar saudades através das nossas foto-galerias.

Até para o ano!

Fotos do 3º dia: clicar aqui

Fotos do Ambiente: clicar aqui

Texto e Fotografia:
João Machado

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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