Clã uniram gerações num ambiente familiar de festa

Clã em palco | mais fotos clicar aqui

Pela segunda vez desloquei-me à Quinta da Ponte, em São Salvador de Briteiros, para assistir ao Rock no Rio Febras. Fiz a minha estreia no evento vimaranense no ano passado. Neste presente ano realizou-se a 5ª edição nos dias 24 e 25 de julho, passada sexta-feira e sábado.

Mais uma vez aliou a música à solidariedade com a receita financeira a ser canalizada para as valências sociais da Casa de Povo de Briteiros. As verbas de anos anteriores já permitiram mobilar um centro de dia e comprar o terreno para o referido lar. Esta IPSS que dá apoio a centenas de famílias de Briteiros e área circundante.

Perspetiva do recinto durante a atuação dos This Penguin Can Fly | Foto © stillraw

Este festival começou por chamar-se Rock in Rio Febras em 2022, no entanto, durante o seu percurso teve de mudar de designação por causa de uma famigerada e bem pública contenda com o Rock In Rio derivado à designação. A comunicação social apimentou a discórdia entre ambos os eventos, tendo o festival minhoto empreendido por uma comunicação irónica e divertida via redes sociais enquanto o diferendo não teve o seu epílogo. O público geral achou piada e mediu-lhe a pinta como um diferendo do género “David contra Golias”.

Tal disputa fez com que o festival ganhasse notoriedade nacional, até mesmo internacional, “obrigando” a uma edição bastante mais alargada em termos de público em 2024, então foi somente um dia. O patamar foi novamente elevado em 2026 tal com ocorreu no ano passado. Tem sido um crescimento tão ponderado quão meteórico. Só para colocar melhor em contexto: na primeira edição, em 2022, teve somente cerca de 200 pessoas a assistir, portanto tem sido uma progressão sensacional.

Outra perspetiva do recinto durante a atuação dos This Penguin Can Fly | Foto © stillraw

O recinto e a lotação máxima este ano cifrou num máximo de 20 mil pessoas diárias, mais uns milhares do que em 2025. Isto é uma cifra revelada pela organização. Como as entradas não foram controladas o número exato é impossível de saber. Repetiu-se o figurino de festival com 2 dias com a diferença de uma jornada de warm-up ocorrida na noite de quinta-feira, 23 de junho. Nessa abertura houve uma atuação de Pedro Caldas Costa com o seu projeto a solo West Coast Man e do DJ set proporcionado pelas Crocky Girls.

O hype em volta do evento não arrefeceu e foi com naturalidade que atingiu lotação esgotada, mais uma vez. Para todas as rockeiras e rockeiros o cartaz revelou-se irresistível, diga-se em abono da verdade, sobretudo pela presença de nomes como os Clã ou os Wolfmother.

This Penguin Can Fly em palco | Foto © stillraw

Nesta última sexta-feira, dia 24 de julho, consegui acomodar o horário de trabalho com presença no festival após um dia de luta em que tive o meu automóvel na oficina. Felizmente tudo correu dentro de uma normalidade desejada.

A primeira jornada de 2026 não contou com um dia de muito calor ao contrário do ocorrido em 2025. A presença no bosque rodeado de árvores enormes num sítio tão prazeroso e confortável revelou-se bastante agradável. Deu até para sentir o pulsar do recinto no seu interior antes da abertura oficial das portas, houve um atraso de cerca de 20 minutos, o horário previsto eram as 18h. Por todo o recinto, incluindo na estrutura do palco estavam-se igualmente a ultimar pormenores de identidade visual, especialmente na colocação de lonas.

This Penguin Can Fly em palco | Foto © stillraw

A primeira banda a tocar é sempre a última a fazer o soundcheck e pelas 17:30h ainda estavam a afinar os pormenores de som com afinco os This Penguin Can Fly. Um prolongado processo com mais de hora e meia que necessitou da máxima paciência do quarteto com origem na vizinha Caldas das Taipas.

Essa situação obrigou a mudanças no escalonamento horário. A DJ Ana Rockon começou o seu set, por volta da abertura de portas, ainda com a banda em palco nos últimos ajustes. Ela esteve sensivelmente uma hora com as suas escolhas rockeiras entre temas como “Somebody Told Me” dos The Killers, “Everyday I Love You Less and Less” dos Kaiser Chiefs ou “Yayaya” dos portugueses Gator, The Alligator.

Márcio Ferreira na voz e no baixo | Foto © stillraw

Aprazada para as 19 horas, a atuação dos This Penguin Can Fly só teve início às 19 horas e 32 minutos. A esta hora a adesão de público ainda era algo tímida, este projeto oriundo das Caldas das Taipas, uma freguesia contígua a Briteiros, contou na assistência com alguns familiares e amigos. Malta divertida que “sacou” um sorriso ao baterista José Gomes ao mandarem a boca “mostra as mamas Zé”. Uma atuação que proporcionou um momento mais particular e diferenciado de outras performances desta formação taipense.

O último álbum ‘For All Our Hopes For All Our Dreams’, cuja edição aconteceu em 2022, foi logo recordado na abertura com o tema “Cobra”. Este bonito disco merece ser escutado, sem dúvida uma audição recomendável. O fecho do concerto foi com “Blind Lights” igualmente desse disco. Pelo meio deste disco ficaram “Crescendo”,“Apnea”e “My Brain Has Too Many Tabs Open”.

José Manuel Gomes na bateria | Foto © stillraw

O pinguim em forma de peluche, a imagem de marca dos This Penguin Can Fly, ocupou o seu habitual lugar em frente à bateria. Já a banda composta por Márcio Ferreira no baixo, Miguel Azevedo na guitarra, José Gomes na bateria e Miguel Teixeira nos teclados revelou-se descontraída com todos os membros concentrados e totalmente a desfrutarem do momento.

Os This Penguin Can Fly vão editar álbum novo em outubro deste ano e deste próximo trabalho discográfico tocaram o single “The Lightning Bolts Are Here!” (teve lançamento exclusivo pelo headLiner), “Bravado” (que será o próximo single) e ainda “Moving In A Standstill”.

Miguel Azevedo na guitarra | Foto © stillraw

A atuação teve a duração de cerca de 50 minutos e foi o pontapé de saída dos concertos com uma nota elevadíssima. A excelente qualidade sonora dos This Penguin Can Fly ficou devidamente assinalada. Nota final para os dois ecrãs verticais um de cada lado do ecrã gigante a passarem imagens dos músicos em palco. Proporcionaram um belo efeito visual.

Depois de trocar a minha tshirt dos This Penguin Can Fly pela dos Them Flying Monkeys foi a altura certa para descontrair um bocadinho antes do segundo concerto da noite. Os concertos foram sempre alternados com DJ sets com música rock. A lotação do recinto começava a aumentar e já se notava melhor aquela normal azáfama festivaleira.

Final do concerto dos This Penguin Can Fly | Foto © stillraw

Luís Judícibus (guitarrista e vocalista), Hugo Luzio (baterista), Diogo Sá (guitarrista), Francisco Dias Pereira (teclista) e João Tomázio (baixista) são os cinco amigos de Sintra que formam os Them Flying Monkeys. Eles entraram em palco 5 minutos após as 21 horas e trouxeram, mais uma vez, o seu rock alternativo com veias de post-punk até à região de Guimarães.

Luís tentou puxar logo na fase inicial do público do “Super Rock, Super Febras” afirmando estar no “Vodafone Paredes de Febras”. Foi a sua maneira de procurar aquecer os ânimos. As afirmações foram bem recebidas contudo a atitude do público ficou aquém.

Luís Judícibus na voz e na guitarra | mais fotos clicar aqui

A ocasião áurea da atuação destes lusitanos foi quando Judícibus abriu alas e provocou sorrisos largos na plateia. Deambulou pela “passerelle” a cantar para a frente e para trás puxando pelas pessoas. A determinado momento parou e aninhou-se. Ao contrário de outras atuações deles, pouco público seguiu-o para baixo e para cima. Com um público tão diversificado, provavelmente a maioria nem sequer os conhecia, a coreografia resultou de forma limitada. Acontece quando se tem parte de uma audiência rockeira mais de estar pelo sofá…

O desconcertante tema “Les Gens Sont Fous, Les Temps Sont Flous” foi interpretado na fase em que o vocalista estava na sua fase mais expressiva: no meio do público.

Luís Judícibus é sempre extremamente expressivo | mais fotos clicar aqui

“Pretty Sticks” e “Everybody Everything” são temas essenciais tendo surgido perto na fase final da performance. Na fase inicial surgiram os temas bastante significativos com “Next Emma Stone” e “Great Song”.

A atuação do quinteto Them Flying Monkeys foi sólida durante os 45 minutos em que mostraram o seu repertório de forma bem competente e extremamente vigorosa.

Them Flying Monkeys em palco | mais fotos clicar aqui

O grande momento da primeira jornada de Rock no Rio Febras foi proporcionado pelos portugueses Clã. O projeto existe desde 1992 e em 2026 mantêm a sua vitalidade e importância no panorama musical plenamente intocáveis.

Manuela Azevedo, a indómita vocalista, com o passar dos anos, preserva a performance vocal de excelência.

Hélder Gonçalves nas guitarras, Miguel Ferreira nos teclados/voz e Pedro Biscaia nos teclados são os outros três elementos, além de Manuela, da formação base dos Clã. Atualmente a banda conta com a colaboração de Pedro Santos no baixo e Pedro Oliveira na bateria. Estes dois últimos Pedros também os podemos ver na banda ao vivo de Valter Lobo.

Clã em palco | mais fotos clicar aqui

Os seis músicos ficaram alinhados na horizontal na parte frontal do palco e perante si tiveram um recinto muito bem preenchido. Provavelmente no seu ponto máximo de público de todo este primeiro dia.

“Sinais” e “H2omem” foram das primeiras a ser tocadas e ao contrário do que é costume também surgiu “Pensamentos Mágicos”, esta faixa costuma ser tocada normalmente no final ou no encore. No final da interpretação de “A Paz Não Te Cai Bem” já o ambiente estava devidamente estabelecido com o público animado a cantarolar as canções e a mostrar aquela devida reverência pela banda oriunda entre Vila Do Conde e o Porto.

A incrível Manuela Azevedo | mais fotos clicar aqui

Manuela revelou que a banda estava muito feliz pela presença nesta “festa da comunidade e da solidariedade”. Contou também uma história que ocorreu durante o dia com uma das voluntárias do Rock no Rio Febras em que esta partilhou uma história com o filho dela depois de escutarem o tema  “Canção de Água Doce”. O filho disse à sua progenitora que os Clã não iam tocar o tema por ser uma “música fofinha”. Para alegria de todos, a canção surgiu no alinhamento e encaixou perfeitamente.

Durante a noite foram evocados vários autores portugueses. A primeira evocação foi para os extintos Dead Combo com a interpretação de “Deus Me Dê Grana”. Mais adiante no concerto foram também citados Samuel Úria, Sérgio Godinho e Manel Cruz por causa dos temas, respetivamente, “Canção de Água Doce”, “Sopro Do Coração” e “O Navio Dela”.

O imprescindível Hélder Gonçalves | mais fotos clicar aqui

“Sopro Do Coração” foi interpretada em duo somente com Manuela e Hélder em palco. O público auxiliou com coros perfeitos. Outros temas emblemáticos da banda fizeram também a delícia dos milhares de pessoas presentes e que continuam a cruzar gerações, como “Conta-me Histórias”, “G.T.I.” ou “Dançar Na Corda Bamba”. Efetivamente foi uma setlist de luxo.

Para o encore, eles foram os únicos a fazerem bis nesta noite, ficaram guardadas “Problema de expressão” e “Fahrenheit”. No final, o público demonstrou o seu apreço de forma expressiva pelo excelente momento proporcionado pelos seis elementos dos Clã.

Sempre expressivo Miguel Ferreira | mais fotos clicar aqui

Já não via um concerto dos The Last Internationale desde 2024. Essa última oportunidade teve lugar no Festival Ponte D’Lima, evento entretanto extinto de vez, aparentemente. Delila Paz e Edgey Pires são o duo que compõe este projeto oriundo dos Estados Unidos da América.

Aquele sobrenome Pires denuncia, ele é descendente de portugueses oriundos de Arcos de Valdevez. O músico sempre teve um contacto próximo com Portugal desde a infância, altura em que passava férias no nosso país. Essa ligação tão profunda estendeu-se também à banda pois fizeram sempre questão de passar temporadas e fazer concertos em Portugal.

Eles foram auxiliados por Alice Atkins no baixo/teclados e por um baterista.

A baixista Alice Atkins | mais fotos clicar aqui

Era quase uma da manhã e uns chuviscos ameaçaram chuva porém foi “pólvora seca”. Até ao final da atuação esteve climatologicamente agradável e até deu para continuar em t-shirt até depois das duas da manhã.

Edgey esteve igual a si mesmo, com o seu habitual ritmo frenético no controlo perfeito das suas guitarras, permanentemente com pose estilosa, perfeitamente adequada aos seus cabelos longos.

O guitarrista Edgey Pires | mais fotos clicar aqui

Delila sempre enérgica e comunicativa. Intensamente efervescente. À primeira oportunidade desceu para à grade para encantar os fãs da primeira fila. Cantou também no meio do público e essa interação nos concertos dos The Last Internationale torna-se arrebatadora. A presença de Delila Paz é impactante, ela que possui um controlo vocal entusiasmante e fenomenal.

A vocalista Delila Paz | mais fotos clicar aqui

Eles sempre fazem questão de passarem mensagens políticas por isso não foi de admirar uma referência à Palestina numa das guitarras de Pires. Até deu para Delila arranhar o português exprimindo “o mundo todo fodido”. Surgiu por altura do tema “Workers of the World Unite!” cuja letra versa sobre a união dos trabalhadores e de não pararem de lutar.

Durante os cerca de 80 minutos que a banda esteve em atuação não faltaram temas importantes da banda como “Hero”, “People, Let’s Stop The War” ou “Hard Times”.

Edgey e Atkins em acção | mais fotos clicar aqui

O público esteve na frontline esteve agitado e foi bastante participativo, até com coros como em “Wanted Man”. O ponto de rebuçado para alguns fãs foi quando subiram a palco para a participação durante o tema “1968”. Muitos fãs presentes, a banda já tem um bom lote de seguidores, alguns dos quais estavam visivelmente apetrechados.

Esta performance dos The Last Internationale foi bastante apreciada por alguns milhares e que fez “toda a cara” do festival. Inclusive houve alguma poeira levantada com tanto entusiasmo com rodas vivas. Um fecho de noite no que diz respeito aos concertos com nota muito positiva.

A enérgica Delila Paz | mais fotos clicar aqui

O Rock no Rio Febras é uma organização da Casa do Povo de Briteiros e contou com o apoio do Município de Guimarães bem como de imensos parceiros nomeadamente de estabelecimentos comerciais da área envolvente a Briteiros. Este ano o Rock no Rio Febras foi integrado programação da Guimarães 26 – Capital Verde Europeia.

Reportagem fotográfica Completa:  clicar aqui

Público animado durante os Clã | mais fotos clicar aqui

Texto:
–  Edgar Silva

Fotografia:
– Maria Vilaça @ mgvertex_ (Instagram)

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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