Uma noite com: Pinehouse Concerts

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Foto pela Pinehouse Concerts

Prólogo – “Intro” – David Bruno*

Era início de
dezembro quando, misteriosamente, surgiu um vídeo de uma performance do artista
brasileiro Tim Bernardes num canal de YouTube até então desconhecido,
intitulado de Pinehouse Concerts. Trata-se do arranque de um projeto idealizado
por um grupo de amigos que creem faltar algo do género no universo lusitano. As
semanas foram-se passando, e mais performances surgindo… e a curiosidade
também.

A base de
operações situa-se no Porto, mas este projeto que promove a cultura musical da
zona, abre-se além fronteiras, como podemos constatar pelo reportório de
artistas trazidos.

*imaginar faixa a rodar

Capítulo I – O Lugar

Desde o misterioso aparecimento sem
qualquer aviso prévio daquele concerto do Tim Bernardes, que
toda a minha atenção se virou para este projeto. Um dos
artistas brasileiros mais falados da atualidade,
encontrava-se acompanhado por cordas (algo nunca antes visto) num lugar
que, julgava eu, se tratar de uma cabana perdida algures numa floresta
longínqua. Culpa do nome adotado (Pinehouse Concerts)?
Talvez, mas principalmente pelo seguinte:

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Foto pela Pinehouse Concerts

Um estúdio de música que aparenta ter sido
retirado do mundo musical de Bon Iver ou
dos The Tallest Man on Earth, localizado bem no coração de
uma floresta com pinheiros infinitos de perder de vista. Um estúdio onde
se sente o cheiro da chuva escorrer pinheiros abaixo. Um estúdio que se faz camuflar
entre a neblina cerrada da manhã. Se podia ser isto tudo? Sim podia, mas não é. É um
estúdio de música localizado algures no esquecido e icónico centro comercial
STOP, onde, entre o aqui e o ali, se vão ouvindo os acordes de uma comunidade
criativa.

Entrei.

Lá dentro, sinto-me aconchegado e protegido da chuva que se fazia sentir lá fora. Quase senti o aroma de uma lareira acesa e o estalar da lenha. Há paredes revestidas por madeiras que me envolvem em intimidade.
Há tapetes persa com os mais variados padrões, que fazem flutuar os meus pés.
Há luzes a meio gás, revelando aos poucos os mais pequenos pormenores da sala.
Há mais de 10 quadros e móveis que vão preenchendo os meus olhos. A História parece ter
passado por eles, mas agora são eles que passarão pela História das Pinehouse Concerts.

“Pausa #1″ – David Bruno*

*imaginar faixa a rodar

Capítulo II – A Banda

A entrada neste mundo utópico anda à volta de apenas
uma coisa: Música.

Todo
aquele cenário já me tinha conquistado ao primeiro olhar. As pessoas que tornam
possível esta experiência, na qual decidi emergir, abraçaram-me logo com um
sorriso como se já fizesse parte da “família” ~ como lhe chamam. Trocam-se sorrisos (iluminados pela tal luz
a meio gás) bebem-se umas cervejas frescas por entre palavras, mas…. quem
iria dar as honras daquela noite? Deixei-me levar pelo mistério e pela surpresa
de qual seria a banda sonora sob aquele cenário idílico. A reposta chegou-me
no meio de um sorriso: David Bruno.

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Foto pela Pinehouse Concerts

Ouve-se alguém a tocar à porta. Toda a gente na sala
começa a trocar olhares cúmplices e, eis que surge a tal figura incontornável
de Gaia. 

David
Bruno
 fazia-se acompanhar dos seus companheiros de
sempre: o guitarrista e solista romântico, Marco Duarte, e o Don Juan português, António Bandeiras. 

As Pinehouse Concerts vão colocando alguns desafios a
todos os artistas que por lá passam: usar apenas 8 vias de áudio; usar o backline já existente como um dos pianos verticais
ou usar os amplificadores que por lá já moram. Este desafio não é só dado aos
artistas, mas também a todos os arquitetos deste projeto único, que perante as
necessidades de cada banda dão uma vida diferente ao tal Lugar. 

Situava-me
sereno, mas entusiasmado, sentado numa cadeira bem alta ao lado do bar de onde
conseguia ver, perante os meus olhos, o cenário a movimentar-se. O Galanti
Apollo 61
, um dos pianos verticais, veio ter aos meus pés sendo que os 6
instrumentos de cordas seguiram o mesmo caminho. Do andar de cima, movem-se
esforços não só de força, mas de engenharia, para trazer uma poltrona vermelha
que iria dar conforto ao príncipe de Gaia, David Bruno. Estava
tudo apostos e nos seus lugares para começar.

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Foto pela Pinehouse Concerts

Um silêncio ensurdecedor invadiu os meus ouvidos.
Senti a pressão. Nada poderia falhar. Apenas um plano de sequência, sem cortes,
sem merdas. [                 
                     
                 ] pareceu imenso
tempo esta ausência de barulho. 

Sentado sob o amplificador, eis que a guitarra de
Marco, soa:

“Lamborghini
na Roulotte” – David Bruno*
 

Ao centro,
resplandecendo na sua poltrona, David Bruno, de perna cruzada, ia comandando
os beats eróticos. Ao seu lado direito, sentado num
banco de pé alto, António Bandeiras fumava o seu cigarro pensativo.

À frente
da câmara, estava a acontecer uma ode à vida boémia de Gaia e arredores. Um
musical com Direção e Realização: Pinehouse
Concerts
 
e com Interpretação: David
Bruno. 

Atrás da câmara, há um outro mundo
cinematográfico. Há cinema mudo onde os atores principais são calados pela
história de amor a que assistem. Ninguém fala, ninguém aplaude, mas toda a
gente sente. 

“Mesa
para dois no Carpa” – David Bruno*

“Interveniente
Acidental” – David Bruno*

“Com
Contribuinte” – David Bruno*

[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=mrsJr4nKgNs&w=540&h=304]

*imaginar faixa a rodar 

Capítulo III – “Fim” – David Bruno*

O
tempo passou rápido. 

Todos aqueles BPMs acumulados dentro do nosso corpo ao longo da
atuação, foram traduzidos nas letras silenciosas que era capaz de ler nos
lábios de quem assistia.

O silêncio voltou a invadir aquele Lugar. David Bruno e os seus poéticos solos de
guitarra, tinham chegado ao fim. A câmara continuava a gravar, o trio
continuava a falar, e nós, deste lado, continuávamos com as palavras cerradas
na nossa boca. Assim se alongaram por uns breves minutos. Minutos que se
deixaram queimar pelos cigarros que a banda tinha acabado de acender…….. e,
Corta!

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Foto pela Pinehouse Concerts

Uma
corrente de oxigénio voltou à sala, e o burburinho voltou a sentir-se. Por
entre abraços e agradecimentos, estava eu no canto da sala a tirar umas notas finais
para vos escrever.

Já com um DJ Set privado de António Bandeiras a rodar no youtube, os convidados da noite reúnem-se no centro do
plano, para a já imortalizada “foto de família” nas muitas Polaroids que vão
coleccionando.  

De mochilas às costas e de guitarra na
mala, a banda despede-se com uma rúbrica naquele único pedaço de história que
ficará da noite. Foi uma noite passada num Lugar, que mais parecia ter sido
retirada da melhor frame de que o
meu ser tinha em memória.

“Pausa #2″ – David Bruno*

*imaginar faixa a rodar

– FIM –

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Site: pinehouseconcerts.com

Facebook: facebook.com/pinehouseconcerts/

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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