
David Santos em palco [Mais fotos aqui]
A autarquia de Vila Nova de Famalicão, para os meses de julho e agosto, tem uma proposta cultural pensada para o verão. Integra concertos e sessões de cinema, entre outras variadas atividades, tendo sido apelidada de “Anima-te”.
No capítulo da música ao vivo a edição deste ano do Devesa Sunset foi incorporada nessa programação mais extensa. Tal como em anos anteriores o evento continua a realizar-se às sextas-feiras pelas 19h. A diferença para outras edições é que este ano conta com 8 datas, o dobro do que é habitual. O programa conta com nomes como Márcia (17 julho), Tiago Nacarato (24 julho), Benjamim (31 julho), André Júlio Turquesa (21 agosto) ou Samuel Úria (28 agosto).
Devido às condicionantes impostas pela Direção-Geral da Saúde a câmara local preparou
um recinto de acesso condicionado numa das partes do extenso Parque da Devesa, mais precisamente do lado da central da camionagem. A entrada é gratuita contudo existe a
necessidade do levantamento de bilhete.
No amplo espaço ao ar livre foi preparada uma área com lotação para 882 pessoas cumprindo as tais normas sanitárias pese embora não exista a obrigação da utilização de máscara.
Na passada sexta-feira, dia 10 de julho, David Santos com o seu projeto Noiserv,
deu início à edição 2020 deste Devesa Sunset.

Recinto no Parque da Devesa [Mais fotos aqui]
As primeiras pessoas a entrarem no recinto foram ocupando os retângulos previamente preparados, marcados para uma máxima lotação de 6 pessoas. Como óbvio aqueles que estavam à sombra foram os primeiros a ficarem preenchidos. Esses retângulos estavam separados por cerca de 2 metros de forma a permitir o distanciamento.
David Santos entrou em palco pouco depois das 19:15h num final de tarde esplêndido e perante uma temperatura altíssima. Nessa altura o recinto já encontrava-se bastante bem composto.
“Uma pessoa já não está habituada a esta coisa” referia o artista acerca de tocar ao vivo com público “verdadeiro”, assim o apelidou depois de ter iniciado o concerto com “Vinte e Três”, tema do álbum ‘00:00:00:00’ lançado em 2016.
Seguiu-se “Palco do Tempo”, composição que fez parte da banda sonora do documentário ‘José e Pilar’.
A parte inusitada da tarde veio com a história de David Santos sobre o facto de apresentar-se em palco com calças e não com calções… Na visita à casa da amiga de um amigo, foi a vítima de um pássaro que atingiu as suas calças com os seus excrementos. O dito animal voava em liberdade dentro da habitação e, segundo as palavras dessa tal amiga, não há melhor sorte do que essa. Daí que tenha utilizado a peça de roupa como espécie
de amuleto da boa sorte.

Noiserv com a sua panóplia como habitualmente [Mais fotos aqui]
O artista lisboeta esteve sempre bastante comunicativo e bem-humorado. Tão comunicativo que às vezes se perdia no contextualizar que fazia de algumas das suas canções. Foram interlúdios extremamente preciosos e divertidos.
“Por arrasto” foi a primeira das novas canções que Noiserv tocou. “Parou” e “Neutro”
também foram tocadas, esta última sobre aquilo que os outros querem que nós sejamos, sobre sermos aquilo que pretendemos ser. Aliás foi nesta “Neutro” que se enganou e teve de reiniciar a interpretação.
Não faltaram os clássicos imperdíveis na setlist: “Mr. Carousel” , “I was trying to sleep when everyone woke” e “This is maybe the place where trains are going to sleep at night”.
“Tokyo Girl” e “Dezoito” também entraram na lista.
Para o encore Noiserv guardou “The sad story of a little town” e que resultou num belíssimo final de performance.
Pode-se dizer que esta performance foi um misto de best-of com músicas novas.

Noiserv a inaugurar a edição de 2020 do Devesa Sunset [Mais fotos aqui]
Como de habitual esteve a solo revelando a capacidade de “homem-orquestra”, demonstrando a mestria no manejar dos vários instrumentos que tem ao seu dispor
e da vital loop station, indispensável para criar as suas diversas camadas sonoras através dos seus loops.
Vi alguns fãs devidamente equipados com t-shirts do artista, um sinal do sucesso do trabalho de mais de uma década de David Santos. Tal como a temperatura sentida, também o entusiasmo da audiência esteve em alta.
Para algumas pessoas este foi mesmo o primeiro evento musical ao vivo desde o fim do confinamento.
Devo ressalvar o esforçado trabalho da organização para que as atuais regras vigentes fossem cumpridas com o máximo rigor. Também pude notar um excelente comportamento cívico das pessoas, não foram visíveis ajuntamentos e o distanciamento social foi respeitado. O ponto mais crítico é sempre a saída e aí as pessoas foram abandonando a conta-gotas.
O próximo concerto do Devesa Sunset realiza-se já na próxima sexta-feira com Márcia.
Vejam toda a foto-reportagem pelo João Machado: clicar aqui

Texto: Edgar Silva
Fotografia: João Machado
