Noiserv e a sua “onda da Nazaré” musical no Teatro Aveirense

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Concentração total de Noiserv | Foto: Joana Magalhães @ grafonola_ig

Aproveitei este último sábado, dia 29 de novembro, para uma rara viagem num intercidades, sou utilizador mais regular de comboios urbanos na região norte. Rumei até Aveiro para uma visita familiar e uma estreia no Teatro Aveirense. O mote foi assistir ao concerto de David Santos com o seu projeto musical Noiserv.

A visita a Aveiro aconteceu três dias depois da atuação no Centro Cultural de Belém em Lisboa e uns dias antes da atuação na Casa da Música no Porto, terá lugar precisamente a 6 de dezembro.

Já sigo a carreira de Noiserv há mais de 15 anos, a primeira vez que o vi ao vivo foi em 2010 em Santo Tirso num festival giríssimo que lá se fazia apelidado de St Culterra. Acontecia no Parque da Rabada, agora conhecido como Parque Urbano Sara Moreira. Infelizmente o festival cessou em 2023, salvo erro, porém teve umas quantas edições bem catitas em que recebeu nomes internacionais como Shout Out Louds ou The Chameleons e nacionais como Mão Morta ou o já referido Noiserv.

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David Santos em palco com o seu projeto Noiserv | Foto: Joana Magalhães @ grafonola_ig

Desde então, esse já longínquo ano de 2010, continuei a acompanhar as suas edições discográficas e vendo alguns dos seus concertos. Também já o vi no Vodafone Paredes de Coura, em Guimarães, nas Caldas das Taipas, em Famalicão, em Cabeceiras de Basto e agora somei Aveiro em 2025

David Santos durante o concerto deste sábado referiu que ‘7305’, título deste seu mais recente registo discográfico editado no passado dia  17 de outubro de 2025, refere-se a soma dos dias de 20 anos que leva de carreira. Efetivamente já o sigo praticamente desde o seu início, o tempo efetivamente voa.

A capacidade total do Teatro Aveirense, cerca de 600 lugares sentados, não esteve lotada. Com a plateia esgotada, e o balcão bem composto, local aonde fiquei. Público heterogéneo, conhecedor do percurso do músico, deu para perceber bem isso e que assistiu com imensa atenção aplaudindo efusivamente cada tema.

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Projeções vídeo foram uma das novidades| Foto: Joana Magalhães @ grafonola_ig

A sala é simpática, bem confortável e com uma instalação sonora que proporcionou um som de bastante qualidade. Só achei a sua estética interior um bocadinho aborrecida, já o exterior do edifico é impactante. Trata-se, sem dúvida, de um excelente equipamento numa cidade que tem apostado bem em termos culturais.

Como de habitual Noiserv esteve a solo revelando a capacidade de “homem-orquestra”, demonstrando a mestria no manejar dos vários instrumentos que tem ao seu dispor como, por exemplo, os teclados e a guitarra clássica. Vital é também a sua loop station, indispensável para criar as suas diversas camadas sonoras através dos seus loops.

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Intenso jogo de luzes | Foto: Joana Magalhães @ grafonola_ig

Como óbvio ‘7305’ teve horas de imenso destaque, no entanto, a setlist percorreu diversos temas marcantes da sua carreira. Foram 16 temas interpretados durante cerca de 1 hora e 30 minutos, sem direito a encore. Para 20 anos de carreira ele podia ter tocado 20 temas, parecia-me uma opção natural e temas incríveis à disposição é coisa que não lhe falta.

Logo na abertura, às 21:37h, seguiram-se dois temas novos: “20 . 27 . A long journey in a little train to Poland” e “20 . 25 . Resumidamente”. O primeiro, como o próprio músico referiu, teve inspiração numa viagem à Polónia e a uma visita aos campos de concentração. Uma deslocação que o marcou imenso.

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Nova “roupagem” cénica de Noiserv | Foto: Joana Magalhães @ grafonola_ig

O artista lisboeta esteve sempre bastante comunicativo e bem-humorado, tal como é seu apanágio. Ainda não o vi ao vivo de outra forma. Tão comunicativo que às vezes se perdia um pouco nas suas ideias. Foram interlúdios extremamente preciosos e divertidos. São já a sua imagem de marca e indispensáveis.

Pela primeira vez vi um concerto de Noiserv com uma imensa evolução em termos de cenografia. A caixa de luz quadrada tem agora uma adaptação numa versão bem mais larga num formato retangular em que tem 6 leds à frente e outros 6 atrás da sua “estação de serviço”. A parte traseira é fechada por painéis transparentes tendo desse lado, na parte de fora, 5 focos de luz segmentados na horizontal.

A ideia das live cams tem continuidade, desta vez com mais câmaras. Imagens ao vivo foram aparecendo em alguns temas dando um enfoque a diversos pormenores, por exemplo, ao trabalho de pés que o artista efetua. Outra novidade é no aspeto visual com o uso de projeções vídeo dando um impacto mais completo e funcionaram complementarmente a um jogo de luzes bem colorido e fortíssimo. Tudo funcionou extremamente bem e Noiserv não ficou perdido lá no meio de tanta ocorrência.

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Live cams em ação | Foto: Joana Magalhães @ grafonola_ig

David Santos percorreu praticamente toda a sua discografia. De 2010, 2013 e 2014 ouvimos, por exemplo, “Mr. Carousel”; “Don’t Say Hi If You Don’t Have Time for a Nice Goodbye” e “This Is Maybe the Place Where Trains Are Going to Sleep At Night”.

Já de 2016 tocou “Dezoito” e de ‘Uma Palavra Começada por N’, disco lançado em 2020, interpretou “Neutro” e “Sem Tempo”.

Além dos que já mencionei, Noiserv também tocou de ‘7305’, por exemplo, “20 . 08 . A fearless party between a kid and his own thoughts”; “20 . 20 . Um dia como tantos outros” e “20 . 16 . A casa das rodas quadradas”. Nos originais de álbum estas canções contam com as colaborações vocais de Surma, A Garota Não e Milhanas como o músico contou.

As novas faixas soaram extremamente bem e toda a montagem visual dão certo. Resultam num espetáculo com uma pitada de carácter cinematográfica bastante agradável, a sua música ajuda claramente a tal. A única coisa que pode elevar a experiência deste concerto seria ter os convidados deste disco recente, em palco. Quem sabe, num futuro próximo.

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Introspeção de Noiserv a cantar | Foto: Joana Magalhães @ grafonola_ig

Agradecimento final à Joana Magalhães pela simpatia e disponibilização das fotos para esta reportagem.

Texto:
Edgar Silva

Fotografia:
Joana Magalhães @ grafonola_ig (Instagram)

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.