
Molarinho dos Baleia Baleia Baleia [Mais fotos aqui]
As
atividades culturais regressaram a Barcelos e em grande estilo! O município
local preparou uma extensa programação para os meses de julho, agosto e
setembro com diversas opções culturais: teatro, música, dança e cinema. Com o
lema “Prá Frente Barcelos” e
cumprindo com as normas da Direção Geral da Saúde, foi preparado um recinto com
todas as condições de segurança no qual o uso de máscara foi
obrigatório, apesar de ser um local ao ar livre.
Para toda a informação do evento seguir o link:
O espaço escolhido foi a frente ribeirinha de Barcelos, local mítico da cidade, um
dos sítios chave do famigerado festival Milhões
de Festa no qual teve o seu principal local de concertos.

A frente ribeirinha de Barcelos [Mais fotos aqui]
Na primeira noite, a 23 de
julho, a dupla Gãrgoola composta por João Miguel Fernandes e pelo
barcelense Filipe Miranda (ex. elemento dos Kafka). Este
projeto teve a honra de abertura deste ciclo de curadoria ‘Triciclo’ com 4 datas seguidas, todas incluídas no vasto programa
designado ‘Prá Frente Barcelos’. De
23 a 25 de julho o inicio aprazado era as 22 horas e no dia 26 às 18 horas.
A
segunda noite, a 24 de julho, outro projeto musical também ele “fora da caixa”
ocupou o palco. Falo pois dos Baleia,
Baleia, Baleia dupla irreverente composta por Manuel Molarinho (baixo e voz) e Ricardo Cabral (bateria).
Em
mais uma noite de um atípico verão estar à beira rio revelou-se bastante
agradável se bem que com o andar da noite a temperatura esfriou…
Apesar
de ter ecoado a música do italiano Eros
Ramazzotti na fase pré concerto, não
amoleci o suficiente com aquele típico som de “música para fazer filhos”. O que pretendia mesmo era escutar o som
cru, despretensioso e desconcertante dos Baleia,
Baleia, Baleia. Desconcertante também pelas letras…

Ricardo Cabral dos Baleia Baleia Baleia [Mais fotos aqui]
Como
seria de esperar o trabalho de estreia do duo foi profundamente explorado. De “Bebé Nesté” e “Quero ser um Ecrã” (segundo e terceiro temas tocados) até ao final
épico com “Interdependência” houve a
oportunidade pelo meio para estrear novos sons. Um novo trabalho discográfico
está a ser “cozinhado”, novos temas como “Ego
Sistema” e “O Meu Novo Deus”
foram tocados sendo duas provas inequívocas do que aí vem será imperdível.
Molarinho esteve sempre fiel a si mesmo. O seu estilo comunicativo é
imbatível e sempre entre o irónico e cómico. Uma imagem de marca pois claro.
“Só
preciso de ti”, como diz a letra de “Interdependência”, foi o sinal
inequívoco de que as bandas precisam de público físico e que o regresso aos
concertos é também sinal de vitalidade dos melómanos …
Tal como na noite anterior o
clima esteve bem agradável até começar a esfriar, ainda assim óptimo para estar
ao ar livre. Neste último sábado, 25 de julho, os White Haus foram a proposta musical.

João Vieira, mentor dos White Haus [Mais fotos aqui]
Além
de João Vieira, o mentor do projeto,
a banda apresentou-se em formato quarteto com dois elementos naturais de
Barcelos: Graciela Coelho
no teclado e André Simão em funções
de multi-instrumentalista. Gil Costa ficou encarregado da bateria.
A formação trouxe até à frente ribeirinha de Barcelos os
seus sons altamente dançáveis. Devido à necessidade de ocupar lugar marcado
sentado, não foi propriamente a melhor experiência pois as músicas puxavam por
um pézinho de dança. Durante cerca de 1 hora o foco foi o álbum ‘Body Electric’, o álbum mais recente
lançado no ano passado.
Com o decorrer da performance ao
fundo do palco eram projetados visualzers
das músicas. Dada a posição invulgar do projetor, situado mesmo em frente ao
palco e posicionado ao nível da plateia, as sombras dos artistas e dos instrumentos
foram igualmente projetadas dando um visual peculiar.

Afonso Dorido, o Homem em Catarse [Mais fotos aqui]
Já
para domingo, 26 de julho, uma bonita matiné ao final da tarde com a “prata da casa” marcou o encerramento
desta curadoria ‘Triciclo’ e que
marcou o seu regresso pós pandemia. Afonso
Dorido (membro dos Indignu) com o
seu projeto a solo Homem em Catarse aproveitou para mostrar o seu mais
recente trabalho discográfico ‘sem
palavras | cem palavras’.
‘sem
palavras | cem palavras’álbum em análise
aquino HeadLiner
A frente
ribeirinha em Barcelos revelou-se um local bastante aprazível, se bem que pela
proximidade ao Rio Cávado, as noites tornaram-se um bocadinho frescas. Ainda
assim e tendo em conta as noites quentes tropicais que temos vivido frequentar
este local foi, sem qualquer dúvida, uma opção formidável.
Vejam toda a foto-reportagem pelo
Diogo Meira e João Machado: clicar aqui

Texto: Edgar Silva
Fotografia: Diogo Meira e João Machado
