Gorillaz, Little Simz e Dinossaur Jr: o meu trio de destaque – dia 3, NOS Primavera Sound 2022

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Little Simz no Palco Cupra // Foto de Nuno Coelho, Noizze. Mais fotos em @noizzept

À entrada para o último dia, a energia já não é a mesma, o que vale é que a vontade mental governa o meu corpo e continua a querer viver ao máximo o dia final do NOS Primavera Sound em 2022. No cartaz havia muita coisa boa para espreitar e apreciar e isso também deu um boost na motivação.

Fiz as minhas escolhas mediante o meu gosto pessoal. Coincide, na sua maioria, com aquilo que o headLiner costuma partilhar a nível dos estilos musicais. Agora o festival portuense é mais eclético pelo que há determinados artistas que não são bem a minha “praia” pelo que logo à partida algumas propostas são excluídas.

Neste sábado, 11 de junho, o sol brilhava e o calor era abrasador. Vá lá que a brisa marítima surge como salvadora da pátria. Este clima já era suportado em número de milhares logo no primeiro concerto que vi, o dos Dry Cleaning. Primeiro impacto ao ver Florence Shaw, a vocalista, foi de surpresa. Imaginava-a mais alta. Com ela estiveram Lewis Maynard (baixo), Tom Dowse (guitarra) e Nick Buxton (bateria).

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Dry Cleaning e a sua vocalista Florence Shaw // Foto de Nuno Coelho, Noizze. Mais fotos em @noizzept

Uma das coisas mais impressionantes em Florence Shaw é o seu estilo de cantar.
Muito próximo de spoken word que aliado ao seu timbre musculado criam uma
vocalização extremamente particular e diferenciada.

O quarteto tocou alguns dos seus temas como “Leafy”, “Strong Felings”, esta não dedicada aos Pedros presentes no meio do público e “More Big Birds”, esta dedicada à luso-britânica Paula Rego falecida na semana passada. Performance bem positiva, sem dúvida, um belo cartão-de-visita destes britânicos.

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Roberto Lange, mais conhecido como Helado Negro // Foto de Nuno Coelho, Noizze. Mais fotos em @noizzept

Na minha programação tinha previsto ver os Pile, mais uma vez os planos saíram furados. Em compensação acabei por assistir à fase final de Helado Negro no palco NOS. Norte-americano descendente de equatorianos, Roberto Carlos Lange, apresentou um estilo de música totalmente adequado ao clima de fim de tarde. Música suave e melodiosa. “La
Naranja”
e “Running” foram dois dos temas que ouvi e que ficaram como representativo do seu trabalho.

O trio Khruangbin era mesmo imperdível. Fiquei fã antes da presença deles em Paredes de Coura em 2019 pelo que não queria perder esta nova oportunidade. Fiquei admirado com o mar de gente que lotou as bancadas e o espaço em frente do palco Cupra. Um mar de gente com um espírito de devoção devo realçar. Laura Lee (baixo) e Mark Speer (guitarra), ela de vestida em tom de verde alface e ele de preto, iam alternando o lado do palco à vez. Foi a forma para se ligarem ao público. Já Donald “DJ” Johnson estava sereno a tocar bateria em ponto central. Não há fotos de Khruangbin pois a banda não deu autorização para tal.

Foi uma espécie de matiné ao estilo dance club. “White Gloves”, “August Twelve”, “So We Won’t Forget” foram sendo desfiladas para entretimento geral de quem assistia. Mereceram a grande ovação que tiveram em “Maria También”, tema referência do álbum ‘Con Todo el Mundo’, uma daqueles que os deu a conhecer ao mundo.

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J Mascis, um dos “dinossauros” da história da música  // Foto de Nuno Coelho, Noizze. Mais fotos em @noizzept

Dinossaur Jr, trio liderado por J Mascis, foi a minha primeira grande surpresa do dia. Esta banda norte-americana de rock alternativo deu um concerto bastante revelador. Confesso que não era muito conhecedor da discografia desta banda dos anos 80, como Mascis orgulhosamente disse-o durante a sua atuação: “Nós somos dos 80s”. “Been There All the Time” , “Start Choppin”, “Feel the Pain” ou “Just Like Heaven” podem ser cronologicamente dos anos 80 do século passado contudo o trio reivindicou a sua intemporalidade. Excelente atuação na qual tiveram de recorrer a instrumentos emprestados devido à perda das seus algures pela europa.

Para início de dissertação devo confessar ter visto apenas parte do concerto de Little Simz, rapper britânica e 28 anos. Assisti de perto à parte inicial, até à interpretação de “Boss” (quinta música do set) e escutei de longe a mais um bocadinho. Foi o suficiente para ficar verdadeiramente impressionado à artista e às reações enérgicas das pessoas que assistiam. Ficou, de modo definitivo, no meu radar musical.

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A rapper britânica Little Simz  // Foto de Nuno Coelho, Noizze. Mais fotos em @noizzept

Um dos concertos que mais ansiava de todo o festival era o da britânica Little Simz. Assumo que pouco conhecia da artista antes da sua confirmação para esta edição, a verdade é que desde que pus os meus ouvidos no seu ‘Sometimes I Might Be Introvert’, disco mais recente de 2021, que não saí mais dele. Uma obra-prima como já não ouvia há muito tempo, sendo o seu concerto uma afirmação de tudo aquilo que tinha ouvido.

No palco Cupra, já sem 1 metro quadrado de espaço disponível e com a palavra ‘SIMBI’ de fundo, iniciais do seu mais recente disco, a artista abre com a orquestral e imponente “Introvert”, soltando o primeiro êxtase dos milhares de pessoas. Interventiva, ativista musicalmente pelo movimento Black Lives Matter, praticamente todo o disco é uma reflexão forte e direta deste movimento. Ao vivo transporta cada sentimento, grito de revolta para cima do palco refletindo-se em cada um de nós que vai assistindo. Não faltaram “Women”, “Point and Kill”, “I Love You, I Hate You” ou mesmo uma pequena viagem para faixas do seu disco ‘GREY Area’ como a mais aplaudida, “Selfish”, com voz de fundo de Cleo Sol, “101 FM” ou “Flowers”. Um dos momentos mais caóticos do concerto da artista veio com a inevitável, “Venon”.

Bastou ouvirmos os primeiros acordes de violino que a tanto caracterizam, para um moche pit abrir-se mesmo ao nosso lado, explodindo à palavra venon. Simbiatu, nome da artista britânica, mostrou-se perplexa durante todo o concerto com a quantidade de pessoas, e todo o amor que estas demonstravam perante ela, numa comunhão perfeita entre público – artista.

22.30 horas deste passado sábado e eis que Paul Banks e a sua trupe voltaram ao festival portuense 3 anos depois, desta vez, para tocarem no cenário central. Eles desfilaram os seus hits como “Evil” logo ao segundo tema tocado. “All the Rage Back Home”, “The Heinrich Maneuver” ou “PDA” não faltaram. Os Interpol são uma banda super competente ao vivo, isso é inegável, o que falta é um pouco de personalidade e interação com o público para esta ser uma experiência mais intensa e marcante.

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Paul Banks, o vocalista dos Interpol  // Foto de Nuno Coelho, Noizze. Mais fotos em @noizzept

Já la vão os tempos em que os Gorillaz apresentavam-se ao vivo como 2-D, Murdoc, Noodle e Russel em versão apenas virtual. Damon Albarn, o criador e visionário musical deste projeto, criou um show ao vivo interativo a diversos níveis. Há uma forte componente visual devidamente sincronizada e que passa nos ecrãs, há a sua pose extrovertida e colorida expressa no cor-de-rosa que emprega, há uma super banda que o acompanha e como isto tudo já não chegasse… Acrescenta-lhe convidados especiais do nível de “Liga dos Campeões” como Beck ou Little Simz. Hora e meia de êxtase para os seus fãs e algum delírio pelo meio nos momentos em Damon faz questão de interagir com o público olhos nos olhos.

Numa longa setlist a terminar com os orelhudos hits: “Dirty Harry”, Feel Good Inc” e “Clint Eastwood” foi uma inevitabilidade lógica. Uma performance para registo futuro, marcante e indelével do NOS Primavera Sound 2022.

Para findar esta mini maratona de 3 reportagens, eis umas notas soltas sobre esta edição:

Notas positivas:

– O cruzamento de vários tipos de públicos. Faixas etárias literalmente dos 6 aos 60 anos. Se bem que realidade, embora a mais baixa deva estar por excesso e a mais alta por
defeito.

– A presença de bandas veteranas e outras já com muitos anos de atividade puxaram a média de idades do público presente para um número mais elevado.

– Presença de famílias inteiras e de convívio salutar entre pessoas de gerações diferentes.

– A maneira descontraída e feliz com as pessoas fazem do festival a sua casa com toda a naturalidade. Realce especial para os milhares de estrangeiros presentes a quem esse sentimento também é comum.

– Apesar do aumento da lotação, mesmo no primeiro dia em que pareceu com mais gente, deu para circular minimamente bem no recinto.

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Gerações diferentes presenciaram o NOS Primavera Sound [mais fotos do público aqui]

Notas menos boas:

– O espaço das áreas da restauração pareceu exíguo, especialmente o da street food, onde a larga afluência provocou longas filas e uma dificuldade acrescida em circular e arranjar espaço para fazer a refeição.

– Falta de pontos para deixar o lixo.

– Pontos de água, deviam haver mais. Há que ter em conta que nestes 3 dias tivemos dias extremamente quentes tendo isso sido refletido nas assistências médicas a pessoas que, provavelmente, sentiram demais essa situação.

– Som do palco NOS demasiado elevado, em determinadas ocasiões não era propriamente agradável à audição. Em vários concertos no palco Binance era perfeitamente percetível as atuações no palco principal, nomeadamente, entre temas. Em alguns concertos, nos diversos palcos, a qualidade não foi a melhor.

– As tradicionais tote bags com a identidade do festival este ano não foram oferecidas, estiveram à venda. Foi pena pois era já um símbolo de coleção e muita gente levou ao festival as tote bags de anos anteriores. O patrocinador principal deveria ter continuado a
manter oferta, foi pena.

Agradecimentos:

Agradecemos a gentiliza e partilha de fotos utilizadas neste artigo cedidas pelo Nuno Coelho da Noizze. Poderão seguir este projeto @noizzept

Fica aqui um agradecimento especial ao nosso colaborador para a área da fotografia João Machado, em nome da equipa do headLiner, pelo esforço e dedicação durante os dois dias em que esteve no festival. Infelizmente viu-se afastado do dia 3 devido a ter adoecido. Um forte abraço para ele!

Vejam toda a foto-reportagem do 1º dia: clicar aqui

Vejam toda a foto-reportagem do 2º dia: clicar aqui

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Texto:
Edgar Silva
Luís Silva (texto em destaque)

Fotografia:
 
Nuno Coelho, Noizze. Mais fotos em @noizzept

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.