
Joe Talbot dos Idles [mais fotos clicar aqui]
Oficialmente a lotação não esgotou, ontem quarta-feira dia 17 de agosto. Era uma das datas mais plausíveis para isso, porém para quem esteve no recinto a noção é de que
não cabia mais ninguém…
A slot deixada de vago por causa do cancelamento dos King Gizzard & The
Lizard Wizard foi ocupada pelos BadBadNotGood, desta forma anteciparam em 2 dias a sua performance. Esta alteração foi completamente inesperada e apanhou de surpresa os festivaleiros no dia de arranque do Vodafone Paredes de Coura.
Afastada a chuva, se bem que as nuvens pairaram em algumas ocasiões, o sol fez
a sua bela aparição e proporcionou um suave e reconfortante colorido dourado à
paisagem Courense. O tempo quente quanto baste na parte da tarde contrastou com
o fresquinho acentuado da noite/madrugada.

Tiago Martins dos Gator, The Alligator [mais fotos clicar aqui]
A jornada festivaleira iniciou-se no palco secundário com uma banda vinda de
Barcelos. Foram os Gator, The Alligator banda formada por Eduardo da Floresta, Ricardo
Tomé, Filipe Ferreira e Tiago Martins e que foram felizes num palco de sonho durante uns bons 45 minutos. Estiveram todos vestidos de branco, um outfit que lhes assentou na perfeição. A malta esteve devidamente animada, contou com conterrâneos seus, e a festa fez por entre saltos e crowdsurf. Deu até para um peluche em forma de jacaré ser atirado para o palco.
Passei depois alguns minutos pelo palco principal e ouvi Sofia Marques cujo seu artístico é Mema.. A artista de Aveiro esteve sozinha em palco. Pareceu-me um erro de casting esse destaque dado à artista de forma tão prematura. O público esteve mais a “fazer sala” e a desfrutar da natureza do que outra coisa qualquer…
Dos concertos que vi, acredito que de toda a jornada, a maior surpresa foram os
britânicos Porridge Radio. A líder do projeto Dana Margolin apresentou-se com uma t-shirt dos Deftones. A banda conta também com Geordie Stott (teclas), Maddie Ryall (baixo) e Sam Yardley (bateria). Uma banda jovem já com alguns seguidores pelo nosso país e que fizeram questão de uma boa receção ao quarteto de Brighton. Um dos momentos mais intensos e vocalizados em uníssono foi durante “U Can Be Happy If U Want To”. Uma estreia sólida em Portugal e que terá mais 2 capítulos em novembro. De minha parte, até já, até Guimarães!

Dana Margolin dos Porridge Radio [mais fotos clicar aqui]
De passagem para o jantar vi e ouvi por alguns minutos o norte-americano Alex G e a suavidade da sua música esteve perfeita e a coincidir com o belo pôr-do-sol.
Com as energias já carregadas deu para mais uns minutos de BadBadNotGood. A banda canadiana dispensa as guitarras, numa jornada em que foram épicas, proporcionando um ambiente muito chill com o seu estilo musical experimental intimamente ligado ao jazz. Os ecrãs de ambos os lados do palco principal não transmitiram o concerto para proporcionarem uma experiência mais visual na qual imagens coloridas e animadas fizeram a “ponte” para a paisagem sonora.
Antes do “prato principal” fui até ao palco secundário. Lá tocaram os irlandeses The Murder Capital e as generosas expetativas não foram defraudadas. Eles ainda são recentes ao panorama musical pós-punk só que não se fizeram rogados e com uma excelente atitude assinaram um concerto sólido e muito bem conseguido.

Enérgica atuação dos The Murder Capital [mais fotos clicar aqui]
A expetativa máxima deste dia estava toda centrada na performance dos Idles e o sentimento era partilhado por milhares, bastava ver a quantidade de pessoas com t-shirts alusivas à banda de Bristol. Para mim foi a segunda vez depois de os ter visto em 2018 em pleno palco principal do NOS Primavera Sound. Na altura acho que pouca gente imaginava o tremendo impacto que iriam ter…
Estes britânicos não desiludiram, nem um pouco, durante a hora de atuação. O público esteve morno durante a parte inicial do concerto e nem entendeu bem o pedido de Joe Talbot para “abrir uma ala a meio”. As reações do público foram ágeis a partir desse momento e em ritmo crescente de intensidade. A performance destes rapazes britânicos foi dinâmica, com membros da banda a fazerem crowdsurf unindo-se aos que os idolatram. O turbilhão emocional da juventude na frontline já era uma certeza e foi impressionante de sentir e visualizar. Certamente ficou na memória da banda, de quem assistiu a esta estreia no Couraiso bem como inscrita indelével no histórico do Vodafone Paredes de Coura.

Idles proporcionaram um momento épico [mais fotos clicar aqui]
A melancolia escura e fofinha dos Beach House sob um céu estrelado deu o tom para uma reta final de noite mais descontraída. A cenografia estava minimalista com um uso limitado de luz em palco um aspeto visual no ecrã gigante atrás do trio a ajudar na amplificação das canções. Esta sua segunda aparição no Alto Minho foi bem conseguida e
proporcionou um concerto reconfortante.
A atuação dos Viagra Boys foi intensa e bem-sucedida principalmente pelos músicos da banda sueca e não tanto pela performance algo errática do seu vocalista Sebastian Murphy. Mostrou-se feliz por estar no Porto (normal a fraca geografia portuguesa),
agora a saída que teve em palco parando o concerto foi estranha. Perante um mar de gente no palco secundário, não havia mais nenhum concerto, a performance destes suecos teve um sabor punk muito pronunciado e até foi ampliado pelo entusiasmo do pessoal presente.

Sebastian Murphy vocalista dos Viagra Boys [mais fotos clicar aqui]
As últimas atuações que vi, não tiveram concorrência, e concentraram as atenções totais. Pior a situação do público em Viagra Boys, impossível acomodar minimamente bem tanta gente. Já em The Murder Capital não foi tão complicado pois os irlandeses antecederam os Idles e as atenções da maioria já estavam concentradas nos ingleses.
Entre os concertos de Idles e Beach House houve uma pausa longa. As dificuldades de movimento foram notórias, as idas ao WC ou na restauração foram tarefas mais difíceis. Foi a natural constatação de que o recinto tem as suas limitações e que os contratempos são ultrapassados com boa vontade e paciência das pessoas.
Ponto final de destaque para a presença de muitos músicos portugueses, especialmente de bandas alternativas, inclusive alguns dos que já atuaram no Sobe à Vila ou no
dia anterior, casos de Bruno Pernadas e de Adolfo Luxúria Canibal dos Mão
Morta.
Vejam toda a foto-reportagem do 2º dia: clicar aqui

Texto:
Edgar Silva
Fotografia:
João Machado
