Humana Taranja em palco| Foto Sérgio Monteiro @ Sonus Art Fest
Em 2022 emergiu o Sonus Art Fest numa empreitada ousada por Pedro Carvalho, Filipe Carvalho e João Lemos. Estes três jovens empreendedores são os responsáveis pela Revista Sound e igualmente os fundadores deste festival artístico. Um evento que vai além da música, embora este seja o seu foco principal. Proporciona também espaço físico a jovens criadores. Estes ganham assim, deste modo, uma plataforma para exporem a sua criatividade em áreas diversas que vão da fotografia, ao design ou pintura, só para citar alguns exemplos.
O sucesso foi a nota dominante das primeiras edições e para tal contribuiu imenso a estreia em território nacional dos Deadletter em 2023 e a presença dos Maruja em 2024. Ambas as formações britânicas estão agora destinadas a palcos de maior relevância já que estão a abandonar o estatuto de talento emergente rumo a um patamar superior.
Agora em 2025 o festival fez um “salto de fé” com a passagem a dois dias. O Sonus Art Fest realizou-se a 10 e 11 de outubro, respetivamente, as últimas sexta-feira e sábado.
Efervescência do público durante os Opus Kink | Foto Sérgio Monteiro @ Sonus Art Fest
Na primeira noite o acesso foi-se fazendo aos poucos e poucos. A primeira atuação da noite iniciou-se às 21:34h com a dupla brasileira Felipe Vaqueiro & Sophia Chablau.
Felipe Vaqueiro (Tangolo Mangos) e Sophia Chablau (Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo) conheceram-se em 2023 e lançaram, no início de 2025, um compacto de duas músicas numa empreitada conjunta entre as editoras Selo RISCO do Brasil e Cuca Monga de Portugal.
A união destes dois músicos brasileiros tem gerado algum buzz no meio alternativo pelo que a digressão que ambos fizeram por diversas localidades de Portugal neste mês de outubro tenha sido bem recebida.
“Boa noite. Goodnight.” disse Sophia logo após a sua na entrada de maneira bem relaxada e a boa vibe do duo manteve-se até final da atuação. Ainda com pessoas a chegarem ao recinto, o público mantinha-se um pouco recuado ao palco. A pedido de Chablau o pessoal chegou-se à frente e a partir desse momento rolou um clima mais intimista.
A dupla Felipe Vaqueiro & Sophia Chablau | Foto Sérgio Monteiro @ Sonus Art Fest
Felipe e Sophia apresentaram o seu trabalho discográfico ‘HANDYCAM’ editado bem recentemente, no primeiro dia deste mês de outubro. Estes temas deambulam entre letras cantadas ora em inglês ora em português. As vozes desta dupla mesclam-se perfeitamente bem e demonstraram um à vontade genuíno e bem cúmplice.
Sophia Chablau tocou guitarra e piano, já Felipe Vaqueiro atuou de chinelo e tocou somente guitarra. Ela do lado esquerdo e ele do lado direito. Destaque para a interpretação de “Canção de retorno”, uma canção que a artista brasileira dedicou à sua amiga Yara Ktaishe oriunda da Síria.
Vaqueiro fez questão de fazer publicidade, em diversas ocasiões, ao diverso merch à venda no local durante o concerto. Peças bem giras e que certamente são e serão do agrado de muitos fãs.
Sophia e Felipe em palco | Foto Sérgio Monteiro @ Sonus Art Fest
Pelo meio, entre outras, ficou “Já Não Me Sinto Tão Só” antes do encerramento com a canção extremamente expressiva “Cinema Brasileiro”. Apreciei imenso esta minha estreia com esta dupla vinda do Brasil, prometem fazer coisas bem giras e este disco de estreia é a prova disso mesmo.
A fazer lembrar as noites Malfeito em Fafe, em cima do sistema de som junto ao palco existiram umas caixas de cartão recortadas com o nome das bandas. Durante a atuação de cada banda somente surgia iluminada a caixa com o seu nome. Deu um efeito cénico engraçado porém retirava um pouco de visibilidade a quem poderia querer espreitar o concerto de lado.
Perspetiva de Sophia em palco | Foto Sérgio Monteiro @ Sonus Art Fest
Humana Taranja são uma jovem banda, da margem sul, especificamente do Barreiro e entraram para a sua atuação às 22:42h com “Longe” como tema de abertura.
Os elementos são: Guilherme Firmino (guitarra e voz) David Yala (guitarra), Filipa da Silva Pina (teclado e voz), Marta Inverno (baixo e coros) e Afonso Ferreira (bateria). Reencontrei este cinco destemidos músicos quase um ano depois da minha primeira vez com eles. O primeiro impacto no Maus Hábitos do Porto em novembro de 2024 foi fantástico pelo que até eu me auto estranho ter demorado tanto tempo.
“O nosso técnico diz que é a melhor cidade do mundo” Firmino referia-se a Guimarães pois claro. Miguel Gomes, conhecido como Chinaskee já conhece extremamente bem a cidade e efetivamente tem as melhores referências pelas suas constantes passagens pela Cidade Berço. Oxalá os Humana Taranja repitam também a visita.
Filipa e Guilherme dos Humana Taranja em destaque | Foto Sérgio Monteiro @ Sonus Art Fest
A seguir a “Banho Quente” e “Copo de Vinho” surgiu “Casa”, um tema que não tocavam há algum tempo como referiu Guilherme. Gosto muito destes Humana Taranja, têm temas incríveis e a sua postura em palco é bastante assertiva e pertinente. Deram o melhor de si e mereciam um espaço com uma acústica 100% decente para um usufruto ao máximo da sua discografia.
Antes de “Guerra” aquele anúncio meio tímido da existência de merch à venda. Comprei uma t-shirt com o registo ao seu álbum ‘EUDAEMONIA’, um dos melhores de 2024. Com toda a certeza o ouvirei mais algumas vezes.
Guardados para o encerramento ficaram “Deixa Arder” e “Podem Entrar”, a fase mais enérgica e elétrica de todo o concerto. A banda do Barreiro com toda a certeza conquistou novos fãs.
Humana Taranja em palco | Foto Sérgio Monteiro @ Sonus Art Fest
Já de Londres tivemos os Alien Chicks, um nome que retive para interações futuras. Era a formação que mais queria escutar desta primeira noite de Sonus Art Fest. A expetativa confirmou-se e prezei imensamente a sua performance.
Trio formado por Josef Lindsay na voz principal/guitarra, Stefan Parker-Steele no baixo/voz secundária e Martha Daniels na bateria. Martha deu logo nas vistas na sua entrada com um outfit encarnado mais ousado. Já Josef escolheu uma t-shirt azul estilizada do clube de futebol italiano Nápoles e o nome de Maradona nas costas. Stefan não foi visualmente o mais impactante porém foi, sem margem para dúvidas, o mais irrequieto dos três.
Chegaram a Guimarães com “Illuminati” lançado pouquinhos dias antes. Este é o seu mais recente single e foi mesmo a faixa de abertura desta performance vimaranense.
Josef e Martha dos Alien Chicks | Foto Sérgio Monteiro @ Sonus Art Fest
Na bagagem trouxeram também o único EP editado, em maio deste ano apelidado ‘Forbidden Fruit’. Faixas como “Say Fish”, “Babe” ou “Mr Muscle” fizeram parte de um alinhamento que soou incrivelmente portentoso.
Finalizaram com os temas “Candlestick Maker” e “27 Stitches” tendo ficado pelo meio “Steve Buscemi” ou “Qwerty”, só para citar mais duas.
Nesta estreia total em Portugal os Alien Chicks deram muito bem conta de si. O seu estilo organizadamente caótico, tanto em termos musicais como visuais, deixou-me com “água na boca”. Para mim foi a melhor atuação da noite, quer dizer, a que maior impacto teve em mim.
Stefan Parker-Steele dos Alien Chicks | Foto Sérgio Monteiro @ Sonus Art Fest
A segunda formação inglesa, de uma série a atuar no Sonus foram os Opus Kink, um sexteto oriundo de Brighton. Liderados pelo frontman e guitarrista Angus Rogers encerraram a primeira noite do evento em belo estilo. Confesso que não foi a minha atuação preferida da noite, questão de gosto pessoal no que diz respeito à sua sonoridade. Devo afirmar, de forma assertiva, que eles conseguiram “capturar” a atenção e vibração a maioria das pessoas, público este que esteve bastante ligado e participativo durante toda a performance.
Além de Angus, também Sam Abbo (baixo e voz secundária), Jed Morgans (saxofone), Jazz Pope (teclado, sintetizador e voz secundária) e Jack Banjo Courtney (trompete) surgiram alinhados na horizontal na parte frontal do palco. Atrás ficou o baterista Fin Abbo.
Opus Kink em palco | Foto Sérgio Monteiro @ Sonus Art Fest
Baixo bem pronunciado e instrumentos de sopro a darem o “pontapé” sedutor aos temas com muitas referências de jazz e punk. Efetivamente uma miscelânea “indie post punkish jazzy” soturna bem apimentada de forma sedutora pelo saxofone e trompete.
“I’m A Pretty Showboy” o single mais recente editado no passado dia 7 deste mês, foi devidamente exposto. Já “St. Paul of the Tarantulas” foi uma das tocadas na fase final da performance, fase em que houve um momento apoteótico em roda-viva após uma espécie de ritual de estilo religioso.
Apesar de um problema técnico que acabou por pausar o concerto, quando tudo retornou a estar devidamente afinado, os Opus Kink retomaram com uma pinta como nada se estivesse passado. Atuação sólida e positiva destes britânicos.
Apesar de ter-se notado que a casa não esteve lotada registou-se uma cifra de público em número apreciável. Não olvidar que esta foi a primeira edição com dois dias, a primeira vez que houve sexta-feira no Sonus Art Fest. São os novos caminhos do evento e oxalá que, aos poucos e poucos, ganhe uma maior relevância pois claramente o merece.
Angus e Jack dos Opus Kink em palco | Foto Sérgio Monteiro @ Sonus Art Fest
Agradecimento final para a organização do Sonus Art Fest pela sua simpatia e por me ter acolhido tão bem no evento. Igualmente pela disponibilização das fotos utilizadas nesta reportagem.
Texto:
Edgar Silva
Fotografia:
Sérgio Monteiro @ sergiommonteiro (Instagram)
// Fotos Oficiais Sonus Art Fest











