
‘Melancólico Dançante’ é o mais recente registo discográfico de Valter Lobo tendo sido editado no passado dia 28 de fevereiro. A primeira atuação após esse lançamento teve lugar no Theatro Circo em Braga na noite de 8 de março com uma sala quase totalmente lotada. De frisar que todos lugares da incrível sala bracarense foram disponibilizados para venda tendo ficado poucos por ocupar.
Este foi o primeiro concerto a que assisti do artista desde a intensa performance no palco secundário do Vodafone Paredes de Coura de 2024, cuja relato pode ser lido aqui.
A entrada do público registou-se de forma serena com uma afluência mais intensa nos minutos antecedentes à hora marcada previamente. Uma audiência adulta, boa parcela já bem adulta em faixas etárias acima dos 30s.

Valter Lobo a estrear novas canções | Foto: Paulo Nogueira/Theatro Circo
Logo na entrada em palco Valter Lobo faz questão de dizer que estava no “teatro mais bonito de Portugal”. Pessoalmente já entrei num número apreciável de salas neste nosso país, algumas das quais em formato teatro, e efetivamente não há outra sala de espetáculo com paralelo idêntico na beleza e imponência.
Depois de tocar “Tenho Saudades”, logo ao segundo tema, apresenta “Ainda Ontem Tinha Céu”. Esta canção fora o primeiro single lançado no decurso de 2024 e já tocada ao vivo. Durante a performance foram interpretadas várias músicas novas pela primeira vez ao vivo, tais como, “Moleque” ou “Nanana”.
As músicas mais recentes foram bem recebidas, no entanto, “Ainda Ontem Tinha Céu” e “Aguarela” tiveram direito a uma efusividade maior. Aliás, nesta última citada, o artista fafense, sempre com o seu jeito engraçado, perguntou à audiência “Mais ou menos, hein?”. A resposta do público veio num tom bastante satisfeito e descontraído.

Cenário bem colorido durante “Aguarela” | Foto: Paulo Nogueira/Theatro Circo
Bem… Satisfeitos, sorridentes e descontraídos são adjetivos no ponto certo para descrever o público. Tudo muito por culpa de Valter, ele que fez as pontes entre as músicas de forma refinada e descomprometida, com interlúdios e conversas cómicas que desarmam e põem a sua audiência à vontadinha. Quem já o viu ao vivo entende perfeitamente ao que me refiro.
O artista está sempre seguro e em boa companhia quando tem a sua indefetível banda em pleno apoio: Jorge Moura na guitarra, Pedro Oliveira na bateria e Pedro Santos no baixo. Estiveram firmes e foram competentes na ajuda ao melancólico dançante de serviço.
A banda saiu após “Menina-Mulher” e a solo Lobo interpretou “Tão Perto” e foi merecedora de uma ovação à maneira.

O artista fafense constantemente em diálogo com o seu público | Foto: Paulo Nogueira/Theatro Circo
Foram diversos os momentos belíssimos da noite, outro que tem de ser referido, aconteceu na sequência. Com Moura de regresso, por momentos Valter até esqueceu-se que ele lá estava… Os músicos estiveram alinhados em palco, o guitarrista era o que estava na ponta da esquerda, já Valter era o da ponta direita.
Em registo de dueto, interpretaram dois temas sendo que “Quem Me Dera” ficou registado de modo indelével como em tantas outras ocasiões. Já vi o músico a solo, em formato duo e com banda algumas vezes por isso tal posso afirmar como genuíno. A outra, somente com o apoio do guitarrista, foi “Cinema ou Real”. Deu inclusive para Valter enganar-se na letra tendo feito reset e retomando ao tema com outro cuidado para sair-se bem.
As novas canções têm timbre das anteriores nas quais experienciamos uma carga evolutiva de sequência e consequência. O seu registo afogueado envolvido em poesia expressiva está um pouco menos esmorecido e em contraponto um pouco mais floreado. Do registo folk, no qual claramente tem a sua inspiração, com cruzamento indie resultam temas com um afinco suave e dançante. Sempre intocáveis com aquele adorno melancólico.

Valter Lobo olhos nos olhos | Foto: Paulo Nogueira/Theatro Circo
“Guarda-me Esta Noite” foi engalanada com coros afinadíssimos por parte do público que já se mostrava rendido.
Com “Oeste” e “Supernós” deu-se o fecho de uma noite extremamente bem passada. Eram já quase 23:15h, o tempo efetivamente passou a voar, numa noite musical iniciada pouco depois das 21:30h.
Conheço Valter Lobo há uns 8 ou 9 anos, já perdi a conta aos concertos que vi dele. Admiro-o pela maneira como tem construído a sua carreira, usando uma expressão inglesa, é um self-made man. Tem feito as coisas por conta própria, por exemplo, estes primeiros concertos, este do Theatro Circo e o do Tivoli em Lisboa tiveram a produção a seu encargo. Tal como será em maio na Casa da Música. Note-se também para o álbum ‘Melancólico Dançante’, teve lançamento de autor.

Valter Lobo numa especial noite bracarense | Foto: Paulo Nogueira/Theatro Circo
Não passa muito na rádio, tem uma comunicação competente nas redes sociais, e o passa-a-palavra tem sido um dos modos como tem ganho fãs, cada vez mais dedicados. Um dos exemplos do passa-a-palavra é o da minha namorada Vânia Sofia. Ela desconhecia por completo o artista, mostrei-lhe umas canções e já fomos a três concertos: em Torres Vedras, Fafe e agora este em Braga.
Realce final: no final do concerto a banca de merchandising foi bastante concorrida com vendas substanciais. Durante 1 hora o artista não regateou esforços e atendeu a todos os pedidos, de autógrafos até às fotografias da praxe.
Valter Lobo vai atuar em diversos pontos do país por isso aconselho a que não percam uma oportunidade de o ver ao vivo.
Um agradecimento especial à equipa de comunicação do Theatro Circo por gentilmente ceder as fotos para utilização neste artigo e nas redes sociais.

O palco teve sempre com iluminação bem cuidada | Foto: Paulo Nogueira/Theatro Circo
Texto: Edgar Silva
Fotografia: Paulo Nogueira | Fotos Oficiais Theatro Circo
