Top 5 Álbuns de 2017

Este é o top dos 5 melhores álbuns deste ano escolhido pelos nossos seguidores, que desde já, desejamos a todos um bom ano!

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Vamos fazer um breve analise aos discos que mais vezes ecoaram nas mentes dos nossos ouvintes e assim atribuir a medalha de ouro ao respetivo disco mais reproduzido nos leitores de áudio dos nossos fãs.

5 –  Father John Misty – Pure Comedy

Um autêntico monstro da literatura modernista, Father John Misty veste a pele de Tillman condenando assim a humanidade ao caos moral e à Comédia Pura que é a vida. Este Gil Vicente da Pop-Rock orquestrada, eleva esta odisseia à voz de Deus que tem mais olhos que barriga: “Try something less ambitious next time you get bored.” 

Depois de lançar I Love You, Honeybear, o artista deixa assim a sua loucura fatalista pelas cartas de amor e abraçou o cinismo teatral, cobrindo-o de sarcasmo face ao capitalismo e as depressões preocupantes da classe média.

Father John Misty é discreto, mas intenso, fatalista e devastador na sua poesia. Uma revolução interior está à vista com o utopismo à escuta. Esta glória louca cantada em formato de coro, uma terapia ao repúdio religioso, de tudo… ou pelo menos, quase tudo.

4 –  King Gizzard & The Lizard Wizard – Flying Microtonal Banana

King Gizzard & The Lizard Wizard são um micro-ondas em expresso de reprodução de singles sem principio, meio ou fim. Não há restrições na sonoridade destes australianos e o resultado é equivalente a um jogo de ping-pong em constante movimento fazendo assim a sinopse da fieldade ao rock psicadélico. 

Em Flying Microtonal Banana apesar do circuito ser fechado o ritmo deste disco é bastante temperado e diversificado. Tanto existe uma névoa de sintetizadores ofuscantes e ritmos nigerianos, assim como hinos cósmicos e acelerados engolidos pelas subidas náuticas das influências Vikings. 

Após oito álbuns, a criatividade e a energia frenética desta banda não conhecem limites. Acho que podemos confirmar com os concertos dos mesmo em Paredes de Coura ou no Nos Primavera Sound. 

A banda promete e afirma já ter mais 5 trabalhos a serem desenvolvidos. O relógio destes rapazes parece não faltar corda!

3 –  LCD Soundsystem – American Dream 

Após James Murphy renunciar o final deste projeto em 2011, American Dream assume assim o papel de renascimento dos LCD Soundsystem (Murphy recentemente prometeu nunca fazer uma demonstração de aposentadoria dos LCD novamente). Parece que a lição foi bem tomada, combinando neste disco todas as lições que a vida lhe foi dando. 

Este sonho americano aliou o carinho do artista pelos sintetizadores e a sua experiência enquanto pai de uma pequena criança aproveitando essa nostalgia para voltar à velha tradição vista em “Someone Great”. Ritmos espasmódicos e os murmúrios espirituosos de Murphy (que mais uma vez desempenha a grande maioria dos próprios instrumentos) são um marco adjacente neste disco que o “velho” cara do rock’n’roll quer fazer renascer. Esta metáfora emocional é o que liga o artista para acabar com as ansiedades do envelhecimento: “You got numbers on your phone of the dead that you can’t delete, (…) And you got life-affirming moments in your past that you can’t repeat.” Este é um disco de auto-controlo, de um veterano viciado em lojas de discos e contagiado pela era capitalista da sociedade moderna em que o cantautor se revê emaranhado nas suas teias.

Um sonho que não queremos ver acabado, uma bússola ecoante na mudança de ideias: “You can change your mind!”

2 –  Queens of the Stone Age – Villains 

Quase duas décadas depois, Queens of the Stone Age são um dos maiores nomes do hard rock contemporâneo, desafiando subtilmente as raízes arqueológicas do hard rock, mas dando um giro refrescante nesta sonoridade.

Neste disco temos a colaboração de Mark Ronson em alta, embriagando assim o ‘demónio’ de lixívia e polindo a sonoridade dos Queens. O disco funciona assim não como um todo mas como pequenas viagens pensadas no singular.

Villains reafirma o que torna esta banda tão especial. Não interessa qual o caminho, mas o casamento com este vilão fora de série é certo e o caminho tem muita pujança na voz doce e nos riffs transversais deste projeto. Contraditório mas encaixa!

1 –  The National – Sleep Well Beast

No topo da nossa/vossa tabela estão os inevitáveis The National, e não esperávamos outra coisa na verdade. A banda de Matt Berninger é muito bem amada em terras lusas e não é ao calhas que já actuaram por cá umas 13 (!!) vezes, a ultima este ano no dia 28 de Outubro Lisboa. 

Sleep Well Beast é mais um disco cheio de baladas ao bem ao gosto dos The National que fazem tão bem, mas há uma variante que não há em relação aos outros álbuns e que na verdade perde um bocado, o conjunto de sopros que levaram tantas músicas a outro patamar e que acabaram por ser substituídos por uns sintetizadores aqui e ali.

Este álbum da equipa de Ohio é bastante maduro, não é qualquer pessoa que o ouve e consegue interioriza-lo pois é melancólico, honesto, politico, uma mistura de adjetivos para um só disco. 

“The System Only Dreams in Total Darkness” foi das primeiras faixas a serem mostradas na praça publica, e a verdade é que a muitos fãs da banda pode não ter entrado bem à primeira. Logo à partida tem um titulo bastante longo ao que nos habituaram, e com alguns elementos electrónicos, ate agora o oposto da banda, mas que acaba em gritos bem ao estilo de Matt.

Um álbum cheio de emoção que só nos apetece largar aquela lágrima quando ouvimos “Nobody Will Be There“ ou “Guilty Party”, de vez enquanto soa-nos a “About Today”.

Depois de 11 músicas e um turbilhão de emoções e em modo de despedida, ouvimos “Sleep Well Beast”, canção harmonicamente suave que nos convida a dormir com a beast e que isso possa dizer a cada um de nós?… deixamos a interpretação ao vosso critério!

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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