Tio B magistral (como sempre) e Cachupa Psicadélica uma surpresa refrescante – Sonoridades 2025 (1ª parte)

B Fachada, um dos mais sui generis artistas nacionais | Foto: Município de Santo Tirso

A oitava edição do Sonoridades ocupou novamente o Centro Cultural Municipal de Vila das Aves, tal como nas edições anteriores. Este ano aconteceu entre os dias 1 e 4 de maio. O início deu-se na quinta-feira, dia 1 de maio, aproveitando o feriado nacional em que se celebrou o Dia do Trabalhador.

A organização esteve ao encargo, como vem sendo hábito, da Câmara Municipal de Santo Tirso. Já a direção artística e produção coube à 1bigo – Artistas e Eventos, promotora também responsável pelo evento em anos transatos.

Este ano, pela primeira vez, o Sonoridades teve apoio do headLiner como Media Partner. O headLiner já tinha estado presente em ocasiões anteriores: nos quatro concertos realizados em 2024 e em dois na edição de 2023.

Dia 1 de maio – Cachupa Psicadélica

Ambiente bastante sereno na meia hora antecedente ao concerto de abertura do Sonoridades em 2025. A sala esteve bem composta e a maioria do público chegou mesmo em cima das 18:30h, horário previsto para o arranque do concerto de Cachupa Psicadélica. Foi bom regressar a este auditório tão acolhedor. Apesar de ser pequeno, reúne condições ideais para uma experiência bem apreciativa.

Lula’s, o responsável pelo projeto Cachupa Psicadélica | Foto: Município de Santo Tirso

Este ano, pela primeira vez, houve bilhética online através de um dos sites nacionais mais conhecidos na venda de ingressos. Devido a isso, igualmente pela primeira vez, teve-se de respeitar o lugar do bilhete.

Cachupa Psicadélica é o projeto de Luís Gomes conhecido também por Lula’s. O artista é originário de Cabo Verde da Ilha de São Vicente.

Ele que entrou em palco para uma introdução a solo. Mais tarde teve a colaboração de Renato no baixo e de Henrique Silva na bateria eletrónica e teclados. Este último é o fundador dos Acácia Maior.

Cachupa Psicadélica em formato trio | Foto: Município de Santo Tirso

Lula’s fez questão de frisar ter feito muitas milhas “para curtir” com o público em Vila das Aves. Notou-se que estava feliz pela presença. Ele que envergava uma T-shirt de Scuru Fitchadu, conhecido músico do panorama nacional. Este artista marcou presença, fez parte da comitiva.

O artista cabo-verdiano esteve muito comunicativo, com pequenas introduções e dizendo também o nome dos temas. ‘Último Caboverdiano Triste’ de 2015 e ‘Pomba Pardal’ de 2019, os únicos discos editados foram focados. Verificaram-se igualmente surpresas na parte final do concerto, mais à frente isso será abordado.

Houve também temas novos, como “Sinfonia de Uma Nova Merda”, interpretada logo na abertura. O prometido foi devido e a Vila das Aves ouviu canções novas cuja edição é esperada ainda no decurso de 2025.

Lula’s com boa disposição, para dar e vender | Foto: Município de Santo Tirso

Seguiram-se “Tornado Bispo” sobre o livre arbítrio, algo que o músico acredita fortemente, e “3/4 de Bô” acerca da relação do homem cabo-verdiano com a bebida.

O ritmo estava a chegar a um ponto mais preciso no qual as pessoas já mexiam o corpo e ficavam embutidas do espírito musical dos Cachupa Psicadélica. O som tem rock tem punk só que é algo mais aprimorado com aquele cheirinho sonoro de crioulo (tal como as letras) em que as cadências são de agitar os corpos à moda africana.

Henrique e Jhon proporcionaram o momento surpresa | Foto: Município de Santo Tirso

Dos temas já existentes foram também interpretados “Atê Dming”, uma canção que versa sobre saudade, e “Lambê Lambê”. Durante estas interpretações o público foi mais vibrante tendo até colaborado com palmas e expressões sonoras de agrado.

“Catá Borré” e “Paris – Marselha” foram duas pistas da discografia que há-de ser editada em breve.

Na parte final do concerto compareceu o brasileiro Jhon Douglas tendo colaborado nos temas de Cachupa Psicadélica de forma vocal. Além disso, Jhon em conjunto com Henrique, apresentaram o seu novo projeto: ARAPUCAGONGON.

Jhon o convidado especial e que deu tudo | Foto: Município de Santo Tirso

Nota de registo para o artista oriundo do Brasil, voltará ao Centro Cultural de Vila das Aves no próximo dia 17 de maio com o seu projeto a solo.

Esta foi a minha primeira experiência com este projeto e sai bastante satisfeito, mais do que contava.

Dia 2 de maio – B Fachada

O compositor, multi-instrumentista e produtor Bernardo Fachada fez a sua estreia no auditório do Centro Cultural Municipal de Vila das Aves com sala esgotada com mais de 24h de antecedência. A única atuação com lotação esgotada no certame deste ano. B Fachada já é possuidor de uma carreira de respeito no panorama musical nacional sendo por isso fácil de entender a adesão em grande.

B Fachada, um dos mais incríveis cantautores de Portugal | Foto: Município de Santo Tirso

Boa música entoava nos minutos prévios como, por exemplo, a “Renaissance” dos Best Youth por entre o frenesim da ocupação dos lugares e o burburinho das conversas que ressoava pela sala. Forte presença de um público adulto jovem num equilíbrio entre mulheres e homens.

Salvo erro, esta foi a terceira vez que vi o artista de Coimbra ao vivo. Acabou por ser surpreendente, foi a primeira em que desfrutei de uma atuação de Fachada totalmente ao piano. Não fez uso de instrumentos de cordas, nem de reverb ou de “caixinha” com batidas pré-gravadas. Somente voz natural e piano, num registo bem diferente das minhas experiências anteriores.

Ele que confessou, logo no início, que a “a viagem custou muito com chuva” porém demonstrou-se satisfeito por ver a sala preenchida e em modo festivo levantando os polegares dizendo “espetacular”.

B Fachada, artista lusitano oriundo de Coimbra | Foto: Município de Santo Tirso

O tema “responso para maridos transviados”, uma adaptação do Padre Fontes, e “Questões de Moral” foram interpretadas na abertura. Deram o tom apropriado. Como disse o artista serviram para “medir a temperatura do público e das mãos”. Num ato semi rebelde atirou o caderno que tinha consigo em cima do piano para o fundo do cenário dizendo “deitei fora o alinhamento”.

O seu curioso timbre permanece intacto bem como aquele seu jeitinho bem desengonçado. A atuação prosseguiu com um público bem efusivo e a fruir imenso da ocasião, deu para notar a presença de alguns fãs mais vorazes.

Outras que não faltaram no alinhamento foram “Crus” e “Lambe-Cus”,canções que fizeram soltar na plateia alguns risinhos e sorrisos devido às suas letras bem sui-generis.

B Fachada num concerto inteiramente ao piano | Foto: Município de Santo Tirso

“Só Te Falta Seres Mulher”,a primeira canção que fez para piano,foi uma das que B Fachada fez questão de interpretar. “Tó-zé” e “Deus, Pátria e Família” foram outras duas escolhas. O artista deu privilégio à sua discografia mais antiga, especificamente do álbum homónimo de 2009 e a ‘B Fachada é Pra Meninos’ de 2010.

Fica, como nota final, o facto de ele ter falado pouco. Costuma ser bem mais expansivo quando comunica.

A performance de B Fachada foi bem bonita tendo durado cerca de uma hora e 10 minutos. Para quem aprecia o seu “cancioneiro” e esteve presente foi com toda a certeza uma noite bem aproveitada.

B Fachada sempre muito extrovertido | Foto: Município de Santo Tirso

Nota adicional

Estranhei a ausência de um outdoor (como quem diz em português painel publicitário) ao festival Sonoridades num ponto nevrálgico da Vila das Aves. Estou a pensar na Rua da Ponte Nova / Avenida de Poldrães, zona privilegiada e de passagem de intenso trânsito, entre o concelho de Guimarães e Santo Tirso.

Creio que seria uma boa ideia para a próxima edição do evento ter este acrescento para conhecimento das populações mais próximas do Centro Cultural.

Já na sede do concelho, mesmo à entrada de Santo Tirso, na bem conhecida Rotunda De Frádegas, esteve um outdoor em ponto privilegiado.

Lula’s, Jhon e Henrique a proporcionarem momentos vibrantes | Foto: Município de Santo Tirso

Texto: Edgar Silva
Fotografia: Município de Santo Tirso / Fotos Oficiais

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.