PAUS no Teatro Narciso Ferreira: Com Calma dei Passos Largos à imensa vontade e disse YESS

PAUS no Teatro Narciso Ferreira: Com Calma dei Passos Largos à imensa vontade e disse YESS | Reportagem Completa

Quarteto PAUS em Riba D’Ave | Foto Casa das Artes de Famalicão

Reabilitado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, o Teatro Narciso Ferreira volta a ganhar relevo cultural após 20 anos encerrado. Reabriu as portas em 2022 e desde então, sob a batuta da Casa das Artes de Famalicão, tem proporcionado programação regular.

Situado em Riba D’Ave, na zona nascente do concelho de Famalicão, numa zona limítrofe com os concelhos de Guimarães e Santo Tirso tem o potencial de proporcionar programação à população local como de toda uma região.

Da música ao cinema passando pelo teatro o espaço ganhou nova vida. Numa fase inicial, de forma a captar o interesse da população, não cobrou pelas entradas. Passada essa fase todos os eventos passaram a ter bilhete pago. A parte boa disso? O custo dos ingressos é quase simbólico, por exemplo, este concerto dos PAUS do passado sábado, 26 de outubro, teve um preço normal de 4€. Uma pechincha!

A concentração de Fábio e Hélio | Foto Casa das Artes de Famalicão

Por dois motivos esperava uma boa adesão de público: por causa da banda não estar a fazer muitos concertos e pelo preço do bilhete. Infelizmente a ocupação não terá chegado às 100 pessoas, num espaço de plateia que terá lotação máxima para cerca de 500 pessoas. Mais uma vez, tal como em outras ocasiões, acho que o evento não terá sido tão amplamente divulgado, inclusive nas redes sociais da própria banda não houve grandes referências. Creio que ao nível da organização do Teatro Narciso Ferreira a comunicação pode melhorar.

Finalmente consegui ver um concerto por inteiro dos PAUS mais de 6 anos depois da primeira tentativa. Na altura no festival L’Agosto as coisas não correram bem por causa do sistema PA e a curtíssima atuação, por entre muitas dificuldades, acabou cancelada em cima do palco. Por isso esta oportunidade, tão pertinho de casa, configurava-se como irresistível.

Nas baterias siamesas tivemos Quim Albergaria e Hélio Morais. No baixo Makoto Yagyu e na guitarra e teclado Fábio Jevelim. Todos eles fizeram uso da sua voz ao longo dos diversos temas interpretados. Revelaram estarem felizes por esta estreia em Riba D’Ave, eles que existem desde 2009.

Hélio em conversa com o público | Foto Casa das Artes de Famalicão

Em 2023 este editou o álbum ‘PAUS e o CAOS’ e teve a colaboração de vários músicos: Iúri Oliveira nas percussões, João Cabrita nos sopros e Thomas Attar na guitarra e no saz. A banda quis executar um disco com “mais ritmo, stress, energia e informação” e tal foi conseguido com todas essas excelentes colaborações.

Apesar desta edição bem recente os PAUS não focaram a sua atuação neste álbum, só tocaram “Calma” e “Já Entrei Em Sítios Que Não Queria” logo na abertura do concerto e mais adiante “Da Boca do Lobo”. O quarteto revisitou alguns dos seus temas mais marcantes e durante 1 hora deu para curtir intensamente tema a tema.

O ponto diferenciador deste projeto são mesmo as duas baterias. Quim e Hélio postados frente a frente posicionaram-se na parte frontal do palco. Nota curiosa para o uso de ventoinhas por ambos os bateristas. Num nível superior ficaram Makoto, à esquerda e Fábio à direita. Este último, com a intensidade crescente que a atuação ia tomado, rapidamente abandonou o seu sobretudo. Já Makoto de camisa desabotoada curtia os sons balanceando o corpo e de sorriso por vezes largo. Estes quatro elementos fizeram uso das suas vozes ao longo de todos os temas.

Energia fortíssima e permanente dos PAUS | Foto Casa das Artes de Famalicão

A energia que ambos os bateristas colocam na performance é impressionante, algo que impressiona ainda mais quando se vê a atuação deles a meros 2/3 metros. Aquelas batidas frenéticas simultâneas nas baterias provocam um ritmo desorganizadamente coerente devidamente acompanhado pelos acordes precisos do baixo, da guitarra e do teclado. No som de PAUS pude captar influências diversas: do rock progressivo, ao krautrock até a resquícios de música africana. A veia experimentalista faz sempre parte e um concerto ao vivo de PAUS proporciona uma experiência complementar à audição dos seus álbuns.

“Luzia Veneno” e “YESS” foram tocadas e pertencem ao álbum ‘YESS’ de 2019 que remetem para um imaginário mundial de Lisboa, passando por Berlim e indo a São Paulo. Igualmente interpretadas “L123” e “Madeira”, do álbum com o nome desse arquipélago português, cuja inspiração foi mesmo essa belíssima ilha. Esta foi uma viagem pelos diversos álbuns do quarteto, outros temas incluídos na setlist e que valem a pena serem destacados são “Bandeira Branca” e “Passos Largos”.

Makoto e Quim em transição de temas | Foto Casa das Artes de Famalicão

“Pelo Pulso” foi o derradeiro tema interpretado e dedicado a um dos elementos da plateia que esteve bastante firme no seu pedido de “discos pedidos”. Acabou recompensado mesmo no final.

Apesar de não terem sido muitas as pessoas presentes, todas elas demonstraram estarem de corpo e alma. Durante toda a atuação a intensa interação do público com a banda e vice-versa ajudou imenso na criação de uma cumplicidade e auxiliou imenso na criação de um momento bastante aprazível para toda a gente.

Visão do ambiente | Foto Casa das Artes de Famalicão

Texto: Edgar Silva
Fotografia: Casa das Artes de Famalicão

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.