
A Revolve é uma editora e promotora musical, está sediada no berço da nação e é naquela cidade minhota que faz acontecer o festival o Mucho Flow anualmente desde 2013. Este ano realizou-se a 6 de outubro e estivemos novamente por lá, nomeadamente, pelo edifício negro do CAAA (Centro para os Assuntos da Arte de Arquitectura) que tem acolhido o evento de mãos e braços abertos. Um local que dista apenas a 3 minutos do belíssimo centro histórico de Guimarães, sendo portanto uma localização privilegiada.
A Rua Padre Augusto Borges de Sá sita mesmo em frente ao CAAA (Centro para os Assuntos da Arte de Arquitectura) teve, mais uma vez, a dupla missão de servir de zona de restauração/lounge entre concertos e de acolher o Palco Noc Noc. Este palco funcionou em parceria com o Guimarães Noc Noc, um evento multidisciplinar de cultura, que realizou-se nesse fim-de-semana de 5 a 7 de outubro.

Por volta das 16.30h já marcávamos presença assim como algumas dezenas de pessoas
curiosas com os concertos de entrada gratuita. Uma pequena surpresa aconteceu
com a alteração das duas primeiras atuações, Vaiapraia e as Rainhas do Baile tiveram a primazia da edição de 2018. O trio lusitano formado por Rodrigo, Shelley e Lucía demonstraram na sua performance as razões de estarem cada vez mais a serem notados. Começa logo pela atitude desgarrada e ligeiramente excêntrica de Rodrigo bem suportada pelas Rainhas do Baile na bateria e no baixo. A sua atitude quase crua funciona cum um puro reflexo das suas letras. Uma nova onda punk lusitana a fervilhar, certamente!

Outro projeto lusitano seguiu-se na manga gratuita do festival. Falamos portanto dos Huggs, banda ainda bastante recente no panorama musical. Ao vivo são um trio formado por Duarte, Jantónio e Guilherme (Ditch Days) deu muita boa conta de si nos curtos minutos em que nos tocaram as suas canções. Como não podia deixar de ser “Take My Hand”, o primeiro single não faltou. Um concerto no qual foram de poucas falas tendo deixado a sua comunicação a cargo dos seus temas e deixado uma boa impressão.

A partir das 18 horas abriram-se as portas do edifício e tivemos acesso à vertente pago do festival. Assistimos à estreia absoluta dos britânicos Ditz em Portugal no Palco Revolve naquele que foi o primeiro concerto marcadamente intenso deste Mucho Flow. O primeiro de vários! O som da banda é devidamente avassalador apoiado na pujança das guitarras e do contributo incrível da bateria. O seu Noise Rock/Post Hardcore abanou as fundações do edifício.

Em seguida aconteceu a abertura do Palco Super Bock com Hilary Woods, mais uma estreia em solo lusitano. A irlandesa de Dublin tocou a solo e apresentou-nos o seu repertório introspetivo e um tanto quanto minimalista deambulando entre o seu teclado e guitarra com recurso também à eletrónica.
O primeiro grande momento do festival aconteceu com a apresentação dos FIRE!, uma banda sueca liderada por Mats Gustafsson e alicerçada no portentoso som do seu saxofone. Tomou e dianteira demonstrou-nos todo o seu potencial numa performance ininterrupta e intensa.

A produtora belga SKY H1 fez também a sua estreia em solo nacional numa apresentação na qual mostrou-nos a sua música eletrónica meio atmosférica.
A segunda grande surpresa da noite aconteceu com Black Midi, outra estreia em Portugal. Chegaram com a reputação em alta por serem considerados “a melhor banda a tocar ao vivo neste momento em Londres” e sem dúvida foi um privilégio termos assistido a este concerto. A sala que aconteceu o Palco Revolve estava lotadíssima tendo o público ficado devidamente contagiado pela performance a acontecer diante dos seus olhos e ouvidos.

No pulo seguinte dirigimo-nos para Gaika. O britânico demonstrou com mestria o seu som Hip-Hip com uma profunda incorporação de elementos eletrónicos. O interesse por este concerto não foi dos maiores e nem foi de nossa parte um grande foco de interesse já que foge bastante ao core business daquilo em que o HeadLiner normalmente se foca.

Pela segunda vez em Guimarães estiveram os Mourn e conquistaram a audiência numa atuação irrepreensível, comunicativa e empolgante. O terceiro grande momento da noite! O quarteto vindo de Barcelona com o seu indie rock deliciou-nos e conseguiu angariar mais alguns fãs por terras vimaranenses. A interação com o público foi constante até ao
ponto de vozes por entre o público já na parte final terem pedido que comunicassem em castelhano e não em inglês…
O Palco Super Bock foi o escolhido para os DJ Sets de Nídia e DJ Lynce, atuações com que o Mucho Flow 2018 encerrou.
Como sempre, o festival apresentou-se com um cartaz arrojado e funcionou mais uma vez como uma espécie de incubadora de projetos musicais em clara ascensão de notoriedade. Tanto com talentos emergentes da cena nacional como da cena internacional. Este ano não fugiu á regra e apresentou-nos um cardápio de bandas e artistas europeus num invejável desfilar de puro talento.
Retemos com bastante satisfação as incríveis performances de FIRE!, Black Midi e Mourn como os pontos altos da edição de 2018. Valeram totalmente o valor do bilhete podendo nós afirmar que os 10€ são, sem margem para dúvidas, uma pechincha nos dias de hoje.
A Revolve tem vindo a fazer um trabalho consistente e a prova é que este Mucho Flow teve lotação esgotada e um interesse acima do normal por entre aqueles que estão mais atentos ao universo musical emergente. O festival definitivamente está a entrar na sua idade mais adulta devidamente credenciado e com o seu lugar ganho.
Na parte 1 – Galeria de fotos : clicar aqui
fotos dos concertos de Vaiapraia e as Rainhas do Baile // Huggs // Ditz // Hilary Woods // Fire!
Na parte 2 – Galeria de fotos : clicar aqui
fotos dos concertos de: SKY H1 // Black Midi // Gaika // Mourn
Texto:
Edgar Silva
Fotografia:
Jorge Nicolau
