Happy smile! A primavera deu um ar de sua graça – O dia 2 do NOS Primavera Sound 2018

Thundercat em palco – Créditos © Hugo Lima // NOS Primavera Sound

No dia de abertura do NOS Primavera Sound tivemos um pronunciado susto com a meteorologia e a iminente ameaça de chuva durante todo o dia revelou-se apenas isso: uma ameaça que durou até ao arranque dos concertos.

Ao segundo dia porém as coisas revelaram-se bem diferentes. O clima sorriu de forma meio envergonhada, o sol até brilhou por entre as nuvens e felizmente tivemos a primavera a dar um ar de sua graça! Toda a gente agradeceu e foi então altura de gozar ao máximo do festival portuense, basicamente de fazermos a nós próprios um grande favor.

image

O recinto do festival – Créditos © Hugo Lima // NOS Primavera Sound


Nota essencial: fizemos um roteiro bem específico para cada dia, escolhendo as bandas a ver baseando-nos nos gostos da equipa e naquilo que são as linhas mestras do HeadLiner:
Indie, Rock e Alternativo.


Solar Corona

Começamos a nossa longa jornada no Palco Seat com os barcelenses Solar Corona, na
formação actual contam nas suas fileiras com José Roberto Gomes músico conhecido por fazer parte igualmente dos Killimanjaro. O stoner rock que este quarteto apresentou a um público bem atento foi de qualidade…

A ausência de voz permitiu a toda a “rockalhada” imanada das colunas ter uma mais
intensidade às canções.

image

José Gomes dos Solar Corona – Créditos ©Hugo Lima // NOS Primavera Sound

O sol, como concordante, brilhou e iluminou esta performance. Raios de sol que
aqueceram mais todos os festivaleiros que optaram por este palco.

Logo ali na audiência, como no dia anterior, registamos a presença de músicos conhecidos como foram os casos dos bracarenses Grandfather’s House ou dos The Poppers.

Idles

Com várias bandas que puxavam forte pelo nosso interesse decidimos ver 15 a 20 minutos da maior parte das performances seguintes. A primeira deste mini roteiro foram os britânicos Idles. Com eles veio o punk rock, sem nenhumas reservas, ficou devidamente à solta em pleno Parque da Cidade do Porto. O vocalista Joe Talbot tratou rapidamente de se pôr à vontade com uma postura punk digna dos anos 70.

image

Joe Talbot dos Idles – Créditos © Hugo Lima // NOS Primavera Sound

Em frente ao Palco NOS tiveram bastantes fãs na audiência com uma predominância natural de britânicos. O público realmente correspondeu em grande número aproveitando deste modo o lindo final de tarde que tivemos.

Aquilo que vimos e ouvimos foi simplesmente pujança punk em todo o seu confuso e
arrebitado esplendor.

image

Visão do Palco NOS durante o concerto dos Idles – Créditos © Hugo Lima // NOS Primavera Sound

Amen Dunes

A excepção deste já descrito mini roteiro foi o concerto dos Amen Dunes. Conseguimos ver quase na totalidade o projecto de Damon McMahon. Era uma das bandas que tínhamos sinalizado com um interesse maior.

O álbum ‘Freedom’, o quinto álbum do projecto Amen Dunes, foi o grande motivo para estarem em tournée e que chegou assim ao Porto (em boa hora, afirmamos nós) para o seu último capítulo.

Damon McMahon revelou que mais de metade das canções foram escritas em Lisboa e por isso que tinha muito prazer em estar a apresenta-las ao vivo em Portugal. Ele bem conhece o nosso país, já deu concertos em Guimarães e Lisboa tendo até realizado uma residência na capital.

Num concerto com canções bonitas e bem trabalhadas decidiu tocar uma “canção com 4
anos” na introdução a “Splits are Parted”. Em “Freedom” confessa ser o tema mais lisboeta que escreveu, para em “Miki Dora”, numa interpretação sentida ter tido um óptimo acolhimento pelo público. Trata-se da canção actualmente mais exposta deste
projecto.

Zeal & Ardor

Os Zeal & Ardor estiveram em palco numa disposição em força total com 5 dos seus elementos alinhados mesmo à frente. Atrás apenas ficou o baterista. Todos estiveram vestidos de negro, algo numa clara definição de atitude.

Disseram desde logo que não iam falar muito e esperavam que o pessoal não se importasse muito com isso. Pelas reacções, na audiência tiveram alguns fãs da banda, o que pretendiam era mesmo que começassem a tocar.

O maior elogio que lhes podemos fazer é que é invejável o seu “poder de fogo”. Navegam
pelo rock experimental e pelo black metal o que desde logo dá para ter uma ideia (genérica vá) do som da banda. Dos minutos que assistimos ficamos com uma impressão positiva.

Mattiel

Vindos de Atlanta na Geórgia (da terra do Tio Sam portanto) o trio Mattiel liderado pela bonita, intrigante e baixinha vocalista Mattiel Brown proporcionou-nos uma onda tipicamente rock que nos criou boas sensações.

“Whites of Their Eyes” foi o tema que nos abriu o universo dos Mattiel despontando-nos a curiosidade o que fez com que tivéssemos obrigatoriamente de os ouvir no Palco Seat. Não foi tempo perdido e será uma banda à qual estaremos mais atentos.

image

Mattiel Brown em palco – Créditos © Hugo Lima // NOS Primavera Sound

Para nós é nisto que os festivais são férteis. Há novas bandas a descobrir (e outras
não tão novas igualmente) e apenas temos de nos dispor ao risco de ouvirmos e
gostamos.

image

Visão do Palco Seat durante o concerto de Mattiel – Créditos © Hugo Lima // NOS Primavera Sound

The Breeders

A histórica banda de Kelley Deal chegou ao porto como um dos pontos âncora do dia 2 do NOS Primavera Sound 2018. O rock alternativo dos The Breeders é de altíssimo nível e por isso não foi de espantar a enorme afluência a este concerto. Foi o final de tarde mais bonito dos 3 dias. O céu esteve azul a espaços e o sol brilhou assim como a banda em palco.

Deu para uns momentos de revivalismo dos anos 90 muito bem aproveitado pelas faixas etárias dos quarentas e cinquentas espalhadas ao longo da encosta verde e seca. Pais e filhos (uns mais crescidos que outros) partilharam o momento sendo que alguns “rebentos” até brincavam alegremente. Um cenário que não se vê em mais nenhum dos festivais de maior dimensão.

image

Kelley Deal das The Breeders – Créditos © Hugo Lima // NOS Primavera Sound

Existiu
uma ligação entre banda e público sublimado à passagem de “Cannonball”, aquele brutal
hit que ainda se houve hoje com o mesmo feeling. A ovação foi digna, ruidosa e
merecida de parte dos The Breeders.

Sem dúvida, proporcionaram um belo final de tarde, no qual as pessoas puderam usufruir sentadas do show de modo tranquilo e conseguindo “piquenicar” ao mesmo tempo.

image

The Breeders em palco – Créditos © Hugo Lima // NOS Primavera Sound

O que menos gostamos: Grizzly Bear

Regressamos ao Palco Seat para vermos os Grizzly Bear, banda à qual tínhamos um
melhor conhecimento e por isso nos suscitava uma maior motivação.

Esta formação conta com Edward Droste na voz e teve a companhia de Daniel Rossen, Chris Taylor e Christopher Bear (os outros 3 habituais membros). São uma banda oriunda de Nova Iorque. Vieram apresentar o álbum ‘Painted Ruins’ lançado no ano passado.

image

Grizzly Bear em Palco – Créditos © Hugo Lima // NOS Primavera Sound

O seu estilo enquadra-se num indie rock porém formatado à sua medida. O som dos Grizzly Bear enquadra-se na nossa onda musical preferida porém não conseguimos mergulhar numa fase inicial… Certo é que tal não foi o que a maioria das pessoas sentiu e verificamos uma forte simbiose entre o público presente e a banda norte-americana. Muito desse público era fã. Andamos lá pela parte frontal e constatamos isso mesmo.

Superorganism

São uma das actuais novas sensações da música a nível mundial. Chamam-se Superorganism e são compostos por 8 elementos. Como já não bastasse tanta gente em palco, o seu espectáculo é fortemente visual com telas a projectarem vídeos em todas as canções.

Orono Noguchi é a voz principal da banda e ponte comunicativa com o público. Perante uma plateia cheia apresentou-se vestida com um casaco do tipo impermeável (à distância dava essa ideia) e num tom fluorescente. Portanto não passava de modo algum despercebida…

A força e a alegria com que se apresentaram em palco foi extraordinariamente contagiante e o seu indie-pop / synth-pop / electro-pop não deixou ninguém indiferente. Mesmo a mais pacífica pessoa da assistência deu, de certeza, um passito de dança.

Têm duas canções que sobressaem a todas as outras que fazem parte do álbum de
estreia e homónimo lançado em março passado. Ambas foram as últimas a serem tocadas.

“Everybody Wants to Be Famous” foi cantado em uníssimo num momento muito bonito e
sentido de forma especial por toda a gente. Para um final em apoteose apresentaram “Something for Your M.I.N.D.”, a outra canção que é falada por toda a gente.

No final Orono Noguchi veio ao fosso ecumprimentou fãs de uma ponta à outra.

A maior surpresa: Thundercat

A nossa maior surpresa do dia foram os Thundercat, o projecto do músico Stephen Lee Bruner. Acompanhado por um teclista e um baterista apresentou-nos as suas canções num ritmo frenético e diabólico cujo som é uma amálgama de estilos que vai do jazz
ao funk, do soul à R&B e à electrónica…

Durante 1 hora só por momentos nos deixou respirar… Como, por exemplo, quando numa das pausas dedicou o seu set ao chef Anthony Bourdain, cuja morte foi conhecida manhã cedo. Disse que ele “era um tipo bom”.

image

Stephen Lee Bruner dos Thundercat – Créditos © Hugo Lima // NOS Primavera Sound

Incrível a maneira como Stephen Lee Bruner maneja a guitarra e o faz com um à vontade que fará com que muitos chorem… Dizemos isto num muito bom sentido, pois claro!

Tínhamos curiosidade e apostamos neste concerto e foi, sem dúvida, uma aposta vencedora. Será, a partir de agora, mais um artista ao qual estamos atentos.

image

Thundercat e a sua banda – Créditos © Hugo Lima // NOS Primavera Sound

A estrela do dia: Unknown Mortal Orchestra

Continuamos pelo Palco Pitchfork para o nosso 3º concerto consecutivo neste recinto para fecharmos a nossa noite com o nosso “prato forte” do dia. Para vermos e ouvirmos os UMO, como quem diz: os Unknown Mortal Orchestra.

Somos fãs inveterados da banda do neozelandês Ruban Nielson e por isso não poderíamos faltar a esta chamada. Até conseguimos ver o concerto lá bem na frente junto à grade! Esteve totalmente preenchida a plateia.

Durante 1 hora tivemos direito a algumas das novas canções, incluídas no recente registro discográfico ‘Sex & Food’, álbum lançado já durante este ano. Para nossa desilusão uma das novas não foi tocada, referimo-nos a “If You’re Going to Break Yourself” e ficamos um bocadinho desapontados por isso.

Ainda assim o concerto foi muito bom e desfrutamos ao máximo. Logo à segunda canção “From The Sun” Ruban Nielson decide surfar pelo público e dá show pelo fosso. Esteve hiper interactivo com as pessoas e não se furtou ao contacto com os seus fãs.

Em “Multi-Love” surgiu um irresistível coro para um dos mais bonitos momentos da performance dos UMO. Tal como já registado em “So Good At Being In Trouble”.

“Hunnybee” e “Everyone Acts Crazy Nowadays” foram as canções tocadas de seguida para termos no final “Can’t Keep Checking My Phone”, uma espécie de clássica canção.

Ruban Nielson ainda volta atrás quando ia a sair, no entanto, foi só para levar consigo a garrafa (contendo o seu liquido preferido da ocasião) que trouxe consigo e aproveitou para brindar o público. Aproveitamos e fazemos daqui também um brinde à performance da banda. Ninguém terá ficado insatisfeito por este concerto, pelo menos, dos fãs da banda acreditamos que não.

Texto:
Edgar Silva


Fotos:
Hugo Lima // NOS Primavera Sound

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

Ainda sem comentários

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.