
Tiago Martins dos Gator, the Alligator // mais fotos no nosso Instagram
O tempo invernal chegou mesmo a tempo de presenciar uma outra tempestade: a tempestade de rock que chegou ao ferro Bar, denominado de Gumba Lumba Fest. Ao longo de três dias, esta tempestade não só acompanhou a chuva e as baixas temperaturas,
como invadiu três salas diferentes, no Porto, em Aveiro e Braga.
Os responsáveis por este fenómeno foram os Gator, The Alligator que em parceria
com a gig.Rocks! decidiram assim celebrar os seus 4 anos de banda com um
festival itinerante. Com eles levaram para a festa os conimbricenses Mike Vhiles,
os portuenses Big Summer e ainda os fafenses El Señor.
Na noite de 29, a banda de Fafe El Señor ficou fora da convocatória, apenas se juntando a
esta festa na data de encerramento, no dia 31 no barhaus em Braga. A chuva
fazia-se sentir intensamente em todos aqueles que subiam a rua escorregadia que
acompanha a estação ferroviária de São Bento, com destino ao ferro Bar. Lá
dentro a temperatura era outra, não chovia uma pinga, mas a tempestade era
outra.

O baterista dos Gator, the Alligator no fundo // mais fotos no nosso Instagram
Passava sensivelmente 30min da hora marcada, quando esta temporal de rock se começou a fazer sentir. Os corajosos que enfrentaram a chuva forte lá fora, foram-se
aproximando e começando a preencher a sala de concertos aos poucos. No palco
apresentou-se a banda vinda diretamente de Coimbra, Mike Vhiles, com Miguel Vale nas vozes e guitarra, André Figueiredo no baixo e Vilaxxx na bateria.
O trio veio com o seu EP de estreia na bagagem, ‘Acid Reflux’ lançado em novembro do ano passado. Mesmo não conhecendo muito esta banda de Coimbra que começa a dar os
seus primeiros passos por estas estradas, não era de esperar que os decibéis ficassem muito mais abaixo do som que os seus compatriotas, Gator, The Alligator, apresentam. O baterista envergava uma t-shirt dos King Gizzard & The Lizzard Wizzard, antecipando a distorção sonora que ai vinha. Sem merdas e sem pedir licença, a banda começa logo a rasgar as suas malhas pelos nossos ouvidos adentro, com uma atitude e energia que já tínhamos saudades a assistir.
Com umas expressões que por vezes nos fazia lembrar Stu Mackenzie, o vocalista e guitarrista Miguel Vale carregava nas cordas da guitarra e expressava-se de tal modo que nos fazia viajar no som da banda à sua cadência. No baixo André balanceava com o seu instrumento ao som dos acelerados BPMs não deixando ninguém indiferente à sua pujança e dedicação com que dedilhava nos poucos metros quadrados que disponha.
Uma banda que chegou-nos em plena pandemia mas que promete fazer-se ouvir nos
próximos anos e talvez reavivar os anos dourados do rock conimbricense.

Miguel e André dos Mike Vhiles // mais fotos no nosso Instagram
A noite ia cada vez mais longa, a chuva também, mas as pessoas continuavam a chegar e a compor cada vez mais a sala de concertos com tanto de industrial como de rustico, do ferro Bar. Praticamente à hora marcada, os Big Summer continuavam esta enxurrada de
rock. A banda que jogava em casa, são também uma das bandas mais experientes da
noite, com um primeiro trabalhado editado em 2013 e já com uma passagem no
palco do Primavera Sound, em Barcelona.
O projeto de Vasco Batista editou recente o seu EP intitulado de ‘Dead Royalty’, e após grande parte da sua vida entre Barcelona e Londres, o artista regressa a Portugal onde viu nascer este novo trabalho discográfico. Após 4 anos de hiato, o trio, como se apresenta agora, veio a este Gumba Lumba Fest mostrar-se a um público mais jovem, muito por culpa da base de seguidores que os Gator, The Alligator vão trazendo consigo. Com um som menos fuzzy e mais dreamy, a banda ofereceu naquela noite um rock mais introspetivo, com os decibéis mais baixos, trazendo um pouco de serenidade naquela louca tempestade de rock. O seu showgaze a fazer lembrar nomes como DIIV ou Toy, ia deliciando a sala que se compunha por muitos fãs da banda, não estando a tocar na sua cidade natal.

Big Summer em palco // mais fotos no nosso Instagram
A forte precipitação não dava tréguas lá fora, mas cá dentro, a previsão meteorológica não ia para melhor. Com o aproximar da meia-noite, a banda aniversariante ia atravessando a
sala que já se encontrava muito bem composta, subindo ao pequeno palco à hora marcada. O fuzz, a distorção e o rugir das guitarras iam-se fazer ouvir. A banda de Barcelos tinha editado no passado ano de 2020 o seu 2º longa duração ‘Mythical Super Bubble’, em plena pandemia, e com ele apresentações do mesmo, mas com plateia reduzida, sentada, algo que nunca se quer num concerto de rock. Agora, o quarteto pôde não só apenas festejar o seu 4º aniversario como trazer amigos, convidados e principalmente liberdade, às venues que ansiavam pelos corpos dançantes.
O nome deste pequeno festival itinerante remete-nos para o mundo criado na 4ª faixa do disco ‘Mythical Super Bubble’, intitulada de “Gumba Lumba World”. Agora, podemos vê-lo e senti-lo ao vivo. Sempre explosivos nas suas atuações ao vivo, o pequeno palco do ferro Bar tornou-se quase claustrofóbico para aqueles 4 jovens que fervilhavam e que sentiam cada batida do pedal da bateria em uníssono. Os longos cabelos compridos do baterista
Filipe Ferreira, do vocalista Tiago Martins e do baixista Ricardo Tomé, balanceavam-se ao som dos BPMs e dos solos infindáveis da guitarra de Eduardo.

Gator, the Alligator em palco // mais fotos no nosso Instagram
O Gumba Lumba Fest seguiu para o Avenida em Aveiro e terminou em Braga no Barhaus naquele que foi uma bela festança de comemoração dos primeiros 4 anos dos Gator, the Alligator. Muitos parabéns e que continuem a trazer-nos muitas grandes malhas nos próximos anos!
A previsão meteorológica estava correta. Uma tempestade sem fim com frio, chuva e muito rock.

Reunião de família no final // mais fotos no nosso Instagram
Tivemos um enorme gosto em ser Media Partner deste evento e agradecemos à gig.rocks pelo convite.
Fotos: João Machado
Texto: Luís Silva
