A banda bracarense Quadra é o nosso Foco HeadLiner aos Talentos Emergentes nesta que é o 8º especial que estamos a apresentar! Surge a poucos dias do concerto que irão dar no Plano B, concerto que conta com o HeadLiner como Media Partner.

[foto: João Machado @ Indie Music Fest | montagem: Ariana Amorim]
Apresentação
Os Quadra, projeto instrumental formado por Sérgio Alves (baixo), Gonçalo Carneiro (guitarra), Hugo Couto (bateria), Sílvio Ren (guitarra) e Lucas Palmeira (sintetizadores) editaram em Abril o seu primeiro disco de estúdio, “Cacau”, a dar seguimento ao EP homónimo que os fez tornar uma banda nacional revelação de 2017.
Quadra é um local imaginário onde a convergência de estilos musicais e a flexibilidade de fórmulas de construção musical são o combustível perfeito de uma sonoridade intensa, vibrante, poderosa e muitas vezes capaz de transformar qualquer ouvinte num inesperado bailarino.
Entrevista aos Quadra
HeadLiner: Nos últimos 5 anos a cena musical não só bracarense, mas de Portugal, tem tido um crescimento brutal surgindo muitas e diferentes bandas. O som dos Quadra consegue distinguir-se de praticamente tudo o que ouvimos feito em solo luso. O que marca o vosso som? Foi pensado nesse propósito, de se fazer algo inovador?
Quadra: Agrada-nos e orgulha-nos que sintam isso, quando iniciámos o projecto um dos objetivos era claramente fazer música instrumental que não seguisse o padrão do que é feito principalmente nos estilos que albergam a música instrumental no “rock”. Falámos obviamente dos modelos de post-rock stoner-rock instrumental etc, que se baseia claramente no modelo intro-climax-relaxamento. No fundo o objetivo sempre foi de construir canções, algo que não é propriamente convencional na música instrumental.
HeadLiner: ‘Quadra’ foi o vosso 1º trabalho discográfico. Agora, 1 ano depois, a banda sofreu umas pequenas alterações e daí surgiu o ‘Cacau’, 1º longa duração no qual transportaram 4 músicas do 1º EP, no entanto com um arranjo bem mais tropical e menos “dark”. Um “turbilhão de sabores e aromas por entre loops e solos cheios de cor” como já o descrevemos. Esse som teve influência dos novos elementos?
Quadra: Sim, por toda a conjetura que se apresentou após o EP foi um processo natural de percepção que a sonoridade que queríamos alvejar não estava totalmente representada no EP. No fundo foi a aprovação do conceito que precisávamos para progredir e evoluir dentro da nossa identidade. Passámos por 2 fases complicadas em curto espaço de tempo, perdemos o Vasconcelos das teclas e entraram dois guitarristas ( Mário e Márcio) que acabaram por nos acompanhar pela Galiza e outros concertos por cá em Portugal. Depois incongruências na linha sobre o que Quadra representa ou procuraria objetivar levaram à saída dos dois elementos, o que nos levou para uma segunda fase complicada. Muitas das vezes as coisas resolvem-se por linhas tortas e foi este destino que nos levou a encontrar o Lucas (teclas) e o Gonçalo (guitarra) que sentiram desde o início o que Quadra deveria ser e trouxeram de forma convergente com os restantes elementos este ar livre descomprometido, intenso e alegre que Quadra possui.
HeadLiner: O vosso primeiro EP ‘Quadra’ andou numa linha a rondar Battles
e o Jojo Mayer/Nerve, certo? O ‘Cacau’ tem um som bem mais ritmado, dançável,
algo com mais cor. O que ouviram durante o processo criativo do álbum? A que
bandas/artistas o associavam caso desconhecessem o autor?
Quadra: Battles e Jojo Mayer/Nerve no fundo foram as influências que levaram ao desenvolvimento de Quadra, e o EP é resultado disso, temos drum/bass , jungle, post rock , etc numa onda dark e misteriosa. Quisermos cortar essa atmosfera e passar o que realmente somos e procurámos passar ao ouvinte. Rejeitamos a melancolia, ironia e os sentimentos mais de auto-questão e procurámos mais o êxtase e a liberdade de sentimentos mas sempre no registo positivo. Sinceramente não sabemos responder a essa questão, nós temos essas influências e os ouvintes mais rodados musicalmente associam-nos facilmente , mas o math-rock foi a primeira associação fácil que se pode fazer para o EP. Sobre o ‘Cacau’ achámos que demos o salto e fizemos algo único e especial que um miúdo daqui a 10/20 anos ouvirá e sentirá que estes gajos estavam a puxar a corda e a quebrar algumas barreiras. Pensar isso deixa-nos confiantes que estamos no caminho certo. Durante a criação do álbum para além dos já referidos e falando por todos , por exemplo, Vulfpeck , Linda Martini, And So I Watch From Afar, mas como irás perceber no próximo álbum, muita música electrónica que entrou já no ‘Cacau’ mas que irá rebentar sem máscaras no próximo álbum.
HeadLiner: Já temos ouvido que a receção ao vosso álbum foi bastante positiva, mas o que queremos saber é se nos vossos concertos têm essa mesma receção em relação ao publico. Eles conseguem ser realmente uns bailarinos inesperados?
Quadra: Estamos muito gratos pela receção que temos tido ao vivo. Muitos perguntam como contrariar a inexistência de um vocalista para criar empatia, no entanto, esta empatia passa por várias formas no nosso caso, seja visualmente pelos movimentos corporais e pelo que damos em palco mas também pela sonoridade que leva a bater o pé abanar a cabeça ou abanar os ombros e a anca. Temos exemplos fantásticos como o Sofar Sounds em Coimbra que cometemos a blasfémia de não tocar até o pessoal se levantar, algo que contraria o suposto do evento (risos) e o Indie Music Fest em que foi certamente o momento em que percebemos o que queremos para 2019.
HeadLiner: Ao falar de Quadra, com tão pouco tempo de carreira, é inevitável falar da vossa atuação no Festival Paredes de Coura. Como surgiu o convite e qual foi a vossa reação a essa confirmação?
Quadra: É um história muito engraçada e vai ficar para sempre como um dos melhores actos de marketing de guerrilha que alguma banda fez. Sem entrar em muitos pormenores (risos) um elemento de Quadra sabendo que estava presente uma pessoa muito importante da organização colocou o telemóvel com um live set de Quadra para visualização, sem hipóteses de recusa, obrigando a assistir e a ter uma resposta como “hum, isso na relva este ano era porreiro”. Isto foi já para o 2017 e na altura do EP mas já era um pouco em cima da hora e naturalmente o ‘Cacau’ saiu. O trabalho foi desenvolvido e outras relações mais institucionais foram criadas através do nosso agente e todos foram importantes no avanço da proposta. Ficámos muito felizes e nunca esqueceremos esse belo concerto.
HeadLiner: Em jeito de antecipação, o que podemos esperar do vosso próximo concerto no dia 16 no Plano B?
Quadra: Festa, boa disposição, liberdade para baloiçar o corpo ou abanar a cabeça dependendo do gosto pessoal. Esperem o ‘Cacau’ na íntegra e músicas novas.
HeadLiner: Com um ano tão preenchido como foi este, desde à edição do 1º álbum até à presença em inúmeros concertos e grandes festivais, o que está previsto que nos possam revelar para 2019? Haverá uma tour europeia? (risos)
Quadra: Temos já preparado álbum novo para sair em 2019. Será o 3º ano consecutivo com lançamento. Achámos que Quadra ainda está a montar o seu ADN e queremos fazê-lo já em 2019. Esperem uma marcação ainda mais definida na música de dança e um espetáculo que bem poderia estar num Lisbon Dance Festival, um Boom festival , Paredes de Coura às 2 da manhã ou inserido num painel bandas e ou Dj´s de música eletrónica. Estamos muito confiantes que vamos ainda confirmar o nosso posicionamento na música intensa, alegre, vibrante, dançável e de bom gosto. Estamos a pensar em participações, a ver ainda. Tour europeia está por enquanto posta de lado, mas depois de 2019 possivelmente não iremos gravar nada tão cedo e vamos concentrar-nos em pôr Quadra na boca de toda a gente.
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