Foco headLiner aos Talentos Emergentes #21

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~Introdução a O Marta

Algures na Beira Alta, nasce uma nova forma de conviver com a tradição. Por trilhos percorridos que vão desde o indie à eletrónica, O Marta, projeto a solo de Guilherme Marta, volta-se agora para as terras da sua infância, entre São Pedro do Sul e Arnas, numa redescoberta da sua aura. Seja a compleição da percussão tradicional, os viscerais cantos polifónicos da região beirã ou as carismáticas melodias de guitarra, O Marta respira nova vida ao encontro moderno do indie rock com o folclore português.

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‘Ó moça! É folclore’ é o disco de estreia de O Marta que promove uma abordagem contemporânea à música tradicional portuguesa.

Neste disco, encontrou na tradição um reflexo da sua essência enquanto músico e cantor, que lhe permitiu criar uma mistura sonora de ritmos típicos de Portugal, com harmonias vocais polifónicas que relembram não só os cantares portugueses como os do leste europeu, sempre unidos numa base bem trabalhada de indie-rock. Com canções sobre tantos temas, desde as inquietações da existência até aos problemas da sociedade, O Marta não se esquece de enaltecer as mulheres da sua vida utilizando-as nas suas obras como musas.

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~ Entrevista a O Marta

headLiner: Antes de mais, parabéns pelo disco, uma experiência auditiva
diferente, cheia de diferentes texturas, e ainda por cima em língua portuguesa,
é de salientar sempre isso.

De facto, esta experiência auditiva quase nos leva numa
viagem pelo interior mais rural de Portugal. És oriundo de Viseu, cidade da
Beira Alta. Em que ponto isso se refletiu na sonoridade deste disco?

O Marta: Antes de mais, muito obrigado por
me convidarem a falar um pouco sobre este meu álbum de estreia. Eu como
produtor sempre procurei encontrar sons com texturas especiais, gosto bastante
de explorar novos instrumentos, novas sonoridades e tenho uma grande panca pela
gravação, o que me torna também super curioso e interessado em gravar novos instrumentos,
muitas vezes não explorados neste contexto mais de indie rock/pop. Esta minha
vontade de explorar também me levou a querer conhecer e a relembrar as
sonoridades tradicionais da região beirã, por isso, sim, reflete-se obviamente
na minha música porque também foi esse o ponto inicial deste projeto: as vozes
polifónicos da beira alta. Foi a partir daí que comecei a criar uma nova sonoridade
que também contemplasse o que eu gosto de ouvir como o indie, world music e algum
rock’n’roll (riso).

headLiner: O título do disco ‘Ó Moça! É Folclore’ acaba por invocar
dois elementos centrais neste processo criativo. Primeiramente ‘Moça’, como
elemento feminino predominante não só a nível vocal, mas também com uma forte
presença lírica. De facto, a presença feminina teve um impacto naquilo que és
hoje como ser humano e como artista?

O Marta: Sim, é verdade, este álbum foi dedicado
às mulheres da minha vida e isso nota-se nas letras. Grande parte do meu crescimento enquanto pessoa e artista deve-se
a elas, portanto fez todo o sentido para mim invocar a mulher para este meu
álbum e com isso abordar alguns temas que me inquietam na sociedade portuguesa.

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headLiner: Depois, o segundo elemento ‘Folclore’, que é bem audível em
todo o disco. Invocas diversos instrumentos tradicionais, como a flauta, a
trompete, a cabaça, o bombo, é bastante rico a esse nível. Como foi o processo
criativo? Tiveste de consumir muita música tradicional durante a pandemia?
(risos)

O Marta: Sim (riso), a plataforma chamada “Música Portuguesa A Gostar Dela Própria”
foi uma das responsáveis, indiretamente, desta minha vontade em pegar nas vozes
polifónicas da Beira. Permitiu-me explorar e relembrar os cantares desta região
e conhecer muito mais do que conhecia da música tradicional portuguesa e, para além
das vozes, fiquei perplexo com a quantidade de instrumentos tradicionais que
existem ainda muito por explorar num contexto mais de música alternativa e não somente
num contexto de música tradicional.

headLiner: Em “A Mulher Beirã” tiveste a colaboração d’As Vozes de Manhouce.
Pensaste neste disco, ter alguma colaboração de algum grupo folclórico e dar
uma componente ainda mais tradicional?

O Marta: As Vozes de Manhouce apenas participaram no videoclipe, mas gostaria imenso
de um dia as poder gravar. Vou dar um pequeno spoiler, isso poderá acontecer em
breve (riso). Gostei imenso de estar com elas e elas abraçaram bastante este
projeto, por isso, não vejo porque não. Para além destas belas vozes existem
outros ranchos que adoraria gravar para um eventual novo álbum, porque ninguém canta
como estas mulheres. Um dos ranchos que gostaria muito de gravar seria o rancho
de folclore das Arnas que é a terra da minha mãe e da minha avó, onde gravei o
meu primeiro videoclipe do single “Quando o corpo não te convém”.

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headLiner: Uma das curiosidades que divulgaste, foi que inicialmente este disco
era para ser um EP. Acabaste por fazer muitas outras e surgiu então um LP
composto por 8 músicas. Isto foi consequência boa da pandemia?

O Marta: Podemos dizer que sim (riso), eu tenho um problema que às vezes se pode
ver como um benefício. Tenho muita ansiedade quando não estou a criar, portanto
tenho de estar constantemente a fazê-lo, no entanto, por vezes não o fazia,
porque não passava muito tempo em casa, o que a pandemia me obrigou a fazer.
Foi depois muito difícil ter de escolher apenas 8 músicas, porque acabei por
fazer mais, à volta de 20. Podem ouvir algumas dessas que ficaram excluídas ao
vivo.

Outra curiosidade é que também uma das razões de terem sido 8
músicas foi porque nasci dia 08/08/1998 então o 8 é um número que faz parte de
mim, praticamente todas as músicas do álbum têm também o número 8 no BPM.

headLiner: Apresentas-te neste projeto como uma pessoa, O Marta, mas quem ouve
este disco facilmente percebe que ao vivo isto pode escalar para outras
dimensões. O que poderemos esperar de um concerto d’O Marta?

O Marta: O meu concerto é composto por mais 5 elementos, porque obviamente eu
tenho muitos instrumentos quando toco ao vivo. A Francisca Tadeu é a flautista
e também canta, a Sara Machado toca violino, guitarra e também canta, o Gonçalo
Cabral
é o baterista, o Leonardo Patrício é o homem das teclas, canta e para
além disso misturou e masterizou o meu álbum e o Pedro Novo é o baixista que
também faz percussões e canta. Por isso, seria impossível tocar estas minhas
músicas sem estes músicos incríveis e que tornam a performance super rica e
intensa.

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headLiner: Nos últimos anos, temos vivido um renascer das tradições, desde o fado
com os Fado Bicha, o Conan Osiris ou mesmo a própria Ana Moura,
passando pelas raízes mais tradicionais/folclore, como a Meta, a Bia
Maria ou mesmo agora O Marta. Que importâncias achas que estas fusões
entre o tradicional e o pop, poderão trazer para os dias de hoje?

O Marta: Estou a sentir que está a existir o nascimento de um movimento que pega
nesta música tradicional e a reinventa para os dias futuros. A música
tradicional é bastante bela, não só pelo seu carácter histórico, mas também
pela sua pureza… e pela pureza das pessoas que a cantam. Estas fusões permitem
também fazer a música tradicional chegar a um público mais heterogéneo, um
público que por vezes também esquece que esta sonoridade faz parte da cultura e
crescimento deste nosso país.

headLiner: Uma última pergunta. Onde poderemos encontrar O Marta este ano? Já tens
uma tour nacional prevista?

O Marta: Sim, já tenho algumas datas marcadas,
nomeadamente dia 9 de Abril, em Águeda, para o Festival Outonalidades, dia 23
no Acert, em Tondela e no Gretua (Aveiro) dia 2 de Junho. Para já são essas as
datas confirmadas, mas mais datas virão. Mais uma vez um grande obrigado por
esta oportunidade e até à próxima!

O Marta ao vivo:

9/04 – Festival Outonalidades, Águeda
23/04 – Acert, Tondela
02/06 – GrETUA, Aveiro
Adiado – Espaço Compasso, Porto

~ Links

Facebook: @omartamarta
Instagram: @omarta._
Spotify: O Marta

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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