
Algures entre 2006 e 2007 deu-se o meu encantamento pela discografia de Leslie Feist mais conhecida apenas por Feist. Canções como “Mushaboom”, “1234” e “So Sorry”
foram o click para, desde então, ouvir e seguir regularmente a artista nascida
em Calgary no Canadá. ‘The Reminder’ (lançado em 2007) foi, definitivamente, o álbum que me ligou à artista de forma intensa sendo hoje em dia e, 11 anos depois, um álbum essencial nas minhas preferências musicais.
2012 marcou o ano do primeiro encontro ao vivo com a Feist, a 19 de março, no Coliseu
do Porto. Um espetáculo ansiado durante anos tendo surgido na tournée de
promoção ao seu álbum ‘Metals’ de 2011. Tratou-se de uma primeira vez realmente incrível e emocional tendo esse concerto sido verdadeiramente marcante. Felizmente o reencontro surgiu no passado sábado dia 8 de setembro em Braga, 6 anos depois desse feliz primeiro momento na cidade invicta.
Antes da atração principal subir ao palco do Theatro Circo tivemos direito a uma primeira parte com Ariel Engle, canadiana amiga de Feist e companheira no conhecido coletivo Broken Social Scene. A solo e em palco acompanhada por guitarra e pela sua “caixinha de sons” apresentou-nos o seu projeto La Force. As suas canções são puro synth-pop e variam entre uma onda mais animada como no single “You Amaze Me” (canção não tocada) e outra onda mais introspetiva e pesada notada noutras canções como “Lucky One” esta sim já apresentada ao público presente. No seu último tema tocado teve a
ajuda de Feist com a sua guitarra num momento de cumplicidade. Ariel Engle
tem uma voz agradável e um talento para acompanhar neste seu La Force de agora em diante, sem margem para dúvidas! A artista regressa a Portugal em dezembro para fazer as primeiras partes dos concertos de Patrick Watson.
Entre o final da performance de La Force e a entrada da estrela na noite tivemos um longo intervalo de quase 30 minutos, altura em que não paravam de entrar pessoas na sala bracarense. O concerto estava esgotado há longas semanas. Foi então pouco depois das 22 horas que Feist entrou em palco sozinha, para surpresa geral. Nesta mini tournée europeia foi a única vez que tal aconteceu!
Apresentou-se extremamente bem-disposta e logo de entrada disse-nos que estava sem voz. Não foi propriamente uma aldrabice pois através do seu “dictafone da era moderna”, leia-se telemóvel com uma reluzente capa vermelha, e dando uso a um tradutor com voz feminina de sotaque brasileiro nos foi transmitindo algumas coisas. Uma das quais foi o
resfriado que apanhou em Paris e que lhe causou mossa na voz. Durante todo o concerto foi recuperando o “dictafone” tendo arrancado aplausos e gargalhadas na mesma proporção.

Feist no Theatro Circo – Créditos © Paulo Nogueira / Theatro Circo
Acompanhada pela sua guitarra e a solo apresentou-nos algumas canções: “The Bad in Each Other” abriu o concerto seguindo-se “Confort Me”. À terceira música a primeira surpresa! Tocou-nos com “So Sorry” (um dos seus temas emblemáticos) e uma das canções pouco habitual nas setlists. De facto, um primeiro momento sublime. A seguir a “I’m not Running Away” apresentou “Gatekeeper” na qual introduziu a meio a sua banda.
‘Pleasure’ é o seu mais recente trabalho e foi na parte intermédia desta apresentação a vivo que nos tocou alguns temas desse álbum como “Baby Be Simple”, “Get Not High, Get Not Low” e “A Man Is Not His Song” sendo esta última uma das minhas favoritas.

Feist no Theatro Circo – Créditos © Paulo Nogueira / Theatro Circo
Até ao previsível encore não faltaram temas fortíssimos da sua discografia e reconhecidos por toda a gente tais como “The Limit to Your Love” (a tal canção que levou uma “roupagem nova” por parte de James Blake), “My Moon My Man” e “Feel it all”. Momentos de gáudio para todo o público tendo, por exemplo, sido irresistível levantar da cadeira para dançar um pouco ao som desta última. Afinal a artista até tinha apelado a que não nos acomodássemos à condição mais confortável de sala de teatro e fizéssemos barulho como se fosse um concerto rock.

Feist no Theatro Circo – Créditos © Paulo Nogueira / Theatro Circo
Para o encore ficaram guardadas “Mushaboom” tocada a solo e “1234”. Esta a tal canção de fácil trato por ter uma letra de simples e por ter tido uma versão especial da
própria Feist para a Rua Sésamo, encerrou o concerto tendo tido a colaboração da sua banda na parte final e do público imensamente satisfeito.
Apesar das referidas dificuldades vocais pela artista a verdade é que praticamente não nos apercebemos de tal, tendo sido um concerto bonito e memorável! O Theatro Circo, sala lindíssima e com uma bela acústica ajudaram de forma irrepreensível a tornar mágica a noite!
A mim como incontornável fã de Feist resta-me apenas dizer uma coisa… Volta a Portugal o mais breve possível!
Texto: Edgar Silva
Fotografia: Paulo Nogueira / Theatro Circo
