Headbanging, crowdsurf e cerveja: os indispensáveis itens para o mergulho mais refrescante no Planeta Rock – SonicBlast Fest 2024

Sebastian Murphy dos Viagra Boys | mais fotos clicar aqui

Bem, por onde começar? Talvez pelo fim…

Quando nos pomos à estrada de volta à vida real, aquele momento em que começamos a perceber que terminaram os três dias fantásticos no planeta SonicBlast Fest, um planeta onde cada um de nós pode viver livremente e exprimir a sua singularidade destemidamente.

Regressamos com a bagagem cheia de incríveis memórias e histórias para contar mais tarde. Para aqueles que dizem, insistente e desesperadamente, que o rock morreu, deixo aqui o convite: daqui a uma volta ao sol, venham ao SonicBlast Fest!

SonicBlast Fest, Dia 1 – 08 Agosto 2024

Rumo à Praia da Duna dos Caldeirões, situada na Vila Praia de Âncora, com algumas notas escritas num post-it digital/PDF, onde constam algumas bandas que destacamos previamente como aquelas que não queremos perder de maneira nenhuma. A partir daí é viver o momento e envolvermo-nos no espírito festivaleiro e único que o SonicBlast Fest proporciona. Assim que nos aproximamos do recinto sentimos a vibração singular deste evento onde o silêncio não existe e as guitarras soam bem alto!

A primeira banda que não queríamos perder eram os Margarita Witch Cult, mas como chegamos bem antes dessa atuação, nada como espreitar as bandas que antecediam esse acontecimento. Os Maruja eram os senhores que iam atuar assim que chegamos e não quisemos perder a oportunidade de ver este projeto oriundo de Manchester, que muito tem despertado o interesse dos mais atentos.

Harry Wilkinson dos Maruja | mais fotos clicar aqui

O quarteto, que aqui atuou como trio, destila um post-rock-funk-psych com mais alguns pés noutros tantos estilos que encantou a plateia. Este projeto tem já novos capítulos agendados em terras lusas, em outubro atuam no Porto, Lisboa e Guimarães.

Logo à segunda atuação a que assistimos, uma bela surpresa, o duo neozelandês Earth Tongue que impressionou com a sua sonoridade ruidosa e arrastada que contrasta com a melodia deliciosa das vozes de ambos os membros. Sem dúvida um projeto a manter debaixo de olho.

Eis que chegamos à nossa primeira aposta, os ingleses Margarita Witch Cult, que foram uma aposta ganha. Eles intitulam-se como “discípulos do riff” e nós, não só concordamos com acrescentamos “discípulos dos riffs absurdamente incríveis”. Uma performance a condizer com esses riffs de guitarra e que conseguiram convencer uma plateia bem generosa que os brindou com os primeiros movimentos mosh deste evento.

Um dos elementos dos Margarita Witch Cult | mais fotos clicar aqui

Seguiram-se os irlandeses Enola Gay que deram um concerto competente e levam novos fãs de Portugal, mas a nossa prioridade era o projeto que os precedia, os Black Mountain.

Vindos do outro lado do Atlântico, o quinteto canadiano apresentou-se em excelente forma, partilhando com o muito público o seu som com influências do rock psicadélico dos anos 60 e 70 atualizado aos tempos modernos. Um incrível momento onde provaram a sua mestria na escrita de canções que ficarão imortalizadas no universo rock!

Amber Webber dos Black Mountain | mais fotos clicar aqui

Agora, falo a um nível estritamente pessoal, pois estava com uma enorme curiosidade (talvez até alguma desconfiança) em ver como os lisboetas MДQUIИД. se enquadrariam no planeta SonicBlast Fest, ou não. Será que seriam bem aceites? Bem, essas dúvidas demoraram menos de dez segundos a vaporizarem! Assim que começam a sua atuação era perfeitamente percetível que os MДQUIИД. não só se enquadravam neste universo, como faziam parte dele.

Este era o quarto concerto que via dos MДQUIИД. no espaço de um par de meses e foi, sem qualquer dúvida, a sua melhor prestação! Quem concordou comigo, foi toda aquela gente que encheu o recinto! Atrevo-me a dizer que foi um dos momentos altos deste dia.

Depois desse feito, voltamos ao palco 1 para receber um nome que já não é uma novidade nos palcos portugueses, os suecos Graveyard. E quem tem Graveyard, tem tudo o que mais gostamos no rock, viagem entre o rock mais clássico, passando pelo blues, folk e até nuances de jazz. É daquelas bandas que é sempre uma aposta certeira, de onde saímos sempre vencedores. Eles que já tocaram em Portugal por várias vezes no passado, em 2023 tocaram no Lisboa ao Vivo porém destaco as atuações ocorridas no Centro Cultural de Viana do Castelo em 2018 e no Milhões de Festa em Barcelos no ano de 2017.

Joakim Nilsson dos Graveyard | mais fotos clicar aqui

O fim da prestação dos Graveyard é o início do jantar dos festivaleiros, até porque o intervalo entre atuações é maior e sempre podemos enganar o nosso estômago com alguma comida.

Quem se segue é nada mais nada menos do que a banda que, não só é a mais esperada da noite, como de toda esta edição do festival. Basta dizer que os passes diários para o primeiro dia foram os primeiros a esgotar. Sentia-se o frenesim no ar, o recinto estava completamente cheio e toda a gente tentava chegar o mais próximo possível do palco. Assim que eles rompem pelo palco dentro, o delírio instala-se no recinto e a partir daqui é a festa total.

Irreverente Sebastian Murphy junto do público | mais fotos clicar aqui

Os Viagra Boys, banda sueca com um enorme culto, fez jus aos seus créditos e partilhou uma atuação incrível, talvez a mais memorável de todo o festival. Sebastian Murphy, demonstrou que a sua insanidade (daquela boa) continua a evoluir por caminhos cada vez mais desconhecidos para gáudio de todos nós!

Entre tentativa de crowdsurfing, desaparecimento, exibição de nádegas, poses editoriais para revistas, valeu tudo para conquistar a plateia frenética! E o desafio foi concluído com êxito e distinção! Algo que já tinham realizado no Vodafone Paredes de Coura em 2022.

O público estava mesmo na onda rockeira | mais fotos clicar aqui

Que belo primeiro dia!

SonicBlast Fest, Dia 2 – 09 Agosto 2024

Durante o SonicBlast, há uma coisa de que não devemos abusar: dormir! É perder tempo, por isso, descansamos apenas os olhos e siga para o próximo ato! Para este dia, nos nossos destaques estavam nos Madmess, Causa Sui, Colour Haze, Truckfighters e 1000Moods, que viriam a ser comprovadas como apostas vencedoras, com umas boas surpresas pelo meio.

A actuação dos Madmess foi a primeira que assistimos neste segundo round do SonicBlast. Eles são oriundos de Portugal, mais especificamente do Porto, porém passaram por Londres para poderem expandir o seu raio de influência. Eles que têm uma paisagem sonora pintada entre o stoner e o krautrock mais antigo.

São uma banda familiar para muito boa gente que por ali estava, contou com uma plateia respeitável que deambulava a cabeça a cada batida arrastada e foi o início perfeito de um dia que se avizinhava poderoso.

Ricardo Sampaio dos Madmess | mais fotos clicar aqui

Seguiram-se duas bandas que apesar de serem ambas da Califórnia, têm sonoridades diferentes. A primeira, Deathchant, são possuidores de um som entre o hard rock e o heavy metal, mais poderoso e enérgico, bem demonstrado na sua atuação e efusivamente aceite quer pelo público, quer pela filha, ainda de colo, do guitarrista e vocalista da banda que assistia com alegria ao concerto em cima do palco! A segunda, Sacri Monti, já percorrem um caminho bem mais psicadélico com pitadas de heavy rock, numa entoada mais suave mas não menos enérgica!

Voltando aos projetos oriundos do velho continente, tivemos os Causa Sui, projeto dinamarquês que manteve o som suave mas maduro, com riffs intensos, que implodem sem aviso e nos deixam em transe. Daqueles que tínhamos marcado como “a não perder” e que vamos continuar a seguir, após esta atuação afável.

Visão do palco durante o concerto dos C.O.F.F.I.N | mais fotos clicar aqui

Num cartaz eclético como o que o SonicBlast Fest nos tem vindo a presentear, viramos por caminhos mais acelerados e demolidores. Para isso, temos os australianos C.O.F.F.I.N, que arrancam sem avisar e só param quando a energia acabar. Punk-rock daquele bom, daquele que instala o caos e não permite que ninguém fique quieto. Bem bom!

De regresso ao palco 1, uma das bandas que mais queria ver, os Colour Haze. Banda que venho acompanhando e que é daquelas que ouço habitualmente, mas que nunca tinha visto ao vivo. Daquelas bandas antiguinhas (estão a celebrar 30 anos) e que mantêm um culto em seu redor e amigos/fãs fiéis ao longo de três décadas.

Colour Haze em palco | mais fotos clicar aqui

Oriundos de Munique, criam um som de puro stoner rock, com as bases bem assentes no rock dos anos 70, que reproduziram com mestria no SonicBlast Fest. Foi maravilhoso ver e ouvir estes senhores, abanar a cabeça a cada batida intensa e curtir cada riff viciante. Foi um prazer!

Regressando à terra, arregaçamos as mangas porque vem aí coisa forte. Truckfighters, foi uma bela surpresa vê-los ao vivo, que energia desmedida e pujança! Acho que tivemos de ser (quase) empurrados para fora do fosso porque a vontade era de não sair dali mais…

Acrobático Dango dos Truckfighters | mais fotos clicar aqui

Uma coisa é certa, acho que a atividade física que Dango executou durante toda a atuação, deveria ser considerada um desporto olímpico, onde ele ganharia a medalha de outro, com toda a certeza! Que momento, um dos que fica no topo dos melhores desta edição.

A última banda que vimos neste segundo dia, são já uma referência do stoner rock europeu. Os gregos 1000mods chegaram como um dos nomes sonantes deste segundo dia e não quiseram deixar fugir esse título. Melodias e riffs certeiros, com alguma sujidade q.b., dando ao público energia suficiente para que houvesse festa, crowdsurfing e libertação. Uma boa forma de terminar este dia.

SonicBlast Fest, Dia 3 – 10 Agosto 2024

Quando chegamos ao terceiro, sabemos também que é o último e o paladar agridoce que sentimos deixa-nos um pouco depressivos. Ora bem, e como tratar disso? É entrar no recinto, beber uma cerveja e partir para o rock and roll!

O nosso dia começou com a atuação de Brant Bjork Trio. Estava particularmente ansioso por ver este projeto, porque Brant Bjork é um dos grandes, que fez parte de muitas das bandas essenciais do stoner rock que muito marcaram a minha história musical, tais como os Kyuss, Fu Manchu ou Fatso Jetson. Como previa, foi um momento muito intenso, de rock, de canções, de música que nos leva até desertos tórridos onde podemos deixar a nossa mente divagar até o horizonte longínquo. Esta já posso riscar da minha checklist!

A lenda Brant Bjork | mais fotos clicar aqui

A minha lista de destaques inicial não continha o projeto que se segue, mas sugerido pelo amigo e companheiro de equipa Nuno Coelho do headLiner (que agradeço desde já), passou a ser um dos “a não perder”. E, ainda bem, porque podíamos ter deixado passar um dos melhores concertos deste terceiro dia.

Sediados em Seattle, este projeto trouxe consigo um rock psicadélico com sujidade garage, com solos de guitarra sónicos e vibrantes, que me surpreenderam e tornaram o recinto um lugar melhor! Os Night Beats ganharam um fã e acho que não fui o único.

Danny “Lee Blackwell” Rajan Billingsley, o responsável pelo projeto Night Beats | mais fotos clicar aqui

Os Slift, que nos chegam do país anfitrião da edição dos jogos olímpicos deste ano, é uma das bandas que mais ansiava ver. Entre o rock mais clássico, alguns pós de grunge (talvez), sujidade garage e psicadelismo quanto baste, tudo junto e na temperatura certa só podem trazer bons resultados. Eles que regressaram ao Minho depois de terem atuado em Ruílhe, freguesia do concelho de Braga, em 2018 no extinto festival Rodellus.

A energia, as luzes que os tornavam apenas silhuetas, a alegria, a sinceridade musical foram ingredientes essenciais para um concerto poderoso que superou as expetativas altas que tinha. Têm um futuro promissor que já começou.

Rémi Fossat dos Slift | mais fotos clicar aqui

Chega aquela hora que dá para dar um saltinho para comer algo ou simplesmente para limpar o palato musical, porque segue-se momentos mais fortes! Palato limpo? Ora cá vamos, é que mal entrando nesta roda, não há volta a dar. De São Francisco, os High On Fire, fizeram estremecer todo o recinto do SonicBlast Fest, literalmente.

Ouvi algumas pessoas a comentarem que o som estava demasiado alto, talvez, o certo é que quem estava na praia podia ouvir perfeitamente o stoner contagiado pelo metal do trio norte-americano.

Em palco os High On Fire | mais fotos clicar aqui

Foi uma performance sem tréguas, a disparar power em todas as direções, com o recinto cheio e a curtir ao máximo. Eram o grande nome deste terceiro dia, comprovado pelas muitas t-shirts da banda que desfilaram pelo recinto ao longo de todo o dia. No fim, palato e ouvidos limpos!

Depois do terramoto High On Fire, parecia quase impossível reerguer de novo as almas que ainda tinham sobrevivido. Mas a física é diferente no planeta SonicBlast Fest e, com a ajuda dos texanos Fugitive, nada se perde, tudo se transforma! A verdade é que reanimaram o recinto, trazendo à vida aqueles que por lá insistiam dançar, pular e cantar. A energia do rock and roll salva vidas!

Em palco os Wine Lips | mais fotos clicar aqui

Chegávamos assim à última banda a atuar no palco 1, e a nossa última do festival, aos canadianos Wine Lips! E que melhor forma de fechar com o punk rock? Nenhuma. Excelente prestação deste quarteto que continuou a dar motivos para o público se expressar da melhor forma, crowdsurfing com fartura e até onde a adrenalina nos levar!

É altura de regressar, levantar voo do planeta SonicBlast, levar a adrenalina nas veias e aproveitar enquanto dura. Depois é saborear as boas memórias que levamos e deixar que o planeta real dê mais uma volta ao sol para podermos voltar ao planeta do rock! Até já!

Reportagens fotográficas completas incluindo fotos do público:

SonicBlast Fest, Dia 1
08 Agosto
Reportagem fotográfica completa: Clicar Aqui

SonicBlast Fest, Dia 2
09 Agosto:
Reportagem fotográfica completa: Clicar Aqui

SonicBlast Fest, Dia 3
10 Agosto
Reportagem fotográfica completa: Clicar Aqui

Texto: Jorge Resende @ arroba75 (Instagram)
Fotografia: Nuno Coelho @ iam_noizze (Instagram)

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.