A Lagosta voltou ao museu para dois pés de dança

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L’Agosto é um festival de música alternativa realizado num espaço verde pertencente ao Museu Alberto Sampaio localizado naquela que foi a primeira capital lusitana. O recinto fechado é delimitado pela muralha (zona intramuralhas do centro histórico) e o edifício histórico que alberga o museu conferindo-lhe assim um aspeto medieval onde o passado e o atual se cruzam. À 3ª edição, o evento regressa ao local do seu nascimento depois de
no ano passado ter subido a encosta e “acampado” nos verdes jardins junto ao Paço dos Duques de Bragança.

Pela primeira vez as datas deste festival coincidem com as grandiosas Festas Gualterianas, a maior festividade da cidade de Guimarães ao longo do ano. Com as pessoas a confluírem ao centro histórico a possibilidade de uma maior adesão foi uma possibilidade em aberto.

1 de agosto – Primeira noite

À primeira noite de agosto aconteceu o arranque com um mix de estilos bastante
diversos. De Óscar Silva com Jibóia, ao rapper luso-guineense Allen Pires Sanhá
mais conhecido por Allen Halloween e terminando com Marcus Veiga e o seu projecto Scúru Fitchádu a multitude de sons fez lembrar a expressão anglo-saxónica melting pot. Realmente foi isso mesmo que aconteceu, um cruzamento de culturas, sons e géneros musicais.

Óscar Silva apresentou-se em palco com os seus dois companheiros de banda (Ricardo Martins (bateria) e com o multi-instrumentista André Pinto) poucos minutos depois da hora aprazada para a sua performance. Foi o nosso reencontro com os Jibóia depois da apresentação no Café Concerto do CCVF acontecida no passado mês de fevereiro deste ano (ver reportagem aqui).

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Trio Jibóia em palco [Mais fotos da noite aqui]

Seguiu-se Allen Halloween e foi merecedor da presença de muitos fãs. Durante a sua atuação tivemos o pico de público desta primeira noite. Parte significativa do público manteve-se bastante entusiasta reagindo sempre positivamente ao “Vamos continuar com
essa brincadeira? Yo!”
por parte de Allen.

Apesar da debandada verificada Scúru Fitchádu agitou as marés no final da noite com os
seus ritmos frenéticos. A energia em palco desceu à relva e bastantes corpos deixaram-se embalar, na qual registamos uma predominância feminina. O seu som fez-nos lembrar os Death Grips devido ao som cru porém diferenciando-se pela forte componente eletrónica.

Esta noite de arranque teve uma adesão bem simpática de público com predominância no
interesse em Allen Halloween. Os horários pré-estabelecidos foram cumpridos com um atraso normal (dentro dos 10 minutos) numa noite com um delicioso tempo ameno de verão.

2 de agosto – Segunda noite

Nesta segunda noite concentravam-se todas as nossas elevadas expetativas. A presença
das bandas The KVB e Toy e dos The Psychotic Monks conferiam a este segundo capítulo da edição deste ano um toque mais homogéneo e mais à feição dos gostos do HeadLiner.

A dupla britânica The KVB composta por Nicholas Wood e Kat Day apresentou-se
em Guimarães para a única aparição em Portugal neste verão. A vinda anterior ao nosso país registou-se no ano passado pela At The Rollercoaster. O concerto até começou com o pé esquerdo, a guitarra de Nicholas não estava a funcionar. Corrigidos os problemas tivemos uma performance bem bonita e um dos melhores concertos do festival. Apreciamos bastante aquele som que alterna entre o dream-pop e o synth-pop com um retoque indie. Na tela atrás da dupla formam passando vídeos col ridos e um tanto quanto psicadélicos. Um dos momentos que mais apreciamos foi o terceiro tema que tocaram. “On My Skin” é uma das nossas favoritas e foi acompanhada pelo vídeo lyric da canção na tela mesmo por debaixo da “Lagosta”.

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Kat Day dos The KVB [Mais fotos da noite aqui]

Por volta da meia-noite subiram ao palco os The Psychotic Monks. A formação francesa foi a surpresa do cartaz e do próprio evento, deveras uma muito agradável novidade. A super energia dos seus 4 elementos não deixou ninguém indiferente. Alinhados em palco foram expansivos, algo que os caracteriza ao ponto de um dos seus elementos subir às colunas de som posicionadas do lado esquerdo do palco, algo que requereu alguma destreza. Cruzam vários estilos musicais como o rock psicadélico e o garage rock com o post-rock e o post-punk. Deixaram um belo postal da sua discografia ainda recente. A
banda existe desde 2015.

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Franceses The Psychotic Monks com energia inesgotável
[Mais fotos da noite aqui]

Os britânicos Toy regressaram este ano a Portugal depois de terem tocado no Porto e Lisboa em março deste ano para o Fusion Arts Festival. Nesta única data em solo luso neste verão vieram apresentar os novos temas de ‘Happy in the Hollow’ cuja edição
aconteceu no início do ano. “Sequence One” e “Mistake a Stranger” foram algumas das novas que não faltam na setlist. A performance de 1 hora começou em tom morno e foi melhorando com o desfilar dos seus temas.

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Elemento dos britânicos Toy devidamente concentrado [Mais fotos da noite aqui]

3 de agosto – Terceira e última noite

Esta última noite começou à hora certa, ou seja, às 22:30 horas com a entrada de B Fachada em palco. Bernardo Cruz Fachada ou simplesmente Tio B alegrou a plateia já em número generoso com as canções de sua autoria. Com a sua parafernália a dividir-se entre a sua guitarra, as teclas e o seu sintetizador tocou-nos com a sua imensa descontração colocando as pessoas a cantarolar as suas letras. “O Minho é a minha segunda casa e Guimarães a cidade mais bonita” lá revelou. A sua atuação foi prazerosa de assistir e muito bem conseguida pelo artista conimbricense.

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B Fachada com toda a irreverência [Mais fotos da noite aqui]

O grande nome desta última etapa eram os Sensible Soccers. Já com o recinto muito bem preenchido transformaram os jardins verdejantes numa verdadeira pista dançante. A nova vida desta formação barcelense traz-nos um som mais exótico, bem tropical. O último álbum ‘Aurora’ foi o mote para esta belíssima performance na qual não faltaram novos temas como “Elias Katana”, “Chavitas” ou ainda “Luziamar”. Outros mais antigos como “Villa Soledade” ou “Sofrendo por Você” também tiveram lugar na setlist. Foi, sem dúvida, a performance mais animada e na qual grande parte do público esteve “devidamente ligado”. Os últimos acordes numa altura em que o fogo de artifício das Festas Gualterianas
já ecoava pelos ares conferiu à formação portuguesa um final de concerto em
apoteose.

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Manuel Justo dos Sensible Soccers [Mais fotos da noite aqui]

Já por entre um teimoso orvalho aconteceu o fecho da edição de 2019 com a atuação
de Axel Willner produtor musical sueco conhecido como The Field.

Considerações finais sobre o evento

– A organização está de parabéns por ter arriscado num cartaz ambicioso. Subiu bastante de nível relativamente às duas primeiras edições.

– Investimento ao nível do som e das luzes. Registamos um upgrade significativo comparativamente ao ano anterior.

– O regresso ao centro da cidade e a um espaço cuja dimensão e conforto adequa-se perfeitamente ao conceito do festival e da dimensão de público esperado.

– Ao nível organizativo verificamos melhorias. Certamente continuarão a acontecer na próxima edição.
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Galeria completa de fotos: » Clicar Aqui

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Texto:
Edgar Silva

Fotografia:
Jorge Nicolau

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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