
Na passada noite de quinta-feira, dia 10 de setembro, desloquei-me pela primeira vez ao Auditório Municipal de Esposende. Nesta minha estreia em concertos na bonita cidade minhota à beira-mar plantada assisti ao vivo a uma atuação dos Pelados. Esta sua performance foi um culminar de uma semana de residência que eles realizaram na cidade. A residência teve a chancela da NICE (Núcleo de Intervenção Cultural de Esposende) sendo que esta associação cultural proporcionou dias fantásticos ao quinteto brasileiro.
A banda Pelados é formada por Lauiz Martins (programações e synths), Vicente Tassara (guitarra/teclados), Helena Cruz (baixo), Theo Ceccato (bateria) e Manu Julian (voz) e são oriundos da região de São Paulo no Brasil. Fizeram a sua estreia em Portugal nestas últimas semanas: tocaram no MEO Kalorama em Lisboa a 30 de agosto e também já passaram pela Sala Mouco do Porto a 3 de setembro. Estão a realizar a primeira passagem de sempre pela Europa.

Fiquei a conhecer este projeto brasileiro há uns meses numa busca aleatória de novas bandas e fiquei a curtir alguns dos seus temas. Para minha surpresa eis que eles vieram em tournée por Portugal e senti um apelo irresistível em vê-los ao vivo.
Existem já há 10 anos, em 2016 davam-se pelo nome de Pelados Escrotos, e deva-se dizer que o seu indie rock chegou até ao público português em boa hora. A sua sonoridade é desconcertante, os próprios dizem que são um grupo de “pop desleixado” porém o seu registo lo-fi algo titubeante é extremamente aliciante por motivos desconhecidos. Aí reside a beleza na atração por estes Pelados.

‘Contato’ é o álbum mais recente, editado a 21 de agosto de 2025, cuja audição é uma aventura faixa a faixa com títulos completamente invulgares. A minha introdução à banda surgiu com temas de ‘Foi Mal’, álbum de 2002 e com um vídeo de uma atuação no programa brasileiro “Cultura Livre” que está disponível no YouTube. O alinhamento em Esposende incluiu temas destes dois registos discográficos.
Nota inicial para a fantástica adesão de público a uma quinta-feira extremamente ventosa: a bilheteira registava a poucos minutos de começar o concerto com 150 bilhetes vendidos. A sala do Auditório Municipal de Esposende está decorada em tons encarnados, tem pouco mais de 200 lugares sentados. Gostei de lá estar, é bem aconchegante e simpática com as condições necessárias para eventos. Efetivamente um auditório impecável para visualizar umas performances intimistas e/ou mais próximas dos artistas.

Manu, Theo e Helena ficaram na “linha da frente” deixando a parte detrás do palco para Lauiz e Vicente. As duas mulheres destacaram-se, especialmente a vocalista.
A sensualidade de Manu Julian não ficou perdida por entre o seu outfit mais desportivo. Acrescentando ao visual uma pose mística e a sua pujante voz, algo grossa, de belo efeito tínhamos os ingredientes para uma frontwoman poderosa. Ela esteve completamente à altura. Já o toque dos sintetizadores/teclados por parte de Lauiz e Vicente elevaram o indie rock a um nível atraente, bem dinâmico e mais atmosférico. O baixo de Helena e a pertinente bateria de Theo complementavam lindamente.
As primeiras três faixas “os pelados sabem demais”, “planeta oxxo”, “enel” (todas de ‘Contato’, o mais recente álbum) deram o ritmo justo para o restante e até fez com que Lauiz instasse as pessoas que quisessem dançar para se levantarem pois ficava mais fácil para dançar. Grande parte das pessoas levantou-se e curtiram o som com um pezinho de dança. Houve respeito e atenção entre pessoas que queriam ficar de pé e outras com a preferência em estar sentadas. A sala não esteve esgotada e houve espaço nas zonas laterais para a gestão certa da situação.

Uma das minhas preferidas foi tocada para meu contentamento, falo da incrível “estranho efeito”. Nesta altura, mais ou menos a meio do concerto já o público demonstrava-se rendido ao quinteto brasileiro. Todos os músicos em palco revelavam descontração e reinava uma boa disposição. Tudo devidamente transmitido ao generoso público.
Pelo meio ficaram outras interpretações relevantes: de “whatsapp 2”, “mommy empresta o carro” e “MEDO DE FICAR PELADO”. O som ao vivo destes Pelados ao vivo é deveras contagiante e os músicos fazem por isso.
Manu revelou que estavam há duas semanas em Portugal e transpirou das suas palavras satisfação pela experiência. Disse igualmente que se “apaixonaram por Esposende” mesmo “ainda não tendo ido à praia”.

Em tom engraçado Lauiz dedicou um tema ao amigo de Coimbra chamado Bruno Aleixo e as dedicatórias foram-se somando. A Haaland antes de interpretarem a fantástica “Modrić” e ao gigante músico brasileiro incluído no tema “instruções para descongelar o gilberto gil no espaço”.
A faixa-bandeira dos Pelados teve uma interpretação em alto estilo, falo pois de “foda que ela era linda” surtindo de belo efeito para término de atuação. Este quinteto brasileiro virou a minha nova “banda fetiche”. Que estreia sensacional, num esforço de quinta-feira e de 120 kms. Valeu totalmente!
Reportagem fotográfica Completa: clicar aqui

Texto:
– Edgar Silva
Fotografia:
– Maria Vilaça @ mgvertex_ (Instagram)