The xx e Big Thief: incríveis Angels embalaram em jornada tórrida

Romy dos The xx | mais fotos clicar aqui

Quinta-feira, 11 de junho, dia de arranque da 13ª edição do Primavera Sound Porto em 2026 no local do costume: Parque da Cidade. Comparativamente ao ano passado com algumas atualizações. Em termos de disposição do recinto não houve praticamente nada de novo a assinalar.

Em termos de disposição geral de todo o recinto a continuação de um espaço de música eletrónica desenvolvido por uma marca de automóveis é algo a assinalar, a estreia deste espaço teve lugar em 2025.

Já ao nível do sponsorship existiram significativas mudanças com várias novidades a registar, inclusive no nome dos palcos. A primeira grande alteração foi na saída do patrocínio da Super Bock por troca com uma sua homóloga espanhola, nomeadamente a Estrella Damm. A empresa portuguesa, além de cerveja oficial, dava igualmente nome a um dos quatro palcos. Caiu assim um patrocínio histórico que vinha desde a primeira edição em 2012. Do ponto de vista de boa parte do público lusitano certamente não foi uma alteração vista com boas goelas.

Ambiente na frontline do palco principal | mais fotos clicar aqui

Esta cervejeira vinda de Espanha, nesta edição de 2026, deu também nome ao palco principal. No ano passado era o Palco Porto. O antigo palco com a designação da cervejeira nacional passou a ser Palco Primavera.

O único dos quatro que não mudou a sua designação foi o Palco Vodafone, situado na encosta mais famosa do Parque da Cidade do Porto. Outra mudança foi o Palco Zyn, caiu o patrocínio da banqueira Revolut. Com todas estas trocas fica um número interessante: a organização divulgou publicamente um aumento de 15% de patrocínios relativamente à edição de 2025.

Na quarta-feira, houve um “warm-up” gratuito Concha Acústica dos Jardins do Palácio de Cristal. Aproveitando o feriado nacional do 10 de junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, atuaram a artista colombiana Ela Minus, a banda portuense Marquise e o compositor brasileiro Giovani Cidreira. Esta foi também uma boa novidade, uma abertura do Primavera Sound à cidade do Porto.

Visão do concerto dos Big Thief | mais fotos clicar aqui

Começamos o festival com passes gerais esgotados e igualmente o segundo dia, o de sexta-feira. A previsão da organização cifrava-se nas 120 mil entradas ao longo dos 4 dias de evento. A ver vamos se isso se concretiza…

Relativamente ao público: a maioria vêm de Portugal, do Reino Unido, da Espanha, da Itália e da Alemanha. Este é o top 5 e aqui não há grande diferença relativamente a anos anteriores. Verificou-se sim um aumento de vendas a norte-americanos, um sinal claro da dimensão global do festival.

O escalonamento dos concertos neste primeiro dia sempre teve dois emparelhados, tal obrigou sempre a uma escolha preferencial.

A lotação máxima possível por dia no recinto cifra-se em 40 mil pessoas. Neste primeiro dia a jornada registou uma bela assistência, imagino que terá ficado perto das 35 mil pessoas. Já se sabe, de algum tempo a esta parte, que os passes gerais estão esgotados e o dia 12 de junho, esta sexta-feira também tem os seus bilhetes completamente vendidos.

Catarina Miranda com o seu projeto Emmy Curl | mais fotos clicar aqui

A minha jornada de concertos começou com Emmy Curl às 16:45h no Palco Estrella Damm, a nova designação do palco principal. Catarina Miranda é cantora, multi-instrumentista e também diretora de vídeo e fotógrafa por isso não foi de estranhar que toda a componente visual de imagem e vídeo que foi projetada numa tela atrás da artista fosse de sua escolha e composição de sua autoria. Elementos multimédia que funcionaram perfeitamente como complemento aos seus temas.

Catarina Miranda esteve cénica com as suas danças em que foi deambulando pelo palco, talvez um bocadinho menos do que é costume. Desta vez teve companhia em palco, foi a estreia da artista em formato quinteto.

Neste formato banda contou com a colaboração de Pedro Antunes na bateria, de Razy no baixo, de Lana Gasparøtti nas teclas e de Andreas Sidenius na guitarra, o companheiro da artista de Vila Real. Estiveram todos equipados a rigor, visuais bastante vistosos.

Lana Gasparøtti a auxiliar Emmy Curl | mais fotos clicar aqui

Sorridente e entusiasmada a artista cedo soltou um “maravilhoso” perante a plateia bem preenchida, a zona à sombra em frente ao palco repleta.  O sol “queimava” um pouco e podia ter sido um fator dissuasor para as pessoas decidirem comparecer ao festival mais tarde.

Finalmente com banda houve outra dimensão para as músicas de Emmy Curl, a eletrónica esteve presente numa proporção menos omnipresente. Faixas como “Botar Água na Vinha” e “Mirandum” foram imprescindíveis e passagens bonitas. Emmy Curl focou a sua performance em ‘Pastoral’, álbum editado em 2024, tendo merecido e muitos elogios e alguns prémios.

Além dos temas já citado interpretou também, por exemplo, “Encanto”, a solo e com o apoio da guitarra acústica, “Poeta à solta” e “Balabala” só para citar outras passagens marcantes de atuação bem conseguida.

A estreia de Emmy Curl no formato quinteto | mais fotos clicar aqui

Violet Farrer (guitarra, violino, vocais), Nina Winder-Lind (violoncelo, guitarra, vocais), Kate Mager (baixo, vocais) e Ella Oona Russell (bateria, flauta, vocais) são as 4 rockeiras que formam as The New Eves. Uma formação feminina britânica de Brighton.

Algo incomum, a quatro vozes, timbres com tonalidades diferentes no entanto mesclam muito bem. Curiosidades: Nina foi a que tomou a dianteira em palco e Ella atuou de pé. Apesar da juventude das quatro a presença de palco foi bem madura e com bastante afinco na apresentação.

Nesta primeira vez em Portugal demonstraram um repertório fixe com temas como “Cow Song” ou “Highway Man”. Vieram mostrar o registo discográfico ‘The New Eve Is Rising’ editado em agosto do ano passado.

Nina Winder-Lind das The New Eves | mais fotos clicar aqui

Um estilo sonoro refrescante já que hoje em dia é cada vez mais difícil encontrar originalidade e inovação. Elas fornecem uma mescla de folk com um rock insubmisso e uma ligeira dose de letras poéticas. São bandas assim que também valem a pena descobrir e encontrar ao vivo.

O concerto arrancou à hora prevista, às 17:40h e o muito calor estava a ser um obstáculo para ficar em frente ao palco. Ainda assim foi um número significativo de pessoas resistentes em frente ao Palco Zyn, dada a sua localização este é o local menos resguardado já que não há grandes locais para abrigo do sol.

As The New Eves prometem ser um caso sério a médio prazo, a julgar pelas reações do público já ganharam novos fãs.

As The New Eves na estreia em Portugal | mais fotos clicar aqui

Os PAUS são a banda portuguesa da “bateria siamesa” formada pelos bateristas Hélio Morais e Joaquim Albergaria. Eles estiveram frente nas duas baterias. Albergaria vestia uma t-shirt de Neemias Queta, jogador de basquetebol. Atrás os outros dois elementos são o teclista Fábio Jevelim e o baixista Makoto Yagyu. Eles regressaram ao festival 13 anos depois, tinham estado na segunda edição quando ainda era conhecido como Optimus Primavera Sound.

“Bem-vindos ao nosso Enterro” disse Hélio confirmando alegria no regresso ao festival muitos anos depois. Ao fim de 18 anos o projeto tem o seu encerramento.

‘Enterro’ é também o título do derradeiro álbum, editado em março deste ano, foi devidamente apresentado com malhas como “Ficamos por aqui” ou “Vida é passagem”.

Joaquim Albergaria dos PAUS | mais fotos clicar aqui

Vi uma despedida sem ponta de tristeza, nada dura sempre dizia alguém do público em voz alta ao que retorquiu Hélio se calhar só mesmo a morte. Haverá mais vida musical proporcionada por estes quatro excelentes músicos.

Por motivos de agenda não deu para ver a performance completa dos PAUS contudo, durante os longos minutos em que estive perante o Palco Primavera, vi o quarteto em grande forma. Esta é um enterro solene e com um fecho de capítulo estiloso. Caros PAUS: estou muito agradecido pela vossa música e pela vossa energia ao vivo.

Hélio Morais dos PAUS | mais fotos clicar aqui

Ian Richard Devaney (vocalista principal, guitarra, sintetizador e percussão), Aidan Noell (voz de apoio e sintetizador) e Alex MacKay (baixo) são os Nation Of Language e deram o seu terceiro concerto na Cidade Invicta.

Segunda vez no Primavera Sound Porto depois da comparência em 2023. A estreia a norte teve lugar na Sala Mouco em 2022 pelas mãos dos Os Suspeitos numa noite incrível.

Primeira referência para Aidan, muito bonita de verde e sempre com o seu estilo feminino bem vincado na lida do sintetizador. Ian foi extremamente expansivo e esteve incansável. O trio norte-americano deu tudo o que tinha para dar, tal como nas vezes anteriores. Alex, o menos expansivo do trio, sempre compenetrado e a fornecer os acordes com competência.

Aidan e Ian dos Nation Of Language| mais fotos clicar aqui

Os Nation Of Language debutaram a sua atual tournée europeia neste concerto do Porto e, sem dúvida, foi a vitamina certa para uma fantástica passagem pelo Velho Continente.

Um deleite este eletro-pop dançante em que temas como “Wounds of Love”, “Across That Fine Line” ou “Weak In Your Light” fizeram as delícias do muito público e dos seus fãs.

Outros temas de referência tocados nesta tarde de muito calor na continuação de um belíssimo e autêntico dia de verão são “Wounds of Love” e “September Again”.

Ian dos Nation Of Language| mais fotos clicar aqui

Os Big Thief regressaram ao Primavera do Porto, desta vez sem Max Oleartchik, na passagem anterior ainda fazia parte da banda. Agora o trio Adrianne Lenker (vocalista e guitarrista), Buck Meek (guitarrista principal) e James Krivchenia (baterista) conta com Joshua Crumbly, o discreto baixista de serviço ao vivo. A dinâmica alterou-se e a banda está ainda em (re)transformação.

Pessoalmente adoro os temas “Masterpiece” e “Not” pelo que fiquei extremamente contente por tê-los ouvido ao vivo. Eles não repetem setlists e têm a tendência de fazer sempre diferente com sequências diversas. Foi um dia feliz para mim.

Adrianne ficou surpreendida por ver “tanta gente” num misto de satisfação e espanto perante si no Palco Estrella Damm. A realidade é que os Big Thief são já uma Big Thing, como quem diz uma banda com enorme notoriedade.

Adrianne Lenker dos Big Thief | mais fotos clicar aqui

Lenker nota-se que é uma pessoa muito atenta e sensível, pausou o concerto por causa de emergência médica que viu acontecer no meio da plateia perto do palco. Depois da vocalista certificar-se que a pessoa estava bem o concerto prosseguiu.

Lindíssimo fim de tarde com muita gente no recinto com um concerto a várias velocidades, nem os músicos nem os fãs deixaram cair a beleza do momento por meros instantes. Foi mesmo uma ocasião para apreciar as passagens musicais mais lentas para ganhar momentum para as partes mais rockeiras.

Uma das partes mais lentas foi durante “Evol” tema a solo de Adrianne Lenker numa lindíssima rendição neste tema tão afincado e suave. A primeira vez que a tocaram.

Buck Meek dos Big Thief | mais fotos clicar aqui

A vulnerabilidade das canções e a energia emanada pela voz de Adrianne Lenker continuam a ser dínamos dos Big Thief. A banda norte-americana transmite uma emotividade e uma profundidade raras de se encontrar na música atualmente.

Incrível desempenho em “Simulation Swarm” com os fãs a sentirem cada acorde. Já “Not” foi portentosa e inexplicável de descrever.

“Obrigado… the most beautiful thank you word” disse a vocalista com imensa sinceridade porém creio que somos nós fãs que temos de agradecer esta fantástica performance num lindíssimo fim de tarde com muita gente atenta aos Big Thief. A atuação terminou em nota altíssima com “Incomprehensible” e “Spud Infinity”, esta última não estava prevista ser tocada pois não estava na setlist.

Adrianne Lenker dos Big Thief | mais fotos clicar aqui

À mesma hora que Ethel Cain os Texas Is The Reason conseguiram juntar um número razoável de pessoas perante si. A banda nova-iorquina regressou aos palcos em 2025 terminando um longo hiato.

“Que tesouro é partilhar música com as pessoas” disse Garrett Klahn, o vocalista da banda norte-americana. Sem inventarem a roda foram bastante competentes e proporcionaram uma vibe nostálgica sobretudo a um público mais maduro nas faixas dos 40 e 50 anos.

Um som post-hardcore que sabe agora a nostalgia pois tem todos os ingredientes musicais dos anos 90. A banda de emo/post hardcore deixou boa impressão ao público multicultural vindo dos mais diversos países do mundo.

Garrett Klahn dos Texas Is a Reason | mais fotos clicar aqui

Foram praticamente 10 anos de hibernação. Agora os The xx voltaram em força e tiveram diante a primeira enorme enchente na plateia perante o Palco Estrella Damm. Curiosamente marcaram presença na primeira edição do Primavera Sound do Porto em 2012 e neste tão ansiado regresso a Portugal, felizmente incluíram o nosso país na curtíssima tournée europeia que estão a realizar.

A jornada estava a ser dura devido às altíssimas temperaturas e nos primeiros vinte minutos do concerto, do lado aonde estava a ver o concerto, foram assistidas duas pessoas pelos bombeiros. Vim a saber que isso aconteceu com alguma frequência durante o dia todo.

Oliver Sim dos The xx | mais fotos clicar aqui

Romy (voz e baixo), Oliver Sim (voz e guitarra) e Jamie xx (eletrónica) são os três magos que fazem parte deste incrível projeto todos vestidos de negro.

Oliver foi o mais expansivo, sobretudo ele, foi enviando algumas mensagens para o público. Afirmou estarem a dar os primeiros shows em 8 anos e que não dão os fãs por garantidos. Agradeceram também por estamos a recebê-los na nossa belíssima cidade.

A interatividade entre Romy e Oliver deu uma pitada extra de emotividade à atuação que teve uma entrada fortíssima com “Crystalised”, “Say Something Loving”, “Islands” e “Angels”. Todos temas bastante relevantes na discografia deste trio britânico.

O X gigante equipado com luzes foi também bastante interativo. Finalmente baixou e tomou o seu local um pouco acima dos músicos. Durante “Give It Up” iluminou-se de branco e até se movimentou tendo subido inclinado. Ajudou a acrescentar dimensão visual bem impactante.

Romy dos The xx | mais fotos clicar aqui

“VCR” foi dedicada à Mel, a tour manager aniversariante. Mais adiante também todos deram os parabéns a Oliver apesar de ser só nesta próxima segunda-feira a sua data de aniversário.

Pelo meio houve a oportunidade para temas da carreira a solo de Jamie xx, nomeadamente “Loud Places” e “Treat Each Other Right”. Da carreira de Romy tivemos “Enjoy Your Life”. Já Oliver Sim surpreendeu na interpretação do seu tema “GMT” em que aproveitou para vir cantar no meio do público. Aconteceu tudo tão rápido, com a ajuda dos smartphones no ar é que consegui discernir aonde ele estava. Foi um momento giro.

Na fase final da performance faixas como  “On Hold” e “I Dare You” continuaram fazer fizeram as delícias dos milhares de fãs que balancearam ao som destes megas êxitos de forma permanente. Virou mesmo pista de dança.

Regresso triunfal dos The xx num dos grandes momentos da primeira jornada do Primavera Sound Porto.

Romy dos The xx | mais fotos clicar aqui

O meu roteiro festivaleiro deste dia terminou com alguns minutos em KNEECAP. Na estreia em Portugal o trio formado por Mo Chara, Móglaí Bap e DJ Próvaí interpretaram temas como “Better Way to Live” com a voz de Grian Chatten (Fontaines DC) a surgir de forma virtual ou ainda “Gael Phonics”.

Dois palanques na parte frontal do palco ajudavam Mo Chara e Móglaí Bap a interagir com o público. Do tempo em que estive a assistir à performance não vi uma maior produção visual algo que estava à espera. Usaram também, durante esse tempo, muito vermelho em palco. Efetivamente eles procuram fazer a palavra a sua arma. As vozes iradas e de protesto permanecem contudo no mais recente trabalho discográfico apelidado de ‘Fenian’ procuram dar um passo à frente em termos de produção musical.

Mo Chara e Móglaí Baps dos KNEECAP | mais fotos clicar aqui

Apesar de todas as polémicas e problemas que têm encontrado pelo caminho a resiliência é palavra de ordem o seu hip hop irlandês. Acredito que no Vodafone Paredes de Coura, no próximo mês de agosto, a sua atuação terá maior impacto do que esta realizada no Palco Vodafone do Primavera Sound Porto.

Terminada esta resenha agora é altura para preparar tudo para a segunda jornada do festival que tem lotação esgotada já há algumas semanas a esta parte.

Reportagem fotográfica Completa:  clicar aqui

Ambiente durante o concerto dos KNEECAP | mais fotos clicar aqui

Texto:
–  Edgar Silva

Fotografia:
– Ana Lourenço @ blackphant.stage (Instagram)

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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