
Neste passado sábado, dia 30 de maio, realizamos o nosso festão headLiner a que apelidamos de “12 anos de headLiner” no CAAA em Guimarães. Tivemos a fortuna de contar com a atuação de duas bandas que gostamos imenso: os 800 Gondomar e os Mike Vhiles.
Pela primeira vez realizamos uma festa de aniversário. Nunca nos passou pela cabeça sequer realizar um aniversário com toda esta pompa. Tinha mesmo de ser em Guimarães, a cidade aonde nasceu o projeto. Foi uma jornada fantástica, uma celebração que ficará nas nossas memórias para sempre!
O primeiro trio a entrar em palco foram os Mike Vhiles, banda composta atualmente por Miguel Vale, André Figueiredo e Xiko Martines. Um power trio cujas origens estão localizadas em Coimbra.

Equipados a rigor com os seus macacões, todos de cores vincadas e contrastantes, arrancaram logo a toda a velocidade com “Transistor Farmer”, uma novíssima e fortíssima jarda de 15 minutos, será editada brevemente. Lançamento a ocorrer mais à frente em 2026.
A seguir a “The Ripper” tivemos o incrível tema “Slavic Speedster”, dedicado a um país que já não existe: República Popular da Iugoslávia.
André Figueiredo, o baixista com uma indumentária encarnada, solicitou ao público que se chegasse à frente e este aderiu prontamente. As pessoas, em bom número, estavam mais recostadas no fundo da sala. A partir daí o ambiente ficou bem desinibido e a energia ia da plateia até aos Mike Vhiles e voltava tipo boomerang. As pessoas vibraram, foram corpos dançantes e cambaleantes no usufruto deste poderoso som.

A realçar de maneira veemente: altíssimo respeito para André. Horas antes do concerto na Cidade Berço tinha tocado com outro seu projeto, os Fjords, em Condeixa-a-Velha no Rock dos Romanos. Chegou bem disposto e proporcionou-nos uma enérgica performance tal como os seus parceiros Miguel e Xiko.
Xiko Martines é o novato desta formação. Demonstrou uma técnica impecável na bateria e, logo após estar devidamente calibrado no seu posto, ficou somente em camisa interior sem mangas. Um visual de muito estilo para um baterista bastante proficiente.

Miguel Vale além da guitarra assume a voz com muita paixão. Vocais distorcidos e paranóicos ajudaram ao autêntico wildfire de Garage Psych bem desgarrado e totalmente descomprometido que descarregaram durante toda a performance.
“You’re So Pretty” e “Plain“ foram repescadas do EP ‘Acid Reflux’ de 2020 e continuam frescas como o verde verdejante presente na capa desse disco. A “Dazepam”, quiçá o tema mais conhecido de toda a discografia dos Mike Vhiles, não podia faltar antes do fecho em beleza com “St. John of Sands” quase ao fim de 1 hora de atuação.

Feito o changeover foi o momento para uma viagem emocional até Rio Tinto na carreira dos 800 Gondomar, eles que nos presentearam com uma setlist de luxo. O arranque deu-se um pouco depois da 1 hora da manhã e feito o aquecimento, literalmente, já que o trio preparou-se fisicamente com a ajuda do público antes de subir ao palco.
Começaram com “Faz o Flip”, um delicioso recuo até 2016. Desse álbum, ‘Cirvunvalação’, tocaram igualmente “Entre Águas” e “Mergulhadores”. “Façam deste palco o vosso palco” disseram os 800 Gondomar e o público não se fez rogado tendo curtido intensamente o concerto de princípio até ao seu último segundo.
Efetivamente foi uma energia elétrica de início até ao fim. Uma fase inicial bem intensa em que ouvimos dois dos temas chave da banda, nomeadamente, “Coração” e “Sou Cidadão”. Tocaram vários temas de ‘Linhas de Baixo’, o álbum de estreia editado em 2017, além dos já referidos há também que mencionar “Cordoaria”. Todas elas faixas de profundidade pessoal bem genuína e que versam sobre uma vivência dura no Porto.

Canções que gosto particularmente também não faltaram: “Mataram o Fábio”, “Poppers Paraíso” e “Tchoo Tchoo” do último registo ‘São Gunão’ lançando em 2024. Um disco imperdível da primeira à última faixa.
Alô Farooq, baixista e guitarrista, é um irreverente, por vezes com a língua de fora, e igualmente bem irrequieto em palco. Ele ocupou o lado direito do palco porém o seu espaço não esteve contido: andou por todo o lado, incluíndo a plateia. Emanou uma energia contagiante com a sua presença.

Rui Fonseca, o baterista, faz também “uma perninha” na voz com bastante afinco e personalidade. Tem aquela escola de bateristas do punk rock em que o momento é para vivenciar ao máximo e tens de dar tudo para o tornar especial.
Luís, o mais recente membro da banda, ocupa-se da guitarra e traz consigo uma frescura encaixando que nem uma luva no estilo desta formação nortenha. A banda continuará bem sólida com a sua participação.

O seu garage-rock é portentoso e cativante e ao vivo torna-se uma linha interminável de descarga elétrica sempre a três vozes. Os 800 Gondomar nunca falham: sempre 100% na entrega e no compromisso com o seu público. Os fãs sabem sempre reconhecer essa capacidade que eles têm.
O docinho final foi a interpretação de “O Cabeçudo”, tema do EP de estreia cuja edição ocorreu em 2014. Uma atuação excelente tendo quase alcançado uma hora de duração.
A noite terminou de forma bem mexida com DJ set headLiner por Luís Silva.
Nunca nos passou pela cabeça realizar um aniversário com toda esta pompa. Foi uma jornada fantástica, uma celebração que ficará nas nossas memórias para sempre!
Reportagem fotográfica Completa: clicar aqui

Aftermovie:
Texto:
– Edgar Silva
Fotografia:
– Mariana Silva @ marianasilvax (Instagram)
Aftermovie:
– Filipa Silva @ filipasilva_x (Instagram)
