
O 2º fim de semana do Rodellus ofereceu-nos uma experiência rural diferente. O festival adaptou-se à pandemia repartindo os seus dias por 3 fins de semana distintos, em 3 locais por descobrir. Quinta do Areeiro foi local escolhido para acolher o esgotado dia (à semelhança dos outros) que contou com Grand Sun e The Twist Connection. À chegada do ponto de encontro, algo que sentimos no primeiro momento em que tiramos o pé do carro e o pousamos na estrada de pedra, foi o cheiro intenso a estrume que nos entrava pelas narinas. Cheiro tão característico e singular das muitas aldeias que Portugal tem por aí fora. Poderia ser algo não muito positivo, mas não sabendo nós que estávamos no Rodellus, foi mais um pequena amostra do quão este festival se difere dos restantes.

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Ao entrarmos pelo recinto adentro, presenciamos uma autêntica quinta que nos rodeava. Cabras e ovelhas repartiam a palha e as atenções de quem chegavam. De frente para o palco e a delinear grande parte do recinto, estendia-se um campo de milho e bem por detrás do palco, encontrava-se capoeiros com galinhas e até um pavão. As 50 cadeiras coloridas iam dando cor à festa que se avizinhava pela tarde adentro e uma árvore com pequenos detalhes coloridos que cobriam os seus galhos, iam fazendo sombra numa tarde que o sol ainda aqueceu bem. Em cima das cadeiras e à semelhança do 1º fim-de-semana, encontrava-se uma pequena planta e um chapéu de palha, dando as boas vindas a todos os festivaleiros.

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Os Grand Sun foram a primeira banda a pisar o palco deste 2º sábado, sabendo que João Simões já lá tinha passado com Hause Plants. A banda lisboeta, mas com management da bracarense Gig. Rocks, foi um dos vencedores da nossa 1ª edição ’Quando Fala Um Português…’, prémios da música alternativa e independente que decorreu o ano passado. Na bagagem tinham um dos nossos discos favoritos nacionais de 2020, ‘Sal Y Amore’, e foi com ele que trouxeram a sua energia contagiante.
Sempre com um tom tanto irónico como de plena gratidão perante a casa cheia, o teclista/vocalista da banda António Reis, que nos faz lembrar um pouco Marc Rebillet ora pela sua postura em palco ora pelo corte do bigode, tornou-se naturalmente o porta-voz do quarteto. João Simões, sempre tresloucado a sentir cada malha que a banda ia tocando, ia dançando para aqui e para ali com a sua guitarra ao tiracolo, aventurando-se por vezes em voos, um deles não tão bem conseguido desequilibrando-se e caindo. No fundo o rock é isso, certo? A imperfeição aliado à alegria de tocar ao vivo, algo que os Grand Sun sabem bem fazer.

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Os segundos convidados da festa mais rural de Portugal, foram os The Twist Connection.
Carlos “Kaló”, vocalista e baterista da banda (algo difícil de se ver), apresenta a sua banda: na guitarra estava o “homem mais sexy que por ali anda”, Samuel Silva, e no baixo está Sérgio Cardoso intitulando-o como “pai do rock’n’roll conimbricense” (e todos nós sabemos a forte cultura rock’n’roll que Coimbra tem).
Kaló anunciou que a banda de Coimbra estava a dar no Rodellus um dos primeiros concertos daquele ano (e o concerto foi a 31 de Julho!), e que apesar de estarmos todos sentados, vá, menos o Sr. Pimenta, (figura icónica do festival de Ruilhe) a vontade de tocar o tão característico rock’n’roll está sempre bem presente. Isso foi bem visível em todos os movimentos que a banda exercia em palco, desde os passos irrequietos e sempre imprevisíveis de Samuel, passando ao dedilhar mais pacato do baixo de Sérgio ou mesmo até à energia inesgotável de Kaló, que a cada batida da sua bateria, cai uma pinga de suor com que fez que a nossa câmara fotográfica conseguisse captar dos melhores momentos do festival.

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Foi assim o segundo fim-de-semana do Rodellus, festival de Ruilhe que desta vez convidou todos os festivaleiros não apenas ver a aldeia, mas sim vivê-la e senti-la. Foi um passeio rural pelo rock’n’roll.
O último dia do festival, dia 7 de Agosto, contará com nomes como Black Bombaim, Krypto e com casa já esgotada.
Texto: Luís Silva
Fotografia: João Machado
