Raissa, a vocalista da noite dos Bateu Matou // Mais fotos no nosso instagram @headliner.portugal
Sexta-feira, 8 de abril
Durante o decorrer deste dia fomos tendo novidades sobre a programação dos concertos. A primeira surgiu com a substituição de Noiserv, que iria abrir a noite de concertos no dia seguinte, pelo vimaranense Rui Souza com o seu projeto Dada Garbeck. O lisboeta
David Santos teve de cancelar a sua presença devido a ter contraído o vírus da moda.
A outra grande novidade foi respeitante aos concertos de sexta à noite. A ordem dos concertos foi praticamente toda alterada devido às más condições atmosféricas que se
registaram durante o dia de sexta-feira com chuva e vento que apareceram com bastante incómodo. As atuações do Palco Pátio foram relocadas obrigando a uma séria mexida nos horários e respetivos locais.
A única atuação que manteve a ordem foi a dos Sensible Soccers. Iniciou-se às 21:30h e nela a banda fez uma apresentação do seu mais recente projeto. Desde modo assisti, pela primeira vez, a ‘Manoel – Cineconcerto’ no qual a banda toca a sua criação de Banda Sonora Original para o filme ‘Douro, Faina Fluvial’ que marcou a estreia cinematográfica do famoso realizador Manoel de Oliveira em 1931. Além dessa pelicula também ‘O
Pintor e a Cidade’, outro filme do realizador lusitano falecido em 2015 com 106 anos, foi alvo de um tratamento sonoro e igualmente apresentado nesta ocasião. A atuação da banda lusa teve a particularidade de terem ficado de costas para o público ficando de frente para a tela na qual as peliculas eram exibidas. A experiência foi peculiar, é algo a que não assisto todos os dias.
O Westway LAB faz parte de uma plataforma europeia de música e ao abrigo da parceria ESNS Exchange, uma iniciativa da Eurosonic Noorderslag (ESNS) que proporciona a “troca” de artistas europeus por todo o continente. O objetivo é impulsionar as carreiras de músicos nascidos em países da Europa.

Maika Makovski ao piano // Mais fotos no nosso instagram @headliner.portugal
A primeira artista a tocar devido a esta situação foi Maika Makovski. A artista de ascendência macedónia e andaluza subiu a solo ao Palco Box, localizado atrás da sala principal do Centro Cultural Vila Flor, tendo feito uma performance refrescante e poderosa. A artista aproveitou a ocasião para fazer uma introdução ao seu novo álbum ‘MKMK’, mostrou-se bastante feliz por estar presente e por ter uma audiência de pé. Esteve sempre muito comunicativa e optou por usar a língua espanhola. Alternou entre o piano e a guitarra. Foi revelando as histórias por detrás de alguns temas apresentados nomeadamente em “Places where we used to sit” e em “Bulldog”. Uma boa surpresa!
Uma das atuações pela qual tinha alguma expetativa veio a seguir a Maika. No Grande
Auditório do CCVF atuou Rui Reininho acompanhado pela sua banda. O artista conhecido por ser o vocalista da mítica banda lusitana GNR mostrou-se numa faceta totalmente diferente e quiçá inesperada. ‘20.000 éguas submarinas’ é o seu novo trabalho a solo. O artista portuense mostrou-se fiel a si mesmo com uma sua pose irónica e teatral desde que entrou em palco. Quase como uma criança de 5 anos a divertir-se despreocupadamente. Neste seu projeto psicadélico revela as suas influências asiáticas, um dos pormenores é o uso que faz dos gongos. “Turafoes”, “Enfado Vegetariano”, “Animais errantes” e “Fartos do Mar” foram alguns dos temas que não faltaram na setlist. Assistimos a um claro distanciamento do pop rock dos GNR, a algo que é uma sua realização pessoal no campo musical.

Rui Reininho na apresentação dos temas de ‘20000 éguas submarinas’ // Mais fotos no nosso instagram @headliner.portugal
De volta ao Palco Box estive a presenciar a parte inicial da atuação dos Taqbir. Sem saber muito bem ao que ia, vi logo nos primeiros instantes um corpo deambulante em palco de um lado para a outro. Tinha o corpo quase totalmente coberto, a parte dos olhos era a única visível. Assim que os restantes músicos entraram em palco dei-me conta com uma
explosão punk extremamente pujante. Apesar de muito pouco se saber acerca dos elementos desta banda, o que é conhecido é que se são uma banda punk islamita com origens marroquinas. Embora as letras sejam em árabe as vocalizações eram mais próximas de gritos. Serão uma forma de rebelião e afirmação num formato musical simples porém cru. Não tiveram muita adesão, o público que lá teve sabia ao que ia e o mosh lá bem à frente não demorou a aparecer…
Após alguns minutos e perceber um pouco desta banda, decidi descer até ao Café Concerto do CCVF para ver a única atuação da noite nesse espaço. Quando lá cheguei já tocavam os Fumo Ninja. Este quarteto formado por Norberto Lobo (baixo) Leonor Arnaut (voz) Raquel Pimpão (teclas) e Ricardo Martins (bateria) foram a minha maior surpresa da noite. Este concerto no Westway LAB serviu de apresentação de ‘Olhos de Cetim’, o disco de estreia lançado no mês passado numa edição pela vimaranense Revolve. Este concerto em Guimarães foi um dos primeiros e, sem dúvida, um bonito cartão-de-visita. O ambiente estava bom e o público aderiu enchendo o espaço. Com um som altamente dançável e com vozes com efeitos. Vi uma performance foi bem conseguida e que agradou à maioria das pessoas. “Nada do que vi acreditei” cantava a vocalista em “Holograma”, último tema interpretado, só que na verdade acreditei e saí do concerto com um muito bom feeling.

Fumo Ninja no Café Concerto // Mais fotos no nosso instagram @headliner.portugal
Mudei o chip para o penúltimoconcerto da noite com os Club Makumba. Este projeto começou por ser uma parceria entre Tó Trips (Dead Combo) na guitarra e João Doce (WrayGunn) na bateria sendo que agora apresentam-se como quarteto com as adesões dos músicos Gonçalo Prazeres (saxofone) e Gonçalo Leonardo (baixo). Entramos no planeta Club Makumba, bem representado por uma bandeira colocada atrás dos músicos, para uma viagem sonora muito particular e com influências muito variadas. Sempre com uma batida forte, ouvi uma mix de sons mediterrâneos com o rock, jazz e igualmente com claras referências africanas. Um som com uma intensidade quente, assim como o clima dos países africanos. O disco homónimo de estreia foi devidamente apresentado e foram tocados temas como “Migratória” logo na abertura, “Makumba das Foncas”, “Jimmy
Habibi”, “Crazy Habibi” e no fecho com “Danças”. Este novo projeto musical tem muito potencial e aconselhamos a que seja verificado ao vivo.

Club Makumba a agradecer ao público no final da performance // Mais fotos no nosso instagram @headliner.portugal
O encerramento da noite esteve a cargo dos Bateu Matou. Esta formação tem a curiosidade por ser composta por três bateristas: RIOT (Buraka Som SIstema), Ivo Costa (Batida, Sara Tavares) e Quim Albergaria (PAUS). Esta inovadora abordagem percussiva juntou 3 bateristas com passados distintos. Podia ter sido um risco mal calculado só que como disse numa entrevista Quim Albergaria acabou por ser “uma ideia muito fixe”. Foi
isso mesmo que constatei ao vivo.
Neste concerto na Cidade-Berço o trio foi acompanhado por Raissa, a cantora deu voz aos temas e puxou pelo público para aquele inevitável pezinho de dança. Apesar da hora tardia do início do concerto, eram já 02:30h, o pessoal aderiu em muito bom número e não regateou minimamente o cansaço…’Chegou’, o álbum de estreia editado em maio de 2021, teve uma apresentação em grande estilo com temas como “Povo”, “Bandido”, “Concertina” ou mesmo no final com “Clichê”.

Bateu Matou no encerramento da noite de sexta-feira // Mais fotos no nosso instagram @headliner.portugal
Tratou-se de um excelente final de primeira noite de concertos no festival Westway LAB relativa à parte do festival. A nota menos positiva deste dia vai para o atraso em determinados concertos, nomeadamente no de Rui Reininho e dos Bateu Matou.
Vejam toda a foto-reportagem pelo Jorge Nicolau:
Dia 1
Dia 2
Dia 3
Dia 4
Texto:
Edgar Silva
Fotografia:
Jorge Nicolau
