
Débora Umbelino no Westway LAB // Mais fotos no nosso instagram @headliner.portugal
Sábado, 9 de abril
Com o sol a brilhar bem lá em cima, com pouquíssimas nuvens no céu e com um clima bem agradável a caminhada até ao Museu de Alberto Sampaio logo pelas 15h deu para retemperar forças depois da longa jornada na noite anterior. Aí nesse espaço vimaranense iniciei a jornada vespertina no capítulo de showcases apelidados de ‘Concertos na Cidade’. Deste modo o Westway LAB retomou a iniciativa que não se realizava desde 2019.
Subi ao 2º andar do museu e lá Angélica Salvi já tocava os primeiros acordes. A harpista espanhola radicada no Porto desde 2011 permitiu ao público que lotou a sala mergulhar no seu universo sensorial. O som gerado pelos acordes que fazia na harpa quase como que me “obrigavam” a fechar os olhos e a gravitar por um universo sereno e pacificador. Um início de maratona Westway LAB perfeito.
O caminho seguinte levou-me a uma espécie de segunda casa no que diz respeito à cultura na cidade, o Oub’Lá. Neste bar onde se respira música por todos os poros e onde somos sempre bem recebidos vimos a primeira atuação da tarde naquele espaço. Lá tocou a dupla y.azz x b-mywingz composto por Mariana Prista (voz) e Margarida Adão (guitarra).
Acompanhadas por Gui Salgueiro nas teclas mostraram alguns dos seus temas inspirados em diversos estilos como o R&B e o hip-hop sempre com uma batida eletrónica.

y.azz x b-mywingzno Oub’Lá // Mais fotos no nosso instagram @headliner.portugal
De modo a não ser demasiado cansativo não fui a todos estes showcases citadinos, uma decisão em equipa, já que as performances sucediam-se no tempo e em diversos locais do centro histórico da cidade de Guimarães.
No Ramada 1930 foi a vez de outra estreia, a tarde foi 100% repleta delas. Assisti à dupla Siricaia: a Susie Filipe na bateria/voz e Vítor Hugo na guitarra/voz. Ambos fazem
parte da banda Moonshiners. Um projeto refrescante e bem original a merecer um maior destaque no panorama musical lusitano.

Susie Filipe, uma das partes do duo Siricaia // Mais fotos no nosso instagram @headliner.portugal
A próxima paragem levou-me ao Tribuna no São Mamede. Aí assisti a todo o showcase
da polaca Misia Furtak que esteve acompanhada por 2 músicos conterrâneos no piano e na bateria. Para mim foi a maior descoberta da tarde, a que mais me surpreendeu. Com canções cantadas na sua voz materna a artista mostrou-nos uma janela para o seu indie rock. Abordou ‘Wybory’ o seu disco mais recente. Duas das canções interpretadas foram as bonitas “Ponad To” e “Przychodzisz, odchodzisz”, são apenas duas das que estão disponíveis para serem descobertas, aconselho-o vivamente!

Misia Furtak no Tribuna // Mais fotos no nosso instagram @headliner.portugal
Músico, produtor e compositor português Tiago Sampaio participou no evento na residência artística e além de mostrar o resultado desse trabalho teve igualmente a oportunidade de mostrar o seu trabalho eletrónico como St. James Park. A performance, ocorrida ao final da tarde no Oub’Lá, foi seguida com entusiasmo por colegas artistas que tiveram com ele nas residências do Westway LAB.
Para fecho dos ‘Concertos na Cidade’ regressei ao Ramada 1930. Lá tocaram os Trees Up North, projeto do norueguês Hans Stop cuja apresentação aconteceu ao vivo com banda. Devido a um longo atraso no início da sua performance não foi possível ver a totalidade porém do que ouvi fiquei no ouvido com um som bem porreiro.
Após o merecido repasto foi novamente vez de rumar ao Centro Cultural Vila Flor. No Grande Auditório Francisca Abreu o artista vimaranense Rui Souza iniciou o capítulo da noite à hora certa. Dada Garbeck é o seu projeto a solo e nesta ocasião apresentou-o com banda, em palco estiveram 6 elementos. A sua obra, como o próprio o define é uma “mistura da tradição oral com a eletrónica” pelo que não é alheio o uso que faz dos sintetizadores e do piano. Um som melancólico com resquícios de retro de anos 70 no qual o coro feminino dá um bom ímpeto bem auxiliado pelos instrumentos de sopro.

A dupla Duo Ruut // Mais fotos no nosso instagram @headliner.portugal
Ann-Lisett Rebane e Katariina Kivi são estonianas e estas jovens apresentaram
o seu projeto Duo Ruut no Palco Pátio, situado ao ar livre. Uma surpresa bem refrescante e que faz totalmente a cara do Westway LAB no que diz respeito a mostrar a música que faz pelo continente europeu. Munidas das suas vozes e de um kannel (uma tradicional cítara estoniana) tocaram músicas tradicionais da Estónia que fazem parte do seu álbum ‘Tuule sõnad’ (“Palavras do Vento”). Fizeram questão de referir que algumas das letras refletem uma espécie de feitiços presentes na cultura do seu país.
Débora Umbelino no seu regresso a Guimarães trouxe consigo Diogo Alexandre (bateria) e Paulo Bernardino (clarinete) e apresentaram-se como Surma Trio. Na primeira vez neste formato o público, que preencheu o Palco Box em bom número, ouviu alguns temas referência de Surma com uma nova roupagem. “Hemma”, “Maasai” (com direito a uma versão especial), “Nyika” e no final “Wanna Be Basquiat” soaram super bem. Pelo meio deu para Surma ficar a solo em palco para uma versão de “Femme fatale”, o tema icónico dos Velvet Underground. Parece-me que poderá ser este o caminho de evolução natural a partir do formato a solo para a leiriense Débora.

Surma Trio em estreia // Mais fotos no nosso instagram @headliner.portugal
Às 23:30h foi a vez de ouvir, mais uma vez, o fafense Valter Lobo. Com novas canções o interesse estava portanto renovado. Perante um grande auditório bem preenchido e com fãs que estiveram de propósito para o seu concerto o artista deu bem conta do recado, sempre ao seu estilo. ‘Primeira Parte De Um Assalto’ é o título do novo álbum do qual não faltaram várias canções como “Para T”, “O que o sol guardou”, “Fado Novo” ou “Fizeste-me Sonhar”. Pelo meio atendeu a pedidos da audiência como, por exemplo, aconteceu com “Quem Me Dera”. Estava previsto ser um concerto a solo, no entanto, o parceiro do costume Jorge Moura também fez uma aparição com a sua guitarra elétrica. Mais uma apresentação sólida, nesta que foi a sua 2ª atuação no festival como Valter Lobo.

Valter Lobo de regresso ao CCVF com novas canções // Mais fotos no nosso instagram @headliner.portugal
Na terceira performance do dia no palco ao ar livre tocaram os Bandua, o projeto da dupla Bernardo D’Addario e Edgar Valente. Um som que é uma grande lufada de ar fresco no panorama nacional. Esta presença em Guimarães foi somente o terceiro concerto deste duo. A presença do adufe é a marca indelével da influência do folclore português no seu som. Eles que pegaram no cancioneiro popular da região da Beira Baixa e o modernizaram com a sua visão folk eletrónica. O duo teve a colaboração de Sara Mercier nas vozes e percussão.

Edgar Valente dos Bandua // Mais fotos no nosso instagram @headliner.portugal
A palavra-chave do Westway LAB 2022 é estreia. Assim aconteceu no concerto de encerramento com mais uma novidade. Fred Ferreira, baterista e produtor, assina o seu projeto simplesmente como Fred. Naturalmente assumiu a bateria e teve a companhia de mais 5 elementos em palco. A inspiração do jazz está bem presente nos seus temas. Em mais um concerto iniciado à hora prevista, assim o foi neste sábado, a banda foi percorrendo os temas de ‘Series Vol.1 – Madlib’ fechando o certame em alta rotação.

Fred Ferreira a apresentar o seu projeto // Mais fotos no nosso instagram @headliner.portugal
Considerações gerais
– Houve mais público, de um modo geral, em todos os concertos. Parece haver mais envolvimento do lado do público geral. Houve uma boa adesão relativamente a anos anteriores. Apesar do festival ser de música alternativas, com alguns nomes mais conhecidos da nossa praça lusitana, merecia uma audiência mais próxima da lotação esgotada, para não dizer lotada. Há muita música nova de grande qualidade pronta a ser
desvendada.
– Boa opção da organização, pese embora o desafio logístico, de mudar os concertos programados na sexta-feira ao ar livre para os recintos interiores. Durante a noite o clima até nem esteve mau em contraste ao que aconteceu no período diurno, no entanto, foi a decisão certa. A mais confortável e sensata para todos os envolvidos.
– Sugestão para o Westway LAB: sendo um evento focado em projetos de música alternativa talvez não fosse má ideia reduzir o número de concertos nas duas principais noites. Dar a possibilidade de assistir a todos os concertos na íntegra. A jornada acaba por ser longa com tantos concertos numa só noite sendo também difícil de seguir todas elas. Há igualmente horários que levam a que se optem por um ou outro palco…

Hans Stop com o seu projetoTrees Up North // Mais fotos no nosso instagram @headliner.portugal
Vejam toda a foto-reportagem pelo Jorge Nicolau:
Dia 1
Dia 2
Dia 3
Dia 4
Texto:
Edgar Silva
Fotografia:
Jorge Nicolau
