Que Pluto de concertaço no Teatro Narciso Ferreira

Manel Cruz com toda a sua pujança // Foto @ Luis Mendanha
Reabilitado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, o Teatro Narciso Ferreira volta a ganhar relevo cultural após 20 anos encerrado. Situado em Riba D’Ave, na zona nascente do concelho de Famalicão, numa zona limítrofe com os concelhos de Guimarães e Santo Tirso tem o potencial de proporcionar programação à população local como de toda uma região.

Foi este renovado Teatro Narciso Ferreira o local que recebeu o concerto dos Pluto no passado sábado, dia 3 de dezembro. Aquele espaço recebeu o evento mais mediático destes seus primeiros 7 meses de atividade com o concerto da banda formada pelo quarteto Manel Cruz (voz e guitarra), Peixe (guitarra), Eduardo Silva (baixo) e Ruca (bateria).

A entrada foi gratuita e os ingressos para aceder ao espaço ficaram disponíveis para levantamento hora e meia antes do espetáculo cujo início foi aprazado para as 21:30h. Com naturalidade as pessoas começaram a chegar ao teatro bem mais cedo do que a hora para o levantamento apesar do intenso frio que já fazia a essa hora. De registar que algumas pessoas fizeram bastantes quilómetros para não perderem esta oportunidade.

Apesar da precoce adesão em bom número a lotação não esgotou, esteve muito perto das 300, o número máximo.

Os Pluto em Riba D’Ave // Foto @ Luis Mendanha
Para o concerto o Teatro Narciso Ferreira recolheu a bancada amovível permitindo assim aumentar a lotação. A sala é acolhedora e bonita, estava agradável pois o ar condicionado permitiu colocar o espaço com uma temperatura bem quente. Esse foi o primeiro “quebra-gelo”, o segundo viria poucos minutos depois com uma atuação bem calorosa.

Às 21:42h a instalação sonora anunciou a entrada da banda portuense e foi recebida com fortes aplausos. Com “Só Mais Um Começo” deram início a um concerto muito enérgico. Logo neste primeiro tema deu para ver e sentir o alto empenho do quarteto. Esta foi uma entrada tão fortíssima que no final da interpretação Manel Cruz soltou um “até à próxima”. Efetivamente foi o sinal do que nos esperava. A atuação foi sempre intensa e nunca desceu de nível.

Manel Cruz sempre enérgico // Foto @ Luis Mendanha
Como é conhecido o álbum ‘Bom Dia” dos Pluto é o único da sua discografia e foi editado no longínquo ano de 2004. Foi tocado na íntegra. Houve oportunidade para a estreia de uma nova canção chamada “Túnel” e ainda para a interpretação de outras duas não editadas, são os casos de “Flores” e “Quadrado”.

Manel Cruz esteve comunicativo quanto baste e numa das ocasiões elogiou a sala dizendo que “há quem faça arquitetura a pensar na música”. Foi igualmente respondendo a tiradas de algumas pessoas mais efusivas provocando algumas risadas aqui e acolá. Como é-lhe habitual Manel ficou em tronco nu, o clima na sala também assim o permitia, e desta vez até Ruca seguiu-lhe o exemplo. O vocalista chegou a vir perto do público várias vezes e até subiu à coluna do lado esquerdo por uma ou outra ocasião, como por exemplo em “Lição de Adição”. O palco tinha a particularidade de ser baixo, facilitou a descida de Manel para perto das pessoas. Em contraponto dificultou a visão a quem ficou mais para trás. Um ponto a rever para futuras ocasiões.

Manel Cruz na guitarra e Ruca na bateria // Foto @ Luis Mendanha
Foi muito curioso ver os rodies da banda a cantarolarem os temas e a “curtirem milhões” o concerto. Deu para notar neles e no seu trabalho dado que de ambos lados do palco não existiram divisórias. Uma memória que me ficou na passagem de “A Vida dos Outros”.

O público esteve sempre entusiasta e deu para reparar que vieram fãs propositadamente para a ocasião.

Ao fim de 1 hora de atuação os Pluto saíram e regressaram para um final apoteótico com “Prisão” no qual deram tudo e até se juntaram todos perto do baterista como se fosse uma espécie de jam session.

União do quarteto no final // Foto @ Luis Mendanha

Manel fez questão de agradecer à organização do teatro e a todos, em geral, que fazem acontecer um concerto. Notou-se ter sido um agradecimento sentido.

Para mim foi mais um momento a ver os Pluto neste 2022. Depois do gnration em Braga em abril, no Vodafone Paredes de Coura em agosto, esta de Riba D’Ave foi a terceira. Creio ter sido a melhor das três. A envolvência e ter sido num espaço fechado com excelentes condições ajudou bastante a isso.

Por outro lado e para finalizar uma breve referência ao Teatro Narciso Ferreira. Tem muito potencial, é uma sala com todas as condições para ser um espaço cultural de referência na região.

Texto: Edgar Silva
Fotografia: Luís Mendanha @lrmendanhaphotos

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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