É festa, é família… Assim é a ‘Noite de Reis da Bazuuca’

O vocalista dos Travo em pleno destaque [mais fotos clicar aqui]

A última vez que entrei na discoteca Lustre em Braga foi no dia 25 de maio de 2019, altura que que a Bazuuca celebrou o seu 4º aniversário numa bela noite de concertos e que pode ser recordada aqui.

Volvidos estes anos e ultrapassada uma pandemia que pareceu durar uma eternidade foi com renovada alegria que regressei aquele espaço bracarense. A ocasião para tal deveu-se à ‘Noite de Reis da Bazuuca’, evento que regressou à agenda cultural 2 anos depois. Tratou-se da sua 3ª edição.

As passadas noites de 6 e 7 de janeiro, respetivamente sexta-feira e sábado, voltaram a ser vividas com o ambiente intensamente festivo já sentido em 2019 e 2020 cujas reportagens realizadas pelo headLiner podem ser recordadas aqui e aqui.

O público foi parte vital do evento [mais fotos clicar aqui]

Este ano a “festa de família” como é apelidada por João Pereira, o responsável máximo da promotora Bazuuca e figura incontornável da cultural bracarense, foi dividida numa jornada dupla. Ao todo foram 14 atuações, tanto de bandas como de artistas a solo e ainda incluiu para encerramento do programa do evento 2 showcases.

A ‘Noite de Reis’ já não destaca somente as bandas e artistas agenciadas pela Bazuuca, tornou-se mais abrangente, proporcionando uma reunião de músicos bracarenses ou com uma forte ligação à Cidade dos Arcebispos. Efetivamente é bonito de ver a amizade e as fortes ligações que os músicos têm entre si. De igual modo a maneira como vivem esta ocasião. Além de um forte abraço e um sentido agradecimento a João Pereira é também uma ocasião para conviverem entre si e com aqueles que os seguem, aos que dão o devido valor à sua música.

A noite de 6 de janeiro (sexta-feira) esteve ligeiramente fria porém o céu estava tranquilo e radiante. O passeio que dei pelo centro de Braga, antes de chegar ao Lustre, até foi bastante aprazível. Já na noite seguinte, sábado 7 de janeiro, não deu azo para tal pois o dia esteve verdadeiramente invernoso com fortes chuvas.

Em ambos os dias, a adesão de público foi bastante boa. Como era já expectável, esteve mais gente no sábado do que na sexta-feira mesmo com a contingência do clima desfavorável. Apesar de estarmos em pleno inverno, as pessoas compareceram e divertiram-se nas duas longas jornadas do evento.

Jornada 1 – 6 de janeiro (sexta-feira)

A bracarense Inês Malheiro, jovem e talentosa artista emergente, foi a primeira a atuar e a mostrar um pouco do seu universo musical no qual explora sonoridades eletrónicas misturadas com voz.

A pujança do vocalista dos The Nancy Spungen X [mais fotos clicar aqui] A primeira performance a fazer tremer o palco principal foi a dos The Nancy Spungen X. A agregação de géneros musicais entre os quais o rock’n’roll, jazz e ska fazem acontecer uma mistura sonora explosiva. O vocalista dos TNSX ajudou a aquecer ainda mais o ambiente com uma pujança punk andando por entre as pessoas a “todo o vapor” e não deixando de levar consigo a cerveja na mão. Foi deveras intenso.

Vanished Into Nowhere é o projeto a solo de Márcio Alfama. Uma aventura eletrónica bem diferente da que tem com o seu parceiro Marco Pereira nos NO!ON. Ele teve a oportunidade de mostrar um pouco do seu recente álbum ‘Nebula’.

Vai-te Foder, mais um dos destaque da 1º noite [mais fotos clicar aqui]

A primeira sessão de crowdsurf e de corpos ultra agitados teve lugar com os Vai-Te Foder. Entraram em palco às 0:40h com uma intensidade elevada e inebriante, bem puxada para cima, pelos seus 2 vocalistas. O público não se fez rogado, a alma ficou bem lavada ao fim de cerca de 30 minutos de atuação.

Fernando Fernandes, mais conhecido por Ferna, é vocalista dos Bed Legs e subiu ao palco para apresentar temas do seu repertório a solo como Ângela Policia. Como o próprio já confessou não é um “gajo de um estilo só” e com a sua persona hip-hop ficou isso bem demonstrado. A sua personalidade e o seu modo intenso de atuar é igual quando se apresenta a solo. O público não ficou indiferente.

Filipe Palas e os Smix Smox Smux de regresso [mais fotos clicar aqui] Às 2:00h, meia hora depois do previsto, eis que tocaram os Smix Smox Smux. Filipe Palas, Miguel Macieira e José Figueiredo regressaram aos palcos para um dos concertos mais esperados. A alegria de estarem juntos foi visível e o trio fez questão de se vestir como Reis Magos.

A noite Bazuuca encerrou com WAV.IN Showcase com Du-das + Lost In Europe.

Já como tem sido norma as atuações duram cerca de 30 minutos. Algo que foi válido para os 2 dias apesar de sábado ter tido mais bandas no cardápio.

Jornada 2 – 7 de janeiro (sábado)

Afonso Dorido, guitarrista dos Indignu, tem ele também um projeto a solo. O músico repetiu a presença no evento, esteve também em 2020. Iniciou a sua bonita performance às 23:05h e tocou temas como “Hotel Saturnyo”, “Alqueva” e “Guarda”. Aprecio bastante este seu projeto Homem Em Catarse, o qual já assisti várias vezes ao vivo e é sempre com muito gosto.

Afonso Dorido como Homem Em Catarse [mais fotos clicar aqui]

Oh chefe eu não pedi sumol?! Isto é água são conhecidos artisticamente como OCENPSIEA. Já não são um quarteto apenas de unidades masculinas. Com a formação renovada entrou definitivamente Mafalda BS (voz e teclas) e assim se têm apresentado ao vivo nos últimos concertos. Assim também o foi na especial noite da Bazuuca. Não há nada no panorama nacional parecido com o seu repertório, uma espécie de sessão de jazz experimental. São, sem dúvida, uma banda com um som diferenciado.

Rita Sampaio agora é Isa Leen. Uma roupagem musical totalmente diferente de tudo o que artista já fez. O seu novo mix foi muito bem recebido, especialmente pelo público feminino, dada a quantidade de corpos dançantes em frente do palco.

Rita Sampaio como Isa Leen [mais fotos clicar aqui]

Os concertos dividiram-se entre o palco Mozart, logo a seguir à entrada e o palco Bazuuca na conhecida sala dos espelhos. Quem regressou a este segundo palco foi Filipe Palas, na noite anterior tocou com os Smix Smox Smux. Neste passado sábado foi a altura para o seu projeto Palas. O seu rock elegante dá facilmente bom resultado e mais uma vez assim o foi.

O palco Mozart acolheu também Tiago Sampaio, irmão de Rita Sampaio, ele também com novos caminhos musicais num dia em que celebrou mais um aniversário. Pouco depois da 1h, proporcionou uma sessão bem apropriada ao ambiente com um DJ set com os seus temas. Vale a pena relembrar que eles fizeram parte do projeto Grandfather’s House.

Uma das melhores atuações, pelo menos das mais enérgicas e surpreendentes, foi a dos Travo com o seu psych rock. A animação, o crowdsurf e o mosh-pit regressou em bom estilo para ouvir as novas músicas do quarteto. Uma estreia explosiva e com uma força brutal. O novo álbum vai sair em breve.

O baterista dos Travo esteve sempre fortíssimo [mais fotos clicar aqui]

Luís Marques e Sérgio Alves são os Stereoacid e proporcionaram uma atuações bem refrescante. Para mim foi uma boa surpresa, ainda não os tinha visto ao vivo.

Já pouco faltava para as 3h da manhã quando Bed Legs subiram ao palco e foi com nota altíssima que encerraram o capítulo respeitante aos concertos. Com Ferna ao leme das operações é garantida a festa, a sua presença é fortíssima e contagia toda a gente.

A programação Bazuuca encerrou com DarkSessions Showcase com Yuuki + Lab-L-SS.

O público foi parte vital do evento [mais fotos clicar aqui]

O público em ambas as noites foi desigual, a programação divergente em estilos musicais é, provavelmente, uma das razões maiores. O que não mudou em ambas as noites foi o vigor com que todas as pessoas que marcaram presença vivenciaram esta ‘Noite de Reis da Bazuuca’ neste 2023.

Foi um gosto enorme pela parte do headLiner termos sido Media Partners da ‘Noite dos Reis da Bazuuca’ e gostamos bastante termos feito parte desta festa. Oxalá seja parte integrante da oferta cultural bracarense por muitos e bons anos.

Vejam toda a foto-reportagem do 1º dia: clicar aqui

Vejam toda a foto-reportagem do 2º dia: clicar aqui

Texto: Edgar Silva
Fotografia: João Machado

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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