Westway LAB: A Criatura está viva e desperta consciências… (Festival, dia 2) | (parte 3)

Criatura, o grande destaque da noite [mais fotos clicar aqui]

Como habitualmente no Westway LAB, ficou reservado para o último dia a tournée por diversos espaços na cidade, neste passado sábado, 15 de abril. Uma programação apelidada de ‘City Showcases’ levou concertos ao Convívio Associação Cultural, ao Oub’Lá, ao Tribuna e no Ramada 1930. Todos estes locais recebem frequentemente atividades culturais.

Com os ‘City Showcases’ a terem início de 30 em 30 minutos optei, este ano, por seguir um determinado roteiro em vez de percorrer todos os concertos. Tal permitiu assistir tranquilamente às atuações escolhidas. De fora ficaram Isa Leen, Ledher Blue e Yann Cleary. Como já vi os dois primeiros, a escolha tornou-se simples, dei prioridade aquilo que ainda não tinha visto ao vivo.

Sábado à tarde – City Showcases

Beatriz Bronze mais conhecida por Evaya tocou no Convívio Associação Cultural a partir das 15h. Era o primeiro ponto do roteiro vespertino e foi aqui que iniciei a minha caminhada pelo centro de Guimarães. A produtora, compositora e cantora portuguesa teve uma atuação com alguns percalços, devido a dificuldades técnicas, e procurou sempre que tal não a distraísse. Efetivamente tal foi difícil… A artista deu o seu melhor e quando tudo estava a correr suavemente deu para ter um gostinho do seu trabalho. Ritmos eletrónicos experimentais conjugados cuidadosamente com as suas vocalizações. Evaya utilizou os seus sintetizadores e fez ainda questão de manipular as luzes. O seu eletro-pop está em evolução e é um nome a ter em atenção.

Às 16 horas cheguei ao Ramada 1930 para deparar-me com alterações que não estava a contar. Pela primeira vez o palco mudou para a zona descoberta. Embora estivesse encostado ao muro com sombra para os músicos, para o público era menos cómodo. A tarde estava calorenta e solarenga pelo que ficar ao sol e assistir aos Cave Story era uma tarefa desaconselhada. Daí que as pessoas procuraram ficar resguardadas nos sítios que davam sombra.

Cave Story na tarde de sábado no Ramada [mais fotos clicar aqui]

A banda das Caldas da Rainha fez ainda uns ajustes sonoros de última hora e iniciou a sua atuação com um atraso de 10 minutos. ‘Punk Academics’ de 2017 foi o álbum mais abordado. Naturalmente ‘Wide Wall, Tree Tall’, lançado bem recentemente, teve devidas referências. Gostei bastante de ouvir os Cave Story, para mais ter a oportunidade para ouvir novos temas, eles que tocaram “Sing Something for Us Now” e “Ice Sandwich” desse último lançamento. Cumprida a missão no Westway LAB a banda de Gonçalo Formiga seguiu para Aveiro para outro concerto no mesmo dia.

Ao Convívio Associação Cultural voltei para o momento de maior expetativa da tarde cujo início ocorreu às 17 horas. Aí tocaram os X IT, um projeto com músicos que se conheceram neste mesmo festival no ano passado nas residências artísticas.

X IT em estreia total [mais fotos clicar aqui]

São eles o produtor português Tiago Sampaio (St. James Park), o pianista holandês Daniël Tomàs (Daniël vd Duim) e a vocalista holandesa/alemã Élénie Wagner (Eliën). A atuação foi empolgante e o eletropop que estrearam em Portugal é altamente melódico e dançante. A voz de Élénie é, sem dúvida, a cereja no topo deste bolo musical.

A viagem dos concertos pela cidade terminou, num regresso ao Ramada 1930, às 18 horas para escutar os Ezpalak. Esta banda de rock alternativo chegou à Cidade-Berço vindo de Zestoa, do País Basco espanhol. Este quarteto anda a promover ‘Hortz Aina Hots’, o seu trabalho discográfico mais recente. Juanjo Berasain é o vocalista e possuidor de uma energia bem própria do estilo musical.

Juanjo Berasain e os Ezpalak em estreia total em Guimarães [mais fotos clicar aqui]

Mesmo com letras cantadas em euskara a atuação não deixou ninguém indiferente. O espaço, ao contrário de 2 horas mais cedo, já não estava ao sol. Foi uma performance bem concorrida. Durante os quase 50 minutos de atuação, algumas dos temas mais recentes dos Ezpalak não faltaram à chamada, como por exemplo, Kontran (a 1ª tocada), “Zu Izan” ou “Itzala”. Esta banda entrou, definitivamente, no meu radar musical.
Foto-reportagem showcases: clicar aqui

Sábado – Noite 2 do Festival

Nacho Vegas foi o primeiro artista a tocar, a partir das 21:35h, nesta segunda e última noite do Westway LAB em 2023. O cantautor, um nome conhecido da música popular no país de nuestros hermanos atuou a solo. “La Septima Ola” (primeira tocada), “Ser árbol”, “Ciudad Vampira” ou “Que te vaya bien, Miss Carrusel” (a última interpretada) foram alguns dos temas que o artista espanhol trouxe a Guimarães. Com letras em espanhol, acompanhado da sua guitarra clássica e da sua voz (sem efeitos) rubricou uma atuação sóbria, porém que nada de novo trouxe, ao Grande Auditório Francisca Abreu.

No cardápio seguiu-se algo radicalmente diferente. Segui as escadas em direção ao Café Concerto do Centro Cultural Vila Flor para La Furia, o projeto de Nerea Loron. Esta rapper, vinda do País Basco, esteve em residência artística no festival e neste último sábado voltou ao palco para apresentar-se em nome próprio.

La Furia numa atuação bem enérgica [mais fotos clicar aqui]

Esteve acompanhada de uma DJ e de duas bailarinas. “Estrellitas en el Cielo de Tu Cama”, foi a primeira interpretada sendo que “ Que Se Muera la Pena”, “Eh!” ou “Ladrido” fizeram parte também da setlist. Numa atuação surpreendente, altamente irreverente e bem animada fez um manifesto em favor do feminismo e de um papel de assunção da mulher na sociedade. Letras apimentadas com mensagens fortes, mensagens essas passadas também nas comunicações em espanhol nas pausas entre temas para uma audiência que preenchia o espaço.

A lusitana Rita Vian, tem vindo a ter mais louvores e reconhecimento desde 2021, ano em que lançou o EP ‘CAOS’A’, e que a levaram a festivais como o NOS Primavera Sound, Bons Sons ou Vodafone Paredes de Coura. Ela foi a seguinte nesta noite de sábado. Pela primeira vez apresentou-se ao vivo em Guimarães, neste Westway LAB 2023. Houve uma belíssima enchente para ouvir esta lusitana e notou-se que esse magote de pessoas estavam curiosas. Rita Vian começou com o tema “Plana”, eram já 23h. Início do concerto com muita pouca luz e em tons de azul, algo que ocorreu várias vezes ao longo da atuação. Ela deambulou de um lado ao outro do palco, tal como é-lhe habitual. Fez-se acompanhar por João Pimenta Gomes, responsável pela parte eletrónica. Não faltaram temas bem conhecidos como “Sereia”, “Tudo Vira” ou “Purga”.

Rita Vian num dos momentos mais profundos da sua atuação [mais fotos clicar aqui]

Houve até momento para desempenhar uma canção especial, um dueto que os avós costumavam cantar. A mostra original da mistura da modernidade do universo dos sons digitais com a tradição lusitana marcam o som diferenciado de Rita Vian. Além de “picar” a géneros como o R&B, as influências no fado e noutros elementos da música popular portuguesa são claras. A atuação foi sólida e bem construída, ela que foi comunicando entre canções.

Catarina Munhá munida de cavaquinho foi acompanhada por 2 músicos que tocaram violoncelo, piano e percussão. Ela que apresentou canções de ‘Animal de Domesticação’, o seu álbum de estreia. A artista fez questão de frisar que são “canções para cada divisão da casa”. Com uma presença simples, delicada e atenciosa tocou o seu repertório do qual não faltou “Cópia Pirata”, tema que já vai tendo algum airplay nas rádios nacionais.

A jovem Catarinha Munhá no Café Concerto do CCVF [mais fotos clicar aqui]

Fiquei com a sensação de a querer ver e ouvir novamente noutro panorama. Tal como na noite de sexta-feira, aconteceu novamente o ruído de conversas um bocado acima do desejável… O Café Concerto acabou por ser, para alguns, um ponto de passagem para uma bebida e relax entre atuações.

Um dos momentos âncora do Westway LAB em 2023 aconteceu no concerto final com a performance dos Criatura. Foi a minha estreia com este sui generis projeto nacional, felizmente e finalmente, direi eu. A formação desta banda é uma amálgama de muitos músicos, estiveram 10 em palco numa conjugação bem eclética. Todos eles muito competentes. Amálgama quase infindável de instrumentos, muitos deles tradicionais como adufe, bandolim ou gaita-de-foles. Com o tema “Anunciação” a festa foi devidamente aberta e o público esteve correspondeu de forma colaborativa.

Gil Dionísio, uma força da natureza [mais fotos clicar aqui]

Gil Dionísio, foi o mestre das cerimónias, um show dentro do show. Com a sua personalidade irreverente e irresistível levou toda a gente a seguir atentamente as letras bem curiosas das canções. Igualmente a “beber” das suas mensagens de intervenção social. Foi, literalmente, um “bate o pé” coletivo.

Edgar Valente (músico também faz parte dos Bandua) participa com a sua voz e toca também teclados e adufe ajudou igualmente à animação na qual não faltaram canções como “Da Praxe”, “À Mãe” ou “A Noiva”. A formidável atuação terminou com “Tempo” e saí com uma sensação wow deste concerto. Outra das coisas que ficou na memória é a incrível voz de Gil Dionísio.

O Westway LAB teve mais uma edição de sucesso entre os dias 12 e 15 de abril. Alguns concertos incríveis, um ou outro nem por isso, o que importa ressalvar é a alta qualidade geral do evento e da sua organização. Mais uma vez as Residências Artísticas deram resultado a showcases bastantes agradáveis. Após a 10ª edição é preciso assinalar que o festival está cada vez mais a cumprir o seu objetivo e o público geral, ao esgotar o evento, revela que está atento passando uma mensagem bem definida.

Vejam toda a foto-reportagem: clicar aqui

Criatura com 10 músicos em palco [mais fotos clicar aqui]

Texto:
Edgar Silva

Fotografia:
Jorge Nicolau

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

Ainda sem comentários

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.