Milhares disseram sim à A Garota Não nas Taipas

Milhares disseram sim à A Garota Não nas Taipas | Reportagem Completa

Cátia Mazari Oliveira: a mulher responsável pela A Garota Não // Foto @ Rui Torres – @cadernetamusical_

A programação cultural dos Banhos Velhos nas Caldas das Taipas encerrou a temporada de 2023 no passado fim-de-semana. Incluiu um concerto da cantora e compositora Cátia Mazari Oliveira cujo nome artístico é A Garota Não, já bem conhecido do público geral. Esta atuação realizou-se na passada sexta-feira, dia 22 de setembro.

Tal como já ocorrido em ocasiões anteriores, no decurso deste ano, também desta vez o concerto foi transferido para o Polidesportivo da Taipas Termal. As flutuações do clima têm sido constantes e a previsão de tempo menos propício fez mudar o evento dos Banhos Velhos para o Polidesportivo. Há que ver a questão pelo lado positivo, a alteração nesta e noutras ocasiões, foi muito benigna. Com milhares de pessoas a afluíram ao programa, não seria propriamente a situação mais confortável no local inicial já que tem uma capacidade mais modesta. Inclusive limitada dada a sua configuração urbanística

Sérgio Miendes, o incrível guitarrista e a extraordinária A Garota Não // Foto @ Rui Torres – @cadernetamusical_

Sérgio Miendes (guitarras) e Diogo Sousa (bateria e percussão) acompanharam Cátia Oliveira (voz e guitarras) em mais uma atuação valiosa como A Garota Não. Assisti ao vivo a este projeto 3 vezes durante este ano, em ocasiões bastante distintas: Courage Club em fevereiro; Vodafone Paredes de Coura em agosto e agora mais recentemente a esta nas Caldas das Taipas. Apreciei bastante todas estas minhas experiências com esta artista setubalense de 39 anos e seus comparsas de aventura. Apesar da agenda cheia e de imensas atuações um pouco por todo este Portugal real, percebe-se neles uma alegria e um usufruto dessa condição de artistas em palco. Tocam despreocupadamente, procurando atingir o seu melhor a cada nota, de forma a proporcionarem o melhor de si às pessoas.

Efetivamente foi isso que pude ver e constatar nesta minha terceira vez numa performance de A Garota Não. O trio não esperou muito, subiu ao palco, 5 minutos após a hora aprazada (22h). Com a plateia preenchida, algo já esperado, a abertura da atuação aconteceu com “Canção sem final”. Este tema faz parte do ‘2 de abril’, álbum centro das atenções da setlist nesta noite.

Cátia gosta de comunicar, é um apanágio seu: conta as suas histórias e passa a sua visão de questões do dia-a-dia ao público cuja forte componente de reivindicação e preocupação social já é-lhe reconhecida. Nesta ocasião ela pôde fazê-lo, sem restrições de tempo, ao contrário das ocasiões anteriores em que a vi. Com a sua simplicidade é também assim, em consonância com as suas canções e letras acutilantes, que consegue muito facilmente ter o público na “palma da sua mão”.

A Garota Não num dos vários momentos introspetivos // Foto @ Rui Torres – @cadernetamusical_

Dedicou “A morte não sabe contar”, 2º tema interpretado, à organização dos Banhos Velhos agradecendo pela realização desta programação tão bonita. Efetivamente algo bastante merecido.

A artista revelou que finalmente vai ter uma edição de vinis, anunciou-o com um sorriso largo e visivelmente contente, era algo que pretendia e tal foi só possível devido aos fãs.

A seguir a “Prédio mais alto” tivemos “422”, a tal canção que versa sobre os lucros da Galp no primeiro trimestre do ano passado. Foi engraçada a afirmação da artista da introdução ao tema: “Tanto dinheiro e nem uma canção”. Para a eternidade ficou “gravada” essa situação tão pesarosa para a população portuguesa numa altura de dificuldades na sociedade. Tal como então, mantém ainda hoje a sua atualidade.

Ao contrário do Vodafone Paredes de Coura, desta vez, não teve a necessidade de encurtar o alinhamento e interpretou “No dia do teu casamento”, canção ícone por ser a do lançamento do projeto. Na parte final da interpretação desafiou o público e conseguiu ter um afinado coro: primeiro pelas vozes femininas e seguidamente pelas masculinas.

Sérgio Miendes, o incrível guitarrista que acompanha A Garota Não // Foto @ Rui Torres – @cadernetamusical_

A atuação ia de vento em popa, a única parte menos boa foi o ocasional comportamento do público, ao fundo, sentado nas bancadas. Lá pelas primeiras filas ouvia-se um burburinho intenso, algo percetível entre as canções. A ideia de ir a um concerto é para prestar atenção e ouvir música, não é propriamente para conversar. Para esta última finalidade há outros locais mais apropriados. Outro momento a assinalar: um grito de “bravo” demasiado agressivo e bizarro, durante a transição de canções e que apanhou Cátia e o público de surpresa. A própria cantora ficou ligeiramente assustada.

A Garota Não antes de “Adamastor” fez questão de um agradecimento muito sentido à sua equipa técnica, especialmente aos músicos que a acompanham. Aconselhou ainda a que oiçam o álbum ‘Senda’, trabalho a solo de Sérgio Miendes. Fez o mesmo para o baterista Diogo Sousa referindo que ele vai realizar um concerto nas Caldas das Rainha e que gostaria que ele tivesse casa cheia.

Já é habitual o momento mais emocional e introspetivo no final de “Mulher Batida”. Cátia pegou no seu caderno e folheou página a página mostrando nomes de mulheres vítimas de violência doméstica. O momento foi acompanhado por sentidas palmas.

No arranque para “Urgentemente” passou a mensagem de que é preciso “Ter Eugénios de Andrade para combater os Andrés Venturas". Foi neste tema que trocou a sua letra pelas palavras de Eugénio de Andrade, obrigando-a ao recomeço por duas vezes. A gentiliza do público em cantarolar a canção ajudou-a a encarreirar. Para o final ficou guardada “Dilúvio”, uma das suas canções mais conhecidas.

Diogo Sousa, o super competente baterista que acompanha A Garota Não // Foto @ Rui Torres – @cadernetamusical_

A planificação deste ano foi a última que teve o dedo programático de José Manuel Gomes já que este elemento findou as suas funções nas Taipas Termal, a entidade promotora dos eventos que têm lugar nos Banhos Velhos e com esta respetiva chancela. A sua missão foi bem conseguida, salvo erro desde 2016, foi um dos alavancadores desta programação colocando-a com um reconhecimento num patamar nacional.

Certamente a Taipas Termal dará continuidade a esta empreitada nos próximos anos, tornou-se num marco das Caldas das Taipas, leva àquela vila minhota muita gente de vários pontos do concelho de Guimarães e mesmo até de outras zonas do Norte.

Nota final: agradecimento ao Rui Torres pela disponibilização das fotografias utilizadas neste artigo. Podem seguir o seu trabalho, nomeadamente fotografia de concertos em @cadernetamusical_. Podem encontrar nesta página de Instagram bonitas fotos de vários concertos realizados um pouco pela região norte.

Texto: Edgar Silva
Fotografia: Rui Torres – @cadernetamusical_

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.