Braga efervesceu com uma bazucada de música – Dia 1 da ‘Noite dos Reis da Bazuuca’

Miguel Santos na guitarra e voz dos Mayu | mais fotos clicar aqui

A ‘Noite de Reis da Bazuuca’, tal como em 2023, voltou a acontecer em duas noites consecutivas. O ambiente intensamente festivo repetiu-se, tal como nas 3 edições anteriores. Esta 4ª edição teve lugar nas passadas noites de 5 e 6 de janeiro. A reportagem realizada pelo headLiner sobre a edição do ano passado pode ser lida e/ou recordada aqui.

As salas da discoteca Lustre, um dos espaços culturais de referência situados mesmo no centro da cidade ao lado dos Paços do Concelho de Braga, tem sido o local privilegiado para este festão. Nestas noites foi novamente o local escolhido.

A “festa de família” como é apelidada por João Pereira, o responsável máximo da promotora Bazuuca e figura incontornável da cultural bracarense, foi dividida numa jornada dupla. Ao todo foram 16 projetos, aqueles que tiveram a oportunidade de dar o brilho a esta, já tradicional, noite de música sem fronteiras no que diz respeito aos géneros musicais.

João Pereira da Bazuuca o responsável por este evento | mais fotos clicar aqui

A ‘Noite de Reis’ já não destaca somente as bandas e artistas agenciadas pela Bazuuca, tornou-se mais abrangente, proporcionando uma reunião de músicos bracarenses ou com uma forte ligação à Cidade dos Arcebispos. Efetivamente é bonito de ver a amizade e as fortes ligações que os músicos têm entre si. De igual modo a maneira como vivem esta ocasião. Além de um forte abraço e um sentido agradecimento a João Pereira é também uma ocasião para conviverem entre si e com aqueles que os seguem, aos que dão o devido valor à sua música.

Nem uma noite fria, como se fazia prever num dia de janeiro, nos fez demover da primeira grande festa do ano. As baixas temperaturas e a chuva miudinha que se fazia sentir, fez-nos atrasar para o evento que estava cronometrado praticamente ao segundo, não deixando espaço para atrasos.

Perto das 23:30h demos entrada no bonito edifício, num canto meio escuro da Praça Conde Agrolongo. Em cima do palco já tocavam os Mayu, composto na sua essência por Miguel Santos, Fábio Pinto e João Araújo, mas que para o palco da Bazuuca trouxeram mais elementos, elevando o seu som a outro patamar. A guitarra braguesa, símbolo musical único da cidade de Braga e que o coletivo trabalha tão bem, trouxe um toque bem tradicional ao som vanguardista coberto por teclados e sintetizadores.

A guitarra braguesa em destaque com Mayu | mais fotos clicar aqui

Este ambiente criado para ‘CIRCUM MUNDUM’, segundo disco da banda editado este ano, foi sentido pelas diversas dezenas de pessoas que começaram a preencher os metros quadrados em frente ao Palco Bazuuca . “Sanlucar de Barrameda” foi uma das sentidas. “EUREKA”, esta do seu disco de estreia, ‘Orpheu’ foi também tocada.

O mote desta festa trazida pela Bazuuca traz uma onde gigante de projetos musicais e todos eles diversificados pelo grande espectro musical, proporcionando descobertas musicais incríveis.  Após 30 minutos de Mayu, sim 30 minutos é o tempo que as bandas têm para se mostrar, numa espécie de estafeta musical, fomos para o palco Salão Mozart, para ver os nunca antes ouvido, Frank Lucas.

Esta novo palco ganhou agora uma vida nova, reposicionando-se no lado aposto da sala ganhando também uns metros de altura fazendo com que fosse bem visível toda a imagem dos artistas que o pisaram.

Frank Lucas mostrou-se com vestes numa mistura entre o punk e o EMO, pronto para apresentar uma mão cheia de singles. Poderíamos não conhecer nada do artista, mas a verdade é que uma pequena multidão acumulou-se bem na linha frente para ver o artista bracarense.

Frank Lucas numa apresentação bastante animada | mais fotos clicar aqui

Entre as sonoridades trap, hip-hop, Frank Lucas fez-se acompanhar de um guitarrista que deixou umas pinceladas mais tradicionais ao seu som. Quem também colaborou nesta versão trio em palco foi Mafalda BS. Era bem claro que aquelas dezenas de pessoas sabiam para o que vinham, acompanhando as letras e até as batidas bem ritmadas de músicas como “Mais Um” ou “Não Sei”. Mas foi em “Lowco” que arrancou mais aplausos, com a subida ao palco de Cálculo, rapper e produtor conhecido na praça, oriundo de Barcelos.

O relógio suíço continuava bem oleado, marcando o passo de todo este evento bem orquestrado não deixando praticamente espaço para atrasos – 00:30h foi hora de voltarmos a circular, fazer o refill na cerveja e seguir para uma das atuações mais esperadas desta primeira noite: Palas.

Figura incontornável da cena musical de Braga, fundador de bandas como Smix Smox Smux ou Máquina Del Amor, Filipe Palas foi o nome que demoveu as poucas centenas de pessoas naquela noite fria, a moverem-se para o palco de toda aquela ação, a discoteca Lustre. O artista bracarense levou muito do seu ‘Tons de Pele’, um conjunto de episódios musicais que formam um EP.

Filipe Palas na guitarra, o mentor deste projeto | mais fotos clicar aqui

Sempre com o seu ar despreocupado numa atitude meio rebelde foi cantando músicas como “Oito”, “Bagaço” ou “Jogo Exausto”. Também presenteou-nos com músicas ainda não editadas, antecipando um pouco do seu novo trabalho. Para o apoiar em cima do palco, estiveram nomes como Giliano Boucinha nos teclados e sintetizadores ou João Costeira na bateria, músico que passou também naquela mesma noite pela percussão dos Mayu.

A noite já ia bem dentro, o frio que sentíamos no início começará a transformar-se em suor e um dos momentos da noite ainda estaria para chegar, e nós nem sabíamos disso.

Uma dupla de nome Navegantes da Rua veio atracar a sua nau no palco Salão Mozart. Ainda em ritmo de aquecimento, a dupla começa a dedilhar uma versão provida apenas de baixo e bateria de “Another One Bites The Dust”, soltando os primeiros passos de dança. Sem muitas palavras, começou logo o baixo carregado de distorção a rosnar diretamente para os nossos ouvidos. A bateria marcava o compasso, e numa masterclass de improvisação (ou talvez não) a festa começou a desembrulhar-se fazendo bem audível e visível aquele que tinha sido um dos momentos da noite que mais exaltou a plateia.

A dupla em palco: Navegantes da Rua | mais fotos clicar aqui

Desconhecidos por muitos, a dupla mostrou-se bem-dotada de uma dose extra de ritmo e cumplicidade, cruzando constantemente olhares entre si, para que nada naquela mixórdia de notas bem ritmadas falhasse. A banda de Braga ainda não conta com nenhum trabalho editado, podendo apenas ser encontradas no Spotify da banda duas faixas, ambas editadas em 2023. O anúncio veio em pleno concerto, com a banda a anunciar a edição do seu primeiro disco: ’31 de janeiro’, data do próprio lançamento. Agora é só ficar à espera, e se os puderem apanhar, entrem nesta viagem que deambula entre um noise rock a fazer lembrar Lightning Bolt e as linhas jazzy bem delineadas de Thundercat.

Para terminar esta primeira forte ‘Noite dos Reis da Bazuuca’ compareceu uma banda que não entrou com falinhas mansas. Todos com t-shirts de bandas, como dos bracarense Vai-te Foder ou dos mais conhecidos Lamb of God, o trash metal dos Capela Mortuária veio para fazer tremer aquela noite fria de janeiro. Quase como um ritual, o vocalista retira cuidadosamente os seus óculos, e assim que começam a rasgar os primeiros riffs, eis que é entoado o primeiro rosnar. ‘Mostro’ é o disco de estreia da banda que foi apresentado de forma bruta e sem piadade, fazendo entrar em erupção rapidamente, o primeiro mosh pit deste fim de semana, que ainda ia meio.

Júlio, o vocalista dos Capela Mortuária | mais fotos clicar aqui

Já passavam das 2:00h quando a WAV.IN se apoderou dos discos através da dupla Mazda Fields e Terzi, começando a rodar a festa que só parou quando faltavam poucas horas para o sol do próximo dia, começar a raiar.

Foi um gosto enorme pela parte do headLiner termos sido Media Partners da ‘Noite dos Reis da Bazuuca’ e gostamos bastante termos feito parte desta festa. Oxalá seja parte integrante da oferta cultural bracarense por muitos e bons anos.

Reportagem fotográfica completa dia 1: Clicar Aqui

Reportagem fotográfica completa dia 2: Clicar Aqui

Mafalda BS a dar uma ajudinha a Frank Lucas | mais fotos clicar aqui

Texto: Luís Silva [com revisão por Edgar Silva] Fotografia: João Pinto

Luís Aires Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Num quarto de uma residência universitária em Guimarães, criei em 2012 os primeiros acordes do headLiner. Nasceu da vontade de dar espaço a uma cena musical mais underground. Aqui, o BPM e os decibéis são secundários. Interessa-me a música em todo o seu espectro. Eu fico por aqui a ouvir e a escrever algumas palavras — umas com mais sentido do que outras.