A grandiloquência do mestre dos Pés de Roque-Enrole e seus convidados no Coliseu do Porto

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Samuel Úria, o cicerone da noite | mais fotos clicar aqui

A estreia de Samuel Úria, em nome próprio, no Coliseu de Lisboa teve lugar no passado dia 11 de outubro. Menos de uma semana após essa empreitada extremamente bem-sucedida, pelo feedback que pude ler na imprensa nacional, fui com uma expetativa um pouquinho mais elevada até ao Coliseu Porto Ageas nesta última sexta-feira, dia 17 de outubro.

Este foi um retorno do tondelense aos palcos portuenses depois da atuação a 1 de outubro de 2024 no Teatro Sá da Bandeira em que o headLiner também esteve presente e cuja reportagem pode ser lida aqui.

Úria não deixou os seus Pés de Roque Enrole por pernas alheias. Esta foi a minha estreia num concerto do artista em espaço fechado. Era algo que já ansiava há algum tempo, provavelmente anos até. Depois do gostinho que foi a sua atuação no Vodafone Paredes de Coura na edição deste ano (cuja reportagem pode ser lida aqui) a oportunidade demonstrou-se na verdade imperdível.

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Samuel Úria com banda e coro | mais fotos clicar aqui

Esta performance foi também a sua estreia absoluta no Coliseu da terra pátria da francesinha. Diga-se, para fazer justiça a esta noite, a performance foi toda ela uma bela iguaria musical abrilhantada pelos seus incríveis convidados.

A sala transpira imponência, efetivamente é sempre um marco relevante na carreira de qualquer artista atuar neste local de cultura portuense. Pessoalmente foi também excitante regressar, especialmente por ter ainda visto poucos concertos neste Coliseu Porto Ageas. Este local de concertos não é daqueles que frequento amiúde.

A sala foi-se compondo com aquela azáfama benigna de sexta-feira e intrépida vontade de assistir ao evento. Horário previsto não foi cumprido, às 21:35h ainda entravam pessoas. Não foi registada lotação esgotada, no entanto, esteve uma bela moldura humana. As zonas abertas foram a plateia (lugares sentados), tribuna e camarotes.

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Samuel Úria a dar tudo, como sempre | mais fotos clicar aqui

Às 21:38h a encantadora maratona de 2 horas e 20 minutos teve início com “1998” para uma performance em que “tudo é melhor no Porto”, Samuel puxou a exigência ao seu máximo para si e todos os presentes.

‘2000 A.D.’ é último álbum do artista, lançado em 2024, e a faixa que dá título a esse registo discográfico foi a segunda a ser servida na noite. Um tema bem porreiro e que soou muito bem por entre passos apressados de pessoas que ainda procuravam o seu lugar.

Houve um agradecimento especial de Úria a Miguel Guedes, o vocalista dos Blind Zero, “pela inspiração”. Ele que recordou que a banda portuense tocou na sua festa de finalistas. Como nota relevante referir que Guedes é atualmente o diretor do Coliseu Porto Ageas.

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Samuel Úria em momento mais sério | mais fotos clicar aqui

Houve várias memórias, ao longo do espetáculo, que Samuel Úria partilhou com os seus fãs: uma delas foi a de um concerto há 15 anos num Hard Club no Mercado Ferreira Borges ainda em obras finais e com bastidores em estado de estaleiro. Recordou que alguns dos companheiros de coro também lá estiveram com ele. A performance foi também isto, a partilha de momentos no Porto, uma cidade bastante relevante na sua vida pessoal e profissional.

O referido coro teve a colaboração de 8 pessoas: 5 mulheres e 3 homens. Todos eles fizeram a sua parte de maneira bem elegante. Fica o destaque para Joana Wagner, deixou o coro e passou a teclista no último tema no encore em “Um Adeus Português”.

A banda, dotada de músicos de imensa tarimba, foi composta por: Jónatas Pires (voz, guitarra elétrica, guitarra acústica e harmónio indiano); Miguel Sousa (voz, teclado, guitarra acústica); Miguel Ferreira (voz e teclado); Silas Ferreira (voz, teclados e percussão); António Quintino (voz e baixo) e Tiago Ramos (voz,bateria e percussão).

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Miguel Ferreira, conhecido também por fazer parte dos Clã | mais fotos clicar aqui

Miguel Ferreira (também conhecido por fazer parte dos Clã), um dos teclistas, na fila dianteira no primeiro set de palco, relevou-se o mais expedito. Sempre a vibrar imenso com os temas com o seu jeito gingão.

A primeira participação especial surgiu com Carol, a brasileira com “sotaque de Gaia”, em “Daqui para Trás” e “Essa Voz”. A voz de “fogo e de mel”, como apelidou Samuel, deixou o seu encantador contributo tal como todas as outras convidadas femininas. Foram elas, por ordem de entrada em cena, Margarida Campelo, Manuela Azevedo, Milhanas e Gisela João. Todas com vozes de timbres diferentes com um elo comum: vozes incríveis e marcantes do panorama nacional português.

Voltei a cruzar-me com Margarida Campelo, depois de a ter visto dois dias antes, em Riba De Ave num filme-concerto. Lá musicou com Bruno Pernadas o filme “It´s All True”. Gosto muito desta artista e a sua voz em “Kuchisabishii” resultou bem numa altura em que o concerto precisava de um tema mais mexido.  “Foi Aparecida” também com Campelo resultou num momento incrível de dueto.

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Margarida Campelo como convidada especial | mais fotos clicar aqui

A grandiloquência do mestre dos Pés de Roque-Enrole foi também bem estridente no “Palco Punk”, o segundo cenário diferenciado da noite. Amigos de longa data, os elementos d’ As Velhas Glórias juntaram-se a Samuel nesse palco para destilarem frenético rock n’ roll. “Era de Ouro” e “Grandiloquência Do Roque-Enrole” foram o momento sonoramente mais divergente da atuação, fundamental pois marcou de forma essencial uma fase vital do percurso musical de Úria.

Enquanto Samuel Úria abandonava o palanque rumo ao público o pano de boca desceu. No meio da plateia teve a companhia do coro em três temas. Em “Quem Me Acende a Voz”, com a ajuda do coro, tivemos uma ocasião vibrante.

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Mudança para o centro da plateia | mais fotos clicar aqui

Já a conjuntura mais arrepiante teve lugar na sequência em que Manuela Azevedo colaborou. Com a sua entrada, a artista de Vila do Conde foi merecedora de uma ovação bem entusiástica e merecida.

Sequência com três temas: primeiro uma versão de “Canção de Água Doce” dos Clã, a duas vozes pois claro, Úria tocou ukelele. Depois surgiu “Carga de Ombro”, com a ajuda de Azevedo, num dos ensejos mais espetaculares da noite. Com coros e palmas por parte do público de forma bem afinada. Bem bonito realmente.

O que também foi extremamente simpático foi a afirmação de Manuela: “A casa dos Clã é tua”. Surgiu na sequência das afirmações de Úria pela sua colaboração com diversos músicos daquela mítica banda.

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Manuela Azevedo com uma voz pujante | mais fotos clicar aqui

No regresso ao palco surgiu o terceiro cenário diferenciado da noite. Foi tudo baralhado e os músicos/coro surgiram todos em posições diferentes aquelas do início do concerto. O que também mudou foi o letreiro que estava suspenso, passou de 2000 A.D. (estava colocado num dos patamares em palco) para Samuel Úria.

Em “Fusão”, ainda com intervenção vocal de Manuela Azevedo, o público ficou elétrico e muitas pessoas ficaram de pé. Provavelmente algumas mais recatadas não se levantaram para não perturbarem as filas de trás, é o que dá ser plateia sentada…

O público que marcou presença revelou-se bastante heterogéneo (dos 8 aos 80) sendo bem maduro na sua maioria, forte presença de pessoas nas faixas etárias dos trintas, quarentas e cinquentas.

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Azevedo e Úria durante “Fusão” | mais fotos clicar aqui

“A contenção” não faltou e em “Fica Aquém” o artista de Tondela testou os limites da sua voz. Dois momentos bastante apreciados pelo público.

Pelo meio ficaram as participações de Milhanas e Gisela João com as suas vozes “açucaradas”. Fica como destaque a interpretação de “Lenço Enxuto”, num dos momentos áureos da noite em que a intérprete de Barcelos deu um apoio vocal bem firme.

No fecho desta noite extremamente bem passada tivemos um encore com quatro temas. Miguel Ferreira no teclado acompanhou Úria em “Graça Comum”. No encadeamento mais um belo momento de cumplicidade entre Tiago Guillul com o seu amigo de longa data Samuel. Ambos interpretaram “Beijas Como uma Freira”, faixa pertencente a Guillul feita em colaboração com “Os Lacraus”.

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Gisela e Samuel em compenetração total | mais fotos clicar aqui

Antes de “Um Adeus Português”, outro dos momentos mais significativos da noite, teve lugar durante “É preciso que eu diminua” em que praticamente toda a gente curtiu de pé bailando ao som deste incrível tema.

A discografia de Samuel Úria contém alguns dos melhores temas do universo musical lusitano dos últimos 20 anos. Um universo em que os blues, o punk, o rock e o gospel são estilos diferentes que convergem no imaginário do “mestre de nadinha” oriundo de Tondela.

O indelével traço musical de Samuel Úria e a sua relevância no contexto da música nacional ficaram, mais uma vez, devidamente fundamentadas nesta sua estreia no Coliseu Porto Ageas.

Reportagem fotográfica completa: Clicar Aqui

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As Velhas Glórias e Samuel Úria no “Palco Punk” | mais fotos clicar aqui

Texto:
Edgar Silva

Fotografia:
Bruno Ferreira @ bjsf_photography (Instagram)

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.