Foco headLiner aos Talentos Emergentes #23 | Safari Zone

Nesta edição do “Foco HeadLiner aos Talentos Emergentes” vamos falar de uma banda recente no nosso radar. Surpreendeu-nos pelo talento e enorme potencial, são eles os Safari Zone.

~ Biografia Artística (até ao momento) dos Safari Zone

Carolina Trindade (Lua) na voz e guitarra elétrica, José Maldonado (Joe) na guitarra elétrica, Pedro Lamego no baixo, Duarte Cruz (Panda) nos teclados, sintetizadores e guitarra elétrica e Vasco Gomes na bateria são os membros que compõem os Safari Zone. Este projeto musical existe desde 2019 e os seus cinco elementos são oriundos da zona metropolitana de Lisboa.

A ideia inicial cingiu-se somente a serem uma formação musical focada em tocar apenas versões de canções. Entretanto uma pandemia global fez literalmente o mundo tremer às “mãos” do famoso Covid-19 e este quinteto, como tantas outras bandas, viram planos e projetos ficarem adiados. Entretanto, durante 2022, com a entrada de Lua o projeto definiu-se musicalmente, num primeiro momento, como Indie/Bedroom-Pop. Com o decorrer do tempo, os Safari Zone estabelecem-se sonoramente entre o indie e o space rock. A língua inglesa é de uso predileto nas letras dos seus temas.

O desenvolvimento dos Safari Zone tem acontecido por entre entrada e saídas de elementos. As entradas de Lua e Vasco tornaram o projeto mais real. Por entre composição, ensaios e concertos as coisas começaram em evolução mais séria e avançada num período intercalado entre 2022 e 2023.

Em 2022 venceram o concurso de bandas da Federação Académica de Lisboa e têm realizado presenças assíduas em eventos do género tendo igualmente sido vencedores de mais três concursos: ContrabandIST e Festival Metamorfose em 2023 e VI Mostra de Bandas do Montijo em 2024.

Em termos de registo discográfico editaram ‘This World is an Anteater’, um EP com 5 temas em 2023. No decurso de 2024 editaram o orelhudo single ‘Is It Indie Already?’de belíssimo efeito sonoro e já neste presente ano foi a vez de mais um promissor tema, no caso “Shoebox”. O álbum, em formato LP, está prometido para 2026.

[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=SYrcDXAZdec&w=356&h=200]

A atuação que Edgar Silva, administrador do headLiner, viu dos Safari Zone no Sonus Art em outubro do ano passado em Guimarães foi o “rastilho” para pôr este projeto lisboeta no seu radar. Em condições um tanto quanto difíceis, tocaram ao fim da tarde num espaço semi abrigado e apertado, longe do ideal. Nesse dia registou-se uma tarde bastante invernosa com muita chuva e vento. Pese todo os condicionalismos tocaram com muita vivacidade e alegria.

A carreira dos Safari Zone promete coisas boas para um futuro a médio prazo. A chancela de talento emergente é, por todas as razões, bem aplicada ao seu caso.

~ Entrevista aos Safari Zone

headLiner (Edgar) – A primeira curiosidade para ser desfeita é acerca do vosso nome. Qual a história e o significado de Safari Zone?

Safari Zone: Na nossa formação original toda a gente jogava Pokémon Emerald, e nesse jogo existia uma reserva natural chamada Safari Zone – foi por isso que este nome foi considerado. Na verdade, o primeiro nome que nos surgiu foi “Conference Call”, mas já existia uma banda com esse nome. Hoje em dia, visto que os membros atuais não estão familiarizados com essa referência, gostamos de deixar o nome aberto à interpretação dos ouvintes. Relembrando que os únicos membros originais (e que participaram na decisão) são o Joe (Guitarra) e o Jeet (Baixo). Já nos disseram que este nome parece significar 100 coisas diferentes. Ahaha.

headLiner (Edgar) – Como é que o projeto teve o seu início? Como é que o vosso quinteto se reuniu?

Safari Zone: É uma longa história…

O Joe e o Jeet costumavam juntar-se para tocar umas músicas no Arco do Cego na altura em que estudavam juntos no IST (Instituto Superior Técnico).
Como havia mais colegas que também tocavam, decidiram formar uma banda para compor uns originais no estilo “Indie/Bedroom-Pop”. Isto tudo aconteceu em 2019.

Fun fact – o Jeet tocava guitarra e ensinou o Joe a tocar.
Very fun fact – o Jeet trocou a guitarra pelo baixo.

A banda já teve 2 teclistas, 1 baterista e 1 vocalista masculino.
Curiosamente, o Jeet e o Joe já conheciam o Panda e reencontraram-se em 2021 numa fase em que estavam sem teclista. Foi como se tivesse aparecido numa manhã de nevoeiro para ensaiar em Mem-Martins.

Em 2022 os Safari Zone pediram à Lua para cantar num concerto que acabou por nunca acontecer. A Lua trouxe uma abordagem mais teatral e sentimental à música. Queríamos que ela ficasse, mas ela estava relutante em se comprometer com o projeto. O gosto pela experiência de tocar em grupo (e com este grupo…) acabou por convencê-la subitamente (a meio de um ensaio, depois de tocarmos o “Anteater”) a juntar-se à banda.

No meio de concertos para concursos de bandas, conhecemos o Vasco, que também estava a concorrer num desses concursos. E quando a hora era tarde e a necessidade era grande, o Vasco acabou por aparecer para salvar o dia. E depois de muitos ensaios, muitos concertos, e de ter participado nas baterias do nosso primeiro EP, acabou por completar a nossa formação, de forma oficial, em 2023.
O que o Panda, a Lua e o Vasco trouxeram ao Jeet e ao Joe, culminou numa sonoridade que só vamos mesmo conseguir expressar quando lançarmos o nosso álbum de estreia.

headLiner (Edgar) – A Covid-19 parece um pesadelo já longínquo e não foi assim há tanto tempo. Para uma banda como os Safari Zone, formada em 2019, certamente teve um enorme impacto. Como é que mexeu com os vossos planos?

Safari Zone: Na altura a banda não era uma coisa muito séria. Acabámos por nos adaptar e entrámos num período de composição. Foi nessa altura que o EP foi escrito e a banda começou a crescer mais. Às vezes não podíamos ensaiar juntos (e isso era chato), mas rapidamente arranjámos soluções.

headLiner (Edgar) -Tive a oportunidade de ver-vos ao vivo no ano passado no Sonus Art em Guimarães e apreciei a vossa música. Não esqueci ainda aquela tarde bastante invernosa com muita chuva e vento. Tocaram ao fim da tarde num espaço semi abrigado e apertado, longe do ideal. Pese embora as dificuldades gostei imenso da vossa energia e da vossa alegria naquele improvisado “palco”. Toda essa vivacidade é algo que querem mostrar como imagem de marca? 

Safari Zone: Sempre. Toda a experiência no Sonus Art Fest acabou por dar um bocado de mística ao concerto. Mas sim, dar concertos e estar em palcos a mostrar o nosso trabalho acaba por ser aquilo que mais gostamos de fazer. É satisfatório quando temos pessoas que não conhecem Safari Zone, principalmente quando estamos fora de Lisboa, que é a nossa zona de conforto, e perdem um bocadinho do seu tempo para nos ouvir ao vivo – e aplaudem e gostam. Isso deixa-nos muito felizes e acaba por se refletir no palco.

[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=w7vrSDl14E8&w=356&h=200]

headLiner (Edgar) – Têm feito várias presenças em concursos de bandas e têm vencido em  algumas ocasiões. Esta é a vossa forma de ganhar experiência de palco e  levarem as vossas músicas aos mais variados públicos? O que vos motiva para tal?  

Safari Zone: Os concursos são bons por várias razões: conhecer outras bandas, ganhar experiência e receber financiamento para nos podermos profissionalizar – que é o nosso maior objetivo. Ganhar o Festival Metamorfose e outros concursos permitiu-nos construir o nosso primeiro estúdio. Foi um grande passo para nós.

headLiner (Edgar) – Ainda não lançaram um álbum LP, têm apenas um EP. Para quando uma  edição mais completa e com mais temas novos? Há planos nesse sentido?  

Safari Zone: Efetivamente parece que andamos a falar disto há 3 anos. Ahah. Mas sim, vai acontecer para o ano de 2026. Estamos neste momento na fase final de composição e estamos prestes a entrar em estúdio. E antes disso, pode ser que haja mais alguma novidade. 😉

headLiner (Edgar) – Pesquisei e não descobri nenhuma referência a que estejam a trabalhar com  alguma agência de promoção ou agenciamento. São vocês próprios que estão  a gerir essa situação?

Safari Zone: É uma situação a gerir efetivamente. Mas gerimos em equipa, o que acaba por ser um bocadinho mais fácil para todos, porque repartimos o trabalho. Temos muita sorte por ter a nossa amiga Joana Vilar a ajudar-nos com o outreach para concertos. O restante, vai-se fazendo.

headLiner (Edgar) – Como está a vossa agenda para este ano? 

Safari Zone: Vamos tocar no BOTA no dia 30 de maio, numa NEXT session. Também vamos atuar no Festival de Arronches no dia 19 de junho, e na Escola Normal, no Porto, no último trimestre do ano. Estamos entusiasmados para ver o que o verão nos traz a nível de concertos.

~ Links dos Safari Zone

Instagram: @ safarizoneband

Spotify @ https://open.spotify.com/intl-pt/artist/7x2yUTriWOIAWFmmHMdl0w?si=i4gLaJWbQ-eqWiAqTREAjQ

————-

### ‘Foco headLiner aos Talentos Emergentes’ é uma rubrica iniciada em 2016 com o intuito de dar ênfase a projetos musicais, tanto em formato banda como artistas a solo, cujo selo de “talento emergente” é perfeitamente ajustado. ###

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.