Oub’Lá em sítios #1: itinerância inaugurada com Vaiapraia e Miche (DJ set) | Reportagem Completa

Vaiapraia na inauguração da tour Oub’Lá | Foto: Mariana Silva
Durante cerca de sete anos o Oub’Lá ocupou o número 25 da Praça de São Tiago, situada no coração da belíssima cidade de Guimarães. No passado dia 25 de janeiro, naquele local, teve a sua última jornada de cruzamento entre música, amizade e um copo da bebida preferida de cada uma das centenas de pessoas que acudiram ao evento. Uma noite, como tantas outras, vivenciada com alma igual ao de outros eventos organizados pelo Oub’Lá no decurso dos tais sete anos. Ocasiões em que amigos se juntam e aonde há reencontros de pessoas com os mesmos gostos e espírito. O diferencial foi a nostalgia da despedida do espaço físico.
A impossibilidade de renovação do arrendamento deixou o Oub’Lá sem poiso fixo contudo a ideia e o espírito continuam vivos, efetivamente é muito mais do que um bar.

Visão periférica do palco | Foto: Mariana Silva
Desde 2018, a diferença e diversidade de abordagem à cultura, especialmente à música, fez com que se criasse ali uma espécie de “movida" totalmente divergente (num expoente alto de positividade) em que o Oub’Lá foi o sítio de encontro entre amigos. Âncoras desta “movida” são os incansáveis Jorge Lopes, o afável e empreendedor dono no estabelecimento, e Diogo Coelho, além de imparável marketeer, faz de tudo um pouco como “braço direito” de Jorge. São eles, com a ajuda dos muitos amigos que foram fazendo pelo caminho, não deixam a “marca” Oub’Lá cair em esquecimento.
Agora, em regime de itinerância, vão ocupar vários espaços da cidade vimaranense produzindo eventos. O primeiro teve lugar no passado sábado de 22 de fevereiro com um concerto de Vaiapraia e de DJ set de Miche. As Salas de Ensaio do Teatro Jordão foram o primeiro sítio escolhido.

Chica na guitarra | Foto: Mariana Silva
A chegada do público ao local foi em ritmo lento, levou a um significativo atraso no início da primeira atuação da noite, apenas registado às 22:23h. Um número perto das 200 pessoas terão marcado presença neste primeiro evento Oub’Lá em sítios.
Na noite anterior Vaiapraia, em formato banda, tinha atuado no Damas em Lisboa. Em Guimarães também o fez no mesmo formato. Nesta versão de quarteto contou com Fred como baixista, ele que é conhecido por fazer parte das bandas portuenses 800 Gondomar e Sunflowers. Na guitarra teve a colaboração de Chica e de Candy Diaz na bateria.
O punk rock queer de Vaiapraia foi dedicado à Palestina, algo bem visível numa espécie de estandarte com as palavras “Rock pela Palestina” colocado na parte frontal do palco. A atitude de Rodrigo Vaiapraia foi, naturalmente, desprendida e provocante, desde logo percetível pela sua reduzida indumentária em palco. Acredito que a marca de boxers não o patrocina, provavelmente deveria fazê-lo…

A pujança de Vaiapraia | Foto: Mariana Silva
Para debute da performance Rodrigo entrou a solo com o baixo, dando os primeiros acordes. Os restantes três elementos apareceram a pedido do artista oriundo de Setúbal.
A setlist relevou escolhas num ritmo de “fazer pandã” por toda a discografia de Vaiapraia. De 2016 foi revisitado o tema “Panelei Punx” e de 2018 “Amor Duro”. Uma opção que terá sido imensamente de agrado dos fãs presentes e que consumiam as letras com intensa devoção, mesmo lá na frontline.
A sua persona em palco revela-se um pouco do jeito de prima-dona, o que às vezes parece ser um bocadinho exagerado. O que vale é que a sua pose e atitude são já bem conhecidas e o seu forte repertório valem como escudo.

Fred no baixo | Foto: Mariana Silva
Tocou piano sentado no chão com uma mão, segurando na outra o microfone enquanto debitava as suas letras de impacto bem significativas, quer socialmente, quer politicamente. Rodrigo verdadeiramente não ficou imóvel por bastante tempo. Chegou até a “raptar” a única fotógrafa de serviço para cima do palco, para espanto desta. Veio também junto dos fãs e cantou com três jovens fãs durante “Sinos” e foi precisamente neste momento que puxou o público para junto do palco. As guias que separavam o palco do público foram retiradas no momento em que revelou que o tema era sobre ultrapassar barreiras.
O setubalense esteve também comunicativo, entre vários agradecimentos, houve um ao Pedro da Pizzaria Orfeu por ter feito uma pizza a mais para a banda. Entre gracejos lá foi levando água ao seu moinho. O público vibrou e terá ficado com “água na boca” já que a atuação não alcançou os 60 minutos de duração.
“Fogo Fera” relevou-se um dos temas vividos mais exuberantemente, tal como “Tenho Fome”, surgiram na fase final da atuação.

Candy Diaz na bateria | Foto: Mariana Silva
Sete anos depois da estreia no Mucho Flow, o regresso de Vaiapraia à Cidade Berço registou sinal positivo.
O britânico Miche encerrou a noite com um DJ set dedicado a ritmos mais calientes e que animaram os mais audazes a um pézinho de dança.
Em 15 de março teremos o Oub’Lá em sítios #2, será novamente em Guimarães no Tribuna com os DJ sets da britânica Poly Ritmo e do duo lusitano Botafogo.
Um agradecimento especial à equipa do Oub’Lá e à Mariana Silva por gentilmente ceder as fotos para utilização neste artigo e nas redes sociais.

Visão periférica do palco e da frontline | Foto: Mariana Silva
Texto: Edgar Silva
Fotografia: Mariana Silva @ marianasilvax | Fotos Oficiais Oub’Lá
